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2.4. Educação ambiental

2.4.2. Conceito e importância da educação ambiental

A definição de educação ambiental adotada pelo Brasil e pela maioria dos países membros da ONU foi estabelecida na Rio-92 – Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nos documentos brasileiros, a educação ambiental é definida, segundo Dias, como:

A Educação Ambiental se caracteriza por incorporar as dimensões socioeconômica, política, cultural e histórica, não podendo se basear em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo considerar as condições e estágio de cada país, região e comunidade, sob uma perspectiva histórica. Assim sendo, a Educação Ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a interdependência entre os diversos elementos que conformam o ambiente, com vista a utilizar racionalmente os recursos no presente e no futuro (1994, p.IX).

A educação ambiental envolve diversas questões, as quais estão relacionadas à economia, política, cultura, social e histórica. Ao tratarmos um problema ambiental, todas estas dimensões são envolvidas por meio de ações coletivas globalizadas.

De acordo com Marcatto (2002), a educação ambiental objetiva atingir o público em geral, em que todos tenham a oportunidade de acesso às informações que lhes permitam serem atuantes na busca de soluções para os atuais problemas ambientais.

Quando o público é atuante na compreensão e na busca de alternativas que mitiguem os problemas ambientais, estão sendo responsáveis com a busca da melhoria da qualidade de vida, e assim, automaticamente estarão incorporando suas práticas conscientes no dia a dia.

Segundo Dias (1994) a educação ambiental tem por finalidade

- promover a compreensão da existência e a importância da interdependência econômica, social, política e ecológica entre as zonas urbanas e rurais;

- proporcionar a todos a possibilidade de adquirir conhecimentos, o sentido dos valores, as atitudes, o interesse ativo e as atitudes necessárias para proteger e melhorar o meio ambiente;

- induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos grupos sociais e na sociedade em seu conjunto a respeito do meio ambiente (p.XI).

Estas finalidades da educação ambiental buscam um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para que a população possa ter uma boa qualidade de vida. As ações ambientais de educação são de responsabilidade individual e coletiva do ser humano.

A educação ambiental possui objetivos que oferecem conhecimentos, esses que promoverão nos cidadãos competências e habilidades importantes para a atuação responsável e comprometida frente às causas ambientais. Dias (1999) cita as categorias de objetivos da educação ambiental como:

- Consciência: ajudar os indivíduos e grupos sociais a sensibilizarem-se e a adquirirem consciência do meio ambiente global e suas questões;

- Conhecimento: a adquirirem diversidade de experiências e compreensão fundamental sobre o meio ambiente e seus problemas;

- Comportamento: a comprometerem-se com uma série de valores, e a sentirem interesse pelo meio ambiente, e participarem da proteção e melhoria do meio ambiente;

- Participação: proporcionar a possibilidade de participarem ativamente das tarefas que têm por objetivo resolver os problemas ambientais (p.28).

Estes objetivos deverão estar de acordo com as realidades econômicas, sociais, políticas e culturais de uma determinada região.

O aumento da consciência ecológica implica uma ressignificação dos valores culturais com vistas à instauração de uma nova ética na relação estabelecida entre a Sociedade e a Natureza, propiciada pela disseminação progressiva dessa consciência ecológica pelo tecido social, inserida na lógica da normatividade das novas regras de convívio social atravessadas pelo constrangimento ambiental da crise ecológica contemporânea (LAYRARGUES, 2002, p.6).

A educação ambiental possui justificativas, objetivos e princípios que procuram reforçar a importância da mesma, de maneira correta, visando o meio ambiente como indispensável para a sobrevivência no Planeta e procura mostrar que existem mecanismos menos prejudiciais de interação do homem-natureza. Porém, não podemos acreditar que somente a educação ambiental

será responsável por evitar a degradação do meio ambiente, é preciso que as competências e habilidades adquiridas por meio dessas, sejam colocadas em prática.

Schneider e Sayão (2009) afirmam que quando um simples papel de bala é jogado na rua, uma árvore é cortada sem controle, uma flor é arrancada de uma praça, um pássaro é aprisionado em uma gaiola, o resíduo é destinado em qualquer lugar, reflete na pequena escala o paradigma que sustenta o desrespeito à vida, e a falta de ética. Não importa se é apenas um pequeno papel jogado em via pública ou uma grande quantidade de resíduo depositado diretamente no ambiente, as duas ações mostram impactos, com dimensões diferentes. Por isso, a conscientização e a mudança de hábitos da sociedade são essenciais para que ocorra a preservação dos recursos ambientais, e consequentemente, a proteção do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida da população.

É necessário rever nossos hábitos e costumes e orientá-los pelo atendimento adequado das necessidades filogenéticas, pois são essas que podem nos informar a direção que temos que seguir na construção da sociedade sustentável. Não basta saber que o ar, a água, o alimento saudável merecem nossa atenção. É necessário pesquisar e descobrir qual é o ar, a água e o alimento mais adequado ao ser humano. Os limites devem surgir das descobertas feitas por essa pesquisa, empreendida pelos indivíduos e pela ciência. A qualidade de vida depende do meio ambiente adequado às necessidades do ser humano; depende da possibilidade de participação e influência nos rumos que a sociedade tomam (TIEPPO, 2011, p.78).

É necessário que ocorra uma motivação contínua voltada para as práticas ambientais, em que, a conscientização e a modificação de hábitos estejam envolvidas nas atitudes que competem ao meio. Assim, compreendendo as inter-relações entre os seres humanos e a natureza.

De acordo com Medina e Santos (1999), a educação ambiental permitirá uma nova interação, essa que, determinará o tipo de sujeito que queremos formar e os episódios futuros que desejamos construir para a humanidade, em função de um desenvolvimento de uma racionalidade ambiental nova. É imprescindível a formação de sujeitos que atuem frente aos desafios do desenvolvimento dominante, a partir da construção de uma nova prática harmônica entre a sociedade e a natureza, para que possam superar a racionalidade instrumental e economicista, que foram o princípio das crises sociais e ambientais, que nos preocupam até hoje.

Por meio dessa dimensão transformadora, que é a educação ambiental, novos valores contribuem para o processo da melhoria das condições de vida, na qual, os cidadãos atuam ativamente para a eficácia da utilização harmônica dos recursos naturais, de modo que a sociedade e a natureza permanecem em equilíbrio.