CAPITULO III CICLO COMPLETO DE POLICIA 3.1 CICLO DE POLICIA
3.2 CONCEITO E NATUREZA DO INQUÉRITO POLICIAL
O inquérito policial é um procedimento administrativo, formulado pela Polícia Judiciária, visando a dar subsídios, alcançados através da investigação preliminar, à futura ação penal que será proposta pelo Ministério Público e à vítima, ou até mesmo o arquivamento do feito, se acaso não existam elementos que sustentem a referida ação. (GRECO FILHO, 2010).
Trata-se o inquérito policial de procedimento, que, segundo Greco Filho (2010):
Não encerra um juízo de formação de culpa ou de pronúncia, como existe em certos países que adotam, em substituição ao inquérito, uma fase investigatória chamada de juizado de instrução, presidida por um juiz que conclui sua atividade com veredicto de possibilidade, ou não, de ação penal.
É o modelo adotado pelo Direito brasileiro, que atribui à polícia a tarefa de investigar e averiguar os fatos constantes na notícia-crime. Essa atribuição é normativa e a autoridade policial atua como verdadeiro titular da investigação preliminar. No modelo agora analisado, a polícia não é mero auxiliar, senão o titular, com autonomia par decidir sobre as formas e os meios empregados na investigação e, inclusive, não se pode afirmar que exista uma subordinação e relação aos juízes e promotores. (LOPES JR., 2008, p 220).
A palavra ―inquérito‖ vem do velho Direito Romano com o nomen júris de ―inquisitio‖, ou seja, trabalhos investigatórios para apuração das circunstâncias do crime e da localização/identificação do transgressor. É um instrumento através do qual o Estado, inicialmente, busca a apuração das infrações penais (GRECO FILHO, 2010).
Como já se viu a investigação preliminar é o exercício desempenhado por alguns órgãos estatais, os quais definidos em lei têm por atividade, após a notícia-crime, a busca de elementos probatórios visando à definição de materialidade e autoria delituosas.
Art. 144 da CRFB/88: ‖a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: Policia Federal, Policia Rodoviária Federal, Policia Ferroviária Federal, Policias Civis, Policias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.
Discorrendo somente sobre Policia Civil, que é a Polícia Judiciária, que mesmo vinculada ao Poder Executivo, vai num primeiro momento dar impulsividade de à persecução
penal, agindo, como referido por Lopes Jr. (2008) com autonomia, escolhendo quais as formas e linhas de investigação e não se submetendo hierarquicamente ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Sua função é auxiliá-los em suas atividades, e cumprindo as requisições que lhe são encaminhadas. Sabe-se que essa atividade investigativa geralmente se opera através do Inquérito Policial.
De maneira mais detalhada, Greco filho (2010) conceituou o inquérito policial como procedimento cautelar, de natureza administrativa, quanto à forma, e judiciária, quanto à finalidade, por meio do qual se ultima investigação acerca da materialidade e autoria de fato supostamente criminoso.
Inquérito é o ato ou efeito de inquirir, isto é, procurar informações sobre algo, colher informações acerca de um fato, perquirir. O CPP de 1941 denomina a investigação preliminar de inquérito policial em clara alusão ao órgão encarregado da atividade. O inquérito policial é realizado pela polícia judiciária, que será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria (art 4º) [...] Trata-se de um modelo de investigação preliminar policial, de modo que a polícia judiciária leve a cabo o inquérito policial com autonomia e controle. Contudo, depende da intervenção judicial para a adoção de medidas restritivas de direitos fundamentais. (LOPES JR., 2008, p. 239-241, grifo do autor).
Inexiste no CPP a definição legal de inquérito policial, mas, ao exame dos arts. 4º e 6º deste diploma legal, podemos conceituá-lo conforme Mirabete (2003): a atividade desenvolvida pela Polícia Judicial com a finalidade de averiguar o delito e sua autoria.
