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7.1. ESTADO DA ARTE/TÉCNICA

O perfil de caixilharia em madeira tem evoluído ao longo dos últimos 30 anos de forma a ter objetivos

firmes e primordiais de melhorar cada vez mais o isolamento às intempéries, acústico e térmico de

uma habitação. Contudo os objetivos não se ficam só por aí. Existem também vários componentes

que fazem parte de uma janela que tem evoluído e que proporcionam mais conforto ditando novas

tendências no mercado. Podemos falar do acabamento da janela (verniz ou pintura) que aumentam

significativamente a sua longevidade ao tempo e aos raios UV; as madeiras utilizadas tem vindo

cada vez mais a adotar o sistema lamelado (Jerónimo, 2009), constituído por 3 lamelas coladas em

sentidos opostos do veio, evitando a torção do perfil e uma resistência mecânica ainda maior; a

ferragem tem inovado constantemente sendo possível aplicar vários tipos de sistemas de abertura

havendo mais opções de escolha para cada projeto; o vidro sendo duplo ou triplo pode garantir uma

grande eficiência térmica e acústica, bons níveis de transmissão luminosa obtendo ganhos

energéticos significativos (Viegas, Couto, & Gonçalves, 2011); a dobradiça oculta que será um

grande ganho visual na vista interior da janela; os puxadores de manete que tem vindo a ser mais

confortáveis no seu manuseio e interação com o utilizador, obtendo mais opções de escolha e mais

garantias de durabilidade.

Em Portugal, a reabilitação urbana que se encontra em crescimento (R. Costa, 2014) acaba por ser

uma boa oportunidade de implementação do segmento da caixilharia em madeira feita por medida

em prol dos outros materiais artificiais, representando assim no setor das portas e janelas uma fatia

de mercado cada vez maior.

Atualmente não se tem assistido a uma grande evolução, comparativamente às últimas duas

décadas. As caixilharias em madeira bem produzidas cumprem os requisitos mínimos de

isolamento, sendo que os perfis utilizados são os mesmos e as suas componentes estagnaram na

evolução, salvo algumas exceções como é o caso da indústria vidraceira das marcas “Saint-Gobain

Glass” ou a “Guardian Glass”. Hoje em dia, o setor da caixilharia como nicho de mercado que é,

representando um mercado ínfimo, não tem estudado o processo de design de forma constante,

resultado de haver setores bem mais influentes e de consumo pertinaz.

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7.2. REABILITAÇÃO URBANA

A reabilitação, quando aplicada à construção civil, refere-se às intervenções necessárias num

edifício ou propriedade (Rebelo, 2012), implicando extensas obras de beneficiação, visando

aumentar a vida útil do imóvel e o seu valor económico, melhorar a qualidade de vida dos habitantes

e implementar boas medidas de eficiência energética. Pode envolver a execução de instalações e

sistemas de serviços, acessos, iluminação natural, equipamento e acabamentos aproveitando

apenas partes do edifício antigo, preservando, ao mesmo tempo, as partes ou características que

transmitem os seus valores histórico, cultural e arquitetónico. (“Reabilitação urbana - Futureng,”

2016)

Segundo um artigo do jornal Expresso (Expresso Semanário Economia, 2016), atualmente em

Portugal, a reabilitação urbana movimenta altos valores monetários, sendo uma das principais

fontes de rendimento no setor da construção. Várias empresas que há uns anos dedicavam-se

apenas à nova construção, com a falta de trabalho no ramo começaram a valorizar o património

edificado. Desta forma iniciaram-se novos programas de reabilitação do património com a aquisição

de imóveis “mortos” por valores maioritariamente baixos por parte dos investidores. Um negócio que

se tem vindo a tornar mais rentável a cada ano que passa com instrumentos de financiamento cada

vez mais apetecíveis para os proprietários dos imóveis.

Com os olhos cada vez mais focados na reabilitação, tenho-me deparado que apesar de todo este

motor estar a funcionar de forma profusa, existem várias lacunas que se podem dizer que tem vindo

a “matar” o que de bom havia nos nossos antepassados. Ao observarmos as ruas, principalmente,

das cidades do Porto e Lisboa, não é preciso “vasculhar” muito para ver que várias fachadas antigas

desapareceram dando lugar a edifícios novos “quadrados” (fig. 45), formatados e completamente

descaracterizados da alma tradicional verídica de outrora. Também podemos visualizar que

algumas seguem o contexto pretendido na manutenção e preservação das fachadas arcaicas, mas

estas sofrem e muito com a caixilharia que lhes é aplicada muito dissimulada da realidade de outros

tempos.

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Figura 45 - Exemplo de incoerência no traçado arquitetónico: Praça da República, Porto

Contudo, nem todos os edifícios reabilitados são um mau exemplo, existem edifícios que são

realmente bem tratados. A fachada existente (fig. 46) é convenientemente aproveitada sendo a

caixilharia produzida com um visual idêntico ao existente no projeto de raiz, considerando as

instruções das entidades dedicadas à reabilitação urbana das cidades. Aquilo que está nitidamente

em bom estado é sempre reaproveitado de forma a manter um estímulo de antiguidade com o

conforto passível aos dias de hoje em que as caixilharias são produzidas e aproveitam-se as

molduras e travessas de bandeira sendo posteriormente adaptadas à nova janela com a soleira de

aumento pré-fabricada e pintada à cor original, tendo assim uma habitação que “transpira” os

passados anos mais distantes.

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Figura 46 - Exemplo boa preservação do traçado arquitetónico: Praça do Marquês, Porto

7.3. JANELA TÍPICA TRADICIONAL

A janela quando bem desenvolvida (normalmente acontece apenas com carpintarias experientes) e

aplicada na reabilitação, tem mais probabilidades de ser bem-sucedida no alçado de um edifício.

Neste campo todos os pormenores são importantes e existe uma lista de requisitos que devem ser

cumpridos, tais como:

• larguras das padieiras e umbreiras a todo o perímetro;

• profundidade existente no vão quando conjugado com moldura;

• aplicação de soleira de aumento coincidente ao vão pré-existente;

• conjugação de batente central com duas folhas;

• sobreposição da travessa de bandeira trabalhada como meio de distinção entre as folhas e

a bandeira (elemento estético que caracteriza o edifício);

• moldura trabalhada a todo o perímetro do vão;

• folhas e bandeira alinhadas pelo vidro;

• pintura e acabamento do vão coincidente com a fachada do alçado.

Ainda que numa obra de reabilitação bem-sucedida existam pormenores importantes que realçam

o estatuto do edifício, principalmente na conservação do traçado da caixilharia (fig. 47), estas quase

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nunca são seguidas/mantidas na totalidade das exigências acima referidas. O objetivo neste projeto

será de criar uma caixilharia que seja capaz de os respeitar sem grande esforço e oposição do

traçado da mesma.

Figura 47 - Bom exemplo de manutenção do traçado, mas sem os níveis de eficiência energética desejados: Rua de Álvares Cabral – Porto (Ordem dos Arquitetos secção norte)

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