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Capítulo II - Projeto Educativo de Escola

2- Conceito e Finalidades do Projeto Educativo

Ao associarmos as palavras “educativo” e “escola” à palavra “projeto”, somos

conduzidos, instantaneamente, a situações de aprendizagem executadas num espaço

físico (escola), uma época (anos de escolaridade) e objetivos/competências (básicas de

ciclo e fundamentais de disciplina).

Assim sendo, há que encarar a Escola como uma “organização com

características próprias, sistema local de formação e de aprendizagem, constituído por

alunos, professores, encarregados de educação, representantes do poder autárquico,

económico e social que, compartilhando uma herança comum, constituem um todo, com

características específicas e com uma dinâmica própria” (Macedo, 1995 p. 116). Dito de

outro modo, fica-se com a plena noção de que é indispensável ter em consideração as

características próprias de cada comunidade educativa, a fim de potenciar o pleno

desenvolvimento do aluno através da criação de condições favoráveis ao seu sucesso.

O Projeto Educativo pode ser concebido como um processo e um produto de

uma planificação destinada a orientar a organização e o funcionamento do

estabelecimento de ensino, com vista à obtenção de determinados resultados. Por um

lado, enquanto processo, o projeto escola corresponde à emergência de um núcleo

agregador de princípios, valores e políticas capazes de mobilizarem os diferentes atores

que integram a organização-escola. Por outro lado, enquanto produto, o projeto de

escola é um documento orientador da ação da escola.

Em Portugal, a publicação da Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n° 46/86,

de 14 de outubro), ao estabelecer os parâmetros orientadores da estrutura e

funcionamento do sistema educativo, reflete já uma reorientação da política educativa

portuguesa que dá lugar à conceção de Projetos Educativos de Escola.

No quadro da análise organizacional, Costa (1991, p. 10) classificou o PEE

como um documento de natureza pedagógica que, “elaborado com a participação da

comunidade educativa, estabelece a identidade própria de cada escola através da

adequação do quadro legal em vigor à sua situação concreta, apresenta o modelo geral

de organização e os objetivos pretendidos pela instituição e, enquanto instrumento de

gestão, é ponto de referência orientador na coerência e unidade da ação educativa”.

O PEE deve ser um documento flexível, continuamente reformulado, com o

objetivo principal de tornar a escola numa organização mais eficiente e produtiva. Deve

ser visto como um referencial, como um guia orientador, que não vincule no sentido

estrito do dever ser, mas que funcione como um indicador de ação e de planeamento,

um documento que contemple a unidade na diversidade. Ao expor a identidade e cultura

de escola, também se apresenta como um agente de mudança que aposta na ação

presente e futura.

Canário (1992), descreve o PEE como um processo dinâmico que integra a

história do estabelecimento de ensino e que perfilha uma ideia do seu desenvolvimento

futuro. Os documentos que lhe dão forma refletem momentos desse processo, desde o

esboço inicial até à planificação pormenorizada e depois à sua reformulação periódica; é

um processo de desenvolvimento organizacional que não se reduz a um mero conjunto

de orientações pedagógicas perfilhadas coletivamente, mas é antes um conjunto de

opções pedagógicas que se traduzem em prioridades de ação e numa estratégia de

atuação, que potencia os recursos existentes, materiais e humanos; é um processo em

que a escola entra em interação com o meio, no diálogo com os atores sociais

envolvidos: os pais dos alunos, as instituições sociais e culturais, as empresas e o poder

local; é um processo participado que radica na motivação dos intervenientes, que os

implica em todos os momentos, do planeamento à avaliação, e que cria espaços para a

sua iniciativa; é, ainda, um processo de desenvolvimento pessoal dos intervenientes.

Barroso (1992) indica que o Projeto Educativo “corresponde ao tempo e às

atividades necessárias à emergência de um núcleo agregador de princípios, valores e

políticas capazes de orientarem e mobilizarem os diferentes membros da organização

escola. É um processo lento, interativo, por vezes, conflitual, de ajustamentos de

estratégias individuais e de grupos, em que se vai sedimentando o sentido de pertença a

uma mesma comunidade educativa e construindo os espaços próprios de autonomia da

própria escola.”

Para Barroso (1992), a elaboração de um projeto educativo deve ser vista,

essencialmente, como uma atividade de planeamento da organização escolar, um

impulso de mudança que surge à margem da ordem estabelecida, desenvolvendo-se de

um modo intuitivo; reflete, igualmente, a necessidade de construir uma resposta

coerente, eficaz e pragmática a uma dificuldade do presente ou a um desafio do futuro.

Obin e Cros (1991) creem que o Projeto de Escola desempenha quatro funções

reguladoras, designadamente, garantir a federação dos projetos e das ações, coligando e

coordenando as iniciativas internas; promover a mobilização em torno de uma

identidade; facilitar a negociação, mediante o diálogo com a comunidade e parceiros

sociais; solicitar planificação, definição de prioridades e programação de iniciativas a

dirigir.

O Projeto de Escola é, por isso, um documento que sustenta a mudança, defende

a autonomia e revela a identidade de cada Escola, conferindo coerência à ação de todos

os intervenientes. Estabelece objetivos concordantes com os objetivos a nível nacional,

sendo que as ações que ele prevê têm de ser relevantes. Os meios e recursos usados

terão de ser eficazes e os novos procedimentos adotados terão de ser eficientes.

Fontoura (2006, p. 67) cita Macedo para indicar que o PEE “traduz a política

educativa, distinta e original de cada comunidade educativa, construído na gestão de

tensões positivas entre princípios e normas nacionais e princípios, objetivos,

necessidades, recursos e modos de funcionamento.”

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