Nas palavras de Mirabete (2003, p. 76, grifo do autor):
Inquérito policial é todo procedimento policial destinado a reunir os elementos necessários à apuração de uma infração penal e de sua autoria. Trata-se de uma instrução provisória, preparatória, informativa, em que se colhem elementos por vezes difíceis de obter na instrução judiciária, como auto de flagrante, exames periciais etc. Como se vê, a persecução penal iniciada com base numa investigação preliminar, exteriorizada via Inquérito Policial, tem determinada importância, pois através dele, isso após serem colhidas às provas pertinentes, pode se dar subsídio a uma futura ação penal pelo Ministério Público.
O Inquérito Policial não visa a punição, mas tão-somente esclarecer a ocorrência delituosa e apontar o respectivo autor, bem como seus atos não obedecem a um rito
preestabelecido. O Código de Processo Penal dita determinada normas para se elaborar (proceder, formalizar, realizar) o Inquérito Policial (arts. 4º ao 23). A ausência de contraditório regular e o poder discricionário exercido pelo delegado de polícia descaracterizam-no como processo. Tratando-se, portanto, de um instrumento híbrido regido por normas de natureza procedimental, penal e administrativa. Com isso, o Inquérito Policial não é processo, mas simplesmente um procedimento administrativo apuratório. É considerado um procedimento formal, pois devem ser observadas algumas regras na realização de cada ato e existe uma ordem para início (portaria ou auto de prisão em flagrante da Autoridade Policial, requisição do juiz ou do Ministério Público, ou requerimento do ofendido ou de seu representante legal), desenvolvendo-se com as demais diligências que se fizerem necessárias e encerrando-se com um relatório final (TOURINHO FILHO, 2003).
Neste sentido, observa Greco Filho (2010, p. 77), que ―o inquérito Policial é uma peça escrita, preparatória da ação penal, de natureza inquisitiva‖. O Inquérito desenvolvido em sede de Polícia Judiciária, conhecida como Polícia Civil Estadual e Polícia Federal, constitui-se de uma série de atos que vão dar sustentabilidade a um a ação penal, ou seja, numa futura denúncia promovida pelo Ministério Público. O inquérito policial nada mais é do que um procedimento informativo, revestido de sigilosidade e inquisitoriedade, no qual, obedecida a forma escrita, tem lugar a primeira fase da persecução penal – a persecutio criminis – que implica na apuração da infração penal e da sua autoria, sem prejuízo da colheita de outras provas que guardem relação com o fato. (MUCCIO, 2000, p. 168).
A investigação procedida pela autoridade policial não se confunde com a instrução criminal, distinguindo a Lei, o Inquérito Policial da instrução criminal. Por este motivo não se aplicam ao Inquérito os princípios processuais penais nem mesmo o contraditório, até mesmo pela aplicação sistemática da lei. Partindo dessa linha, de que o Inquérito Policial é a primeira fase da persecução criminal, deduz-se que esta não deve parar por aí. Logo, pode-se concluir que, após o Inquérito Policial, continua a atividade estatal para responsabilizar o suposto autor do fato ilícito e imputar-lhe a pena, se for o caso. Neste momento, entra em conflito o jus
libertatis do indivíduo e o jus puniendi estatal. Formada então a lide, cabendo ao Estado Juiz
a solução através da prestação jurisdicional movimentada pela ação penal, segunda fase persecutória, onde se confere ao acusado as garantias do contraditório, da ampla defesa, do in dúbio pro réu, do favor rei/libertatis, do duplo grau de jurisdição etc. (GRECO FILHO, 2010).
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2 Tradução jurídica: Neste momento, entra em conflito o direito a liberdade do indivíduo e o direito de punir do estado. Formada então a lide, cabendo ao Estado Juiz a solução através da prestação jurisdicional movimentada pela ação penal, segunda fase persecutória, onde se confere ao acusado as garantias do contraditório, da ampla defesa, do duplo grau de jurisdição, na duvida sempre prevalece o interesse do acusado.