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Conceito de Governança Local é o locus onde se pode melhor entender os

6. NEGOCIAÇÃO SOCIAL CONSTITUI A BASE PRIVILEGIADA DE

6.1. Conceito de Governança Local é o locus onde se pode melhor entender os

A globalização emergente no final do século passado transforma radicalmente o campo político e econômico, em âmbito nacional e internacional, ao suscitar um novo conjunto de políticas neoliberais que impuseram novos processos às formas de cooperação entre o Estado, os agentes econômicos privados, as organizações internacionais e as organizações não governamentais. A ação de tais políticas gerou a inevitável ingovernabilidade e, ato contínuo, provocou o aparecimento de um novo conceito para lidar com os processos impostos por essas políticas recentes a governança.

O conceito de governança, além de permitir estabelecer novas formas de cooperação global entre os atores acima mencionados, constitui a moldura necessária dentro da qual os direitos humanos e de povos “podem ser defendidos e preservados” (Altvater, 1999, p.114-115, apud Gohn, 2001, p.37).

A noção de governança não destaca apenas a centralidade dos órgãos e aparatos estatais, exigida de conformidade com os marcos referenciais de um novo paradigma da ação pública estatal, entretanto, surgido no novo contexto de relação governo-sociedade. Mas, esta relação em si também deve ser uma componente incorporada pela governança, pois, este conceito alterou o padrão da gestão de bens públicos com a introdução em cena de novos atores da esfera pública não-estatal, forçando a construção de uma coalizão com os tradicionais atores da esfera pública estatal:

“a noção de governança sugere que a capacidade de governar não está unicamente ligada ao aparato institucional formal, mas supõe a construção de coalizões entre atores sociais, construídas em função de diversos fatores, tais como a interação entre as diversas categorias de

atores, as orientações ideológicas e os recursos disponíveis” ( Hamel, 1999, apud Santos Júnior, 2001, p. 61, apud Gohn, 2001, p.38).

Um dos espaços onde se constroem as tais “coalizões entre atores sociais” são os Conselhos Gestores. Trata-se de um espaço social e político destinado à gestão de políticas públicas. O caráter de sua constituição eclética, efetivada a partir da incorporação do espaço público não estatal, o predispõe a sérios confrontos e tensões no seu seio. As razões, Gohn (2001, p.39) aponta, nestes termos:

“ (...) a incorporação dos novos atores tem ocorrido em cenários de tensão e conflito. Por um lado, os espaços construídos pelo público não-estatal são conquistas de setores organizados; por outro, são também parte de estratégias de recomposição de poder de grupos políticos e econômicos em luta pela hegemonia de poder. Enquanto os primeiros buscam democratizar os espaços conquistados, por meio de lutas pelo acesso às informções e por igualdade nas condições de participação, priorizando sempre na cidadania a questão dos direitos, os últimos lutam por atribuir aos novos atores um perfil de cidadãos/consumidores, destacando apenas suas obrigações, ressignificando a cidadania pelo lado dos deveres. Essa tensão é mais perceptível em âmbito local, onde os atores sociais se relacionam mais diretamente e onde reconfigurar as formas e culturas políticas tradicionais, carregadas de estruturas clientelísticas e patrimonialistas, é uma tarefa bem mais difícil”.

De forma geral, está fortemente ligada ao conceito de governança a noção de eficiência e de eficácia da administração dos impactos das políticas de ajuste estrutural para minorar os seus efeitos em relação ao aumento da pobreza, por exemplo. Nesse caso, o desafio maior é o da procura de uma maior

articulação possível do nível de participação com os critérios da eficácia e da busca de resultados imediatos no plano local.

No contexto pós-globalização, a governança torna-se, portanto, um conceito de aplicação imprescindível. A boa governança passa a ser a exigência principal do “teste da democracia” exigido aos países que procuram recursos internacionais para financiar o seu desenvolvimento econômico, social, político e cultural. Entre outros, os países tomadores de recursos devem fornecer prova bastante de ter atingido índices razoáveis de respeito aos direitos humanos, padrões ecológicos mínimos e transparência democrática elementos de expressão de uma boa governança.

Desviando, porém, a atenção para a questão estritamente ligada ao governo local, o conceito de governança local é o que se reveste da maior importância. Ele permite melhor entender os Conselhos Gestores. Trata-se de um conceito em formação e é bastante híbrido. Busca, sobretudo, articular elementos do governo local com os do poder local, caracterizando-se, desta feita, como um “sistema de governo” em que é fundamental a inclusão de novos atores sociais, por meio do envolvimento de um conjunto de organizações públicas e privadas (ONGs, movimentos sociais, entidades privadas e órgãos públicos estatais).

A governança local se caracteriza, portanto, como o universo das parcerias, da gestão compartilhada entre diferentes atores e agentes, tanto da sociedade civil, como da sociedade política (Gohn, 2001). É a caracterização perfeita do locus onde os Conselhos Gestores irão desenvolver sua atividade, a partir de articulações que envolvem participações, diálogos, confrontações e decisões, num ambiente (preferível) de uma genuína “democracia participativa” e de um perfeito sentido de “solidariedade ou colaboração solidária”.

A colaboração solidária, dentro do contexto de mudanças radicais provocadas na sociedade pela “revolução social” da democracia liberal, se

transforma, em absoluto, no apanágio “natural” da democracia, sobretudo em âmbito local. Mance (2001, p.19) se refere a este princípio como “uma atitude ética que orienta a nossa vida e uma posição política frente à sociedade em que estamos inseridos”. Ele destaca duas componentes de presença imprescindível na rede de relações obrigada a constituírem-se na sociedade pós-globalização como escudo contra os efeitos sociais perversos do liberalismo econômico: ética, por tratar-se aquele conceito de uma fonte de promoção do “bem-viver de cada um em particular e de todos em conjunto” e posicionamento político, como elemento impulsionador “de transformações na sociedade” imprescindíveis para a concretização do fim legitimado pelo crivo ético.

6.2. Resgate das formas históricas dos Conselhos. Conselhos no Brasil do

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