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crucial importância para a concretização do que se entende por direitos da personalidade atualmente. Lamentavelmente o processo de positivação jurídicas dos direitos da personalidade tal como se conhece hoje se intensificou somente após a sucessão das mazelas cometidas pela humanidade durante a última guerra de escala global, positivação esta que passou a reconhecer os direitos da personalidade como pressuposto necessário para o desenvolvimento da dignidade do ser humano.

A terminologia “direitos da personalidade” é a predominantemente empregada, contudo constam denominações diversas na doutrina em razão da discussão acerca da natureza destes direitos. A denominação prevalente foi cunhada por Gierke, entretanto há quem se utilize de expressões diferentes como Windscheid tratando os direitos em análise como “direitos sobre a própria pessoa”, Koehler os chama de “direitos individuais”, Rotondi de “direitos personalíssimos” e De Cupis de “direitos fundamentais da pessoa” (SZANIAWSKI, 2005, p. 71). Deve ser levado em conta que as expressões apresentadas não representam a totalidade de opções apresentadas, pois existem outros termos que podem ser encontradas pela doutrina.

Convém mencionar também a distinção entre os direitos da personalidade e o direito geral da personalidade, devendo este ser tratado como um direito-fonte, por onde se desdobram outros direitos como os da personalidade (MATTIA, 1978 apud GODOY, 2001, p. 27).

Segundo os ensinamentos de SOUSA (1995, p. 93) o direito geral da personalidade pode ser compreendido como o:

(...) direito de cada homem ao respeito e à promoção da globalidade dos elementos, potencialidades e expressões da sua personalidade humana bem como da unidade psico-físico-sócio ambiental dessa mesma personalidade humana.

O direito geral da personalidade em seu princípio firmou-se por meio do Código Civil suíço, promulgado em 1.907, em sentido oposto ao da codificação civil germânica executada no ano 1.900 que extinguiu o direito geral da personalidade ao tutelar a personalidade por meio de algumas tipificações. O artigo 28 do Código Civil helvécio tutelava o direito geral da personalidade por meio de três medidas judiciais distintas: a pretensão da cessação da perturbação, pretensão de reparação por perdas e danos e por final a pretensão de reparação por danos morais (SZANIAWSKI, 2005, p. 93/94).

Os fundamentos do direito geral da personalidade têm por base uma ordem jurídica supranacional e uma ordem jurídica nacional. A Declaração Universal

dos Direitos do Homem e o Pacto de São José da Costa Rica são exemplos de documentos internacionais que contribuíram para a formação do direito geral da personalidade. No âmbito nacional a Constituição Federal apresenta-se como a fonte responsável da tutela do direito geral da personalidade ao elencar por meio do artigo 1º em seus incisos II e III a dignidade da pessoa humana e a cidadania como princípios fundamentais da nação, além de em seu artigo 5º, § 2º, introduzir os direitos e garantias fundamentais oriundos dos tratados internacionais do qual o Brasil é signatário (SZANIAWSKI, 2005, p. 117/120).

Em consonância com o raciocínio que conclui ter a Constituição brasileira introduzido o direito geral da personalidade no ordenamento jurídico nacional, Godoy (2001, p. 28/30) indica que a Constituição Federal em seu artigo 1º elevou a dignidade da pessoa humana ao nível de fundamento do Estado Democrático de Direito. E em virtude da presença da dignidade como princípio constitucional fundamental, embora conste a presença de alguns direitos da personalidade especificamente tutelados pela legislação brasileira, a conclusão extraída a respeito dos fatos é a de que o direito geral da personalidade foi adotado pelo direito brasileiro, afinal todos os elementos decorrentes da personalidade fundamentam-se na dignidade.

Todavia, Szaniaswki (2005, p. 136) demonstra pesar pelo fato da carta constitucional brasileira não ter introduzido o direito geral da personalidade de forma expressa. O autor realiza uma breve comparação com o direito alemão e italiano apontando que os respectivos ordenamentos jurídicos introduzem por meio de suas Constituições de modo explícito o direito geral da personalidade, ato este que elimina qualquer margem de dúvida na doutrina e jurisprudência sobre a existência ou não do mencionado direito.

Deve ser compreendido que a finalidade do direito geral da personalidade é o de trazer uma cláusula geral que tutele juridicamente a personalidade humana. Por meio desta cláusula geral permite-se que nos sistemas jurisprudenciais que não contenham um caráter excessivamente positivista uma maior flexibilidade para o julgamento em situações originais e complexas. Por este meio poderão ser amparados os bens que não forem especificamente tutelados (SOUSA, 1995, p. 93).

Sobre a natureza jurídica dos direitos da personalidade, a discussão respeito já foi tema de grande repercussão no passado. Duas grandes questões foram amplamente discutidas pelos mais renomados juristas, primeiramente debatia-se debatia-se os direitos da personalidade estavam ou não contidos na categoria dos direitos subjetivos, já a segunda questão dizia respeito sobre a natureza dos direitos em análise propriamente ditos. Atualmente a divergência encontra-se de certo modo superada, pois predomina o entendimento jurídico da existência da categoria dos direitos da personalidade, além da inclusão destes direitos na categoria dos direitos subjetivos (SZANIAWSKI, 2005, p. 71/72).

Classificando mais especificadamente os direitos personalidade, Diniz (2011, p. 135) afirma serem estes direitos subjetivos excludendi alios, visto que tratam-se de um direito do titular do direito de exigir uma conduta negativa da coletividade.

Examinadas as conceituações relativas aos direitos da personalidade, ainda que estas não sejam idênticas, pode-se extrair pelos conceitos apresentados que há em comum a compreensão dos direitos da personalidade como um privilégio pertencente ao ser humano que tem por fim a asseguração de sua dignidade.

A adoção do direito geral da personalidade pela Constituição Federal é incontestavelmente positiva, pois assim a tutela aos direitos da personalidade não depende de expressa positivação legal, cabendo ao magistrado verificar no caso concreto com o auxílio da doutrina e jurisprudência o reconhecimento da existência ou não desses direitos não contidos expressamente pelo ordenamento jurídico.