• Nenhum resultado encontrado

O Conceito mais Amplo de APL da RedeSist e a Exclusão das demais Aglomerações

No documento Projeto. UFSC Departamento de Economia (páginas 30-39)

De acordo com a RedeSist (2009) os APLs representam basicamente um quadro de referências, a partir do qual podem ser analisados os processos de geração, difusão e uso de conhecimentos e da dinâmica produtiva e inovativa de uma região. Para tanto se entende a produção e a inovação como processos de aprendizagem sistêmicos, que resultam da articulação de distintos atores e competências. A partir desta concepção, a abrangência setorial não se limita à atividade manufatureira ou de software, mas sim ao conjunto da estrutura produtiva considerando os serviços em sua complexidade, a agropecuária, com suas relações a jusante com a indústria agro-alimentar, energética e fibras, além dos setores mais tradicionais referentes à indústria de transformação. Tendo em vista o grande peso do setor primário, articulado a sólida indústria baseada em recursos naturais, e de um setor terciário bastante diversificado e complexo, é preciso considerar também que outras aglomerações não podem ser captadas pelas estatísticas formais da RAIS e dados fiscais, conforme já se afirmou anteriormente. Formalmente, como apontado no relatório 2, o conjunto de APLs selecionados representavam em 2006 cerca de 9% do VA da indústria de transformação paranaense e menos de 2% da economia do estado (ver capítulo 3). O

aglomerações (APLs) relevantes no próprio setor manufatureiro e de software do estado. Estes APLs se encontravam naquele momento (dados de 2003) em estagio não tão avançado como os identificados e apoiados. No entanto estavam mais bem distribuídos do que os 22 apoiados em termos espaciais no Estado, como a Figura 2 abaixo demonstra.

Figura 2 - APLs Identificados e não Apoiados

Pode-se notar que em apenas 6 microrregiões do estado de um total de 39 não se identificaram APLs dentro do setor manufatureiro e software. Em termos setoriais de acordo com as classificações internacionais (OECD) existe uma clara preponderância de indústrias intensivas em recursos naturais e de baixo conteúdo tecnológico. No entanto na mediada em que estes APLs não foram apoiados explicitamente através das políticas públicas, o avanço dos mesmos passou a depender quase que exclusivamente dos próprios atores locais e de alguma ação individual da FIEP, do SEBRAE ou de uma secretaria de Estado através de uma ação isolada.

RedeSist. Desta forma é preciso considerar também a dinâmica da economia do estado como um todo e principalmente os nexos entre o setor industrial e os demais setores da economia. A Tabela 1 a seguir mostra as transformações da estrutura produtiva paranaense nas últimas duas décadas, entre as quais se destaca o crescimento do setor terciário no período. Este setor ganhou espaço em relação à agropecuária, entre 1985 e 2004, com as atividades educacionais, imobiliárias e de comunicações ganhando espaço enquanto a intermediação financeira perdeu participação. Além disso, o turismo como o de Foz do Iguaçu ganhou contornos aglomerativos sendo considerado, como afirmado acima, como um APL segundo avaliação de algumas instituições do estado pleiteando inclusive ações de políticas públicas específicas.

Tabela 1 - Participação das Atividades Econômicas no Valor Adicionado Bruto do Paraná a Preços Básicos – 1985-2004

Participação das Atividades Econômicas no Valor Adicionado Bruto do Paraná a Preço Básico - 1985 - 2004

PARANÁ

Anos

1985 1990 1995 2000 2004

Total 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00

Agropecuária 23,88 11,90 9,16 13,66 18,39

Indústria extrativa mineral 0,10 0,04 0,03 0,02 0,02

Indústria de transformação 27,18 31,97 22,78 23,91 27,11

Eletricidade, gás e água 2,02 4,85 4,83 6,07 4,85

Construção 6,17 8,83 13,49 11,26 7,99

Comércio e reparação de veículos e de objetos pessoais 8,87 7,69 8,52 7,32 8,09

Alojamento e alimentação 1,40 2,23 2,85 1,21 0,99

Transportes e armazenagem 3,59 2,67 2,29 2,07 2,25

Comunicações 0,75 0,98 1,60 1,90 1,94

Intermediação financeira 12,76 9,12 5,56 4,61 5,74

Atividades imobiliárias, aluguéis e serviços prestados às 4,22 7,80 13,07 13,45 8,53

Administração pública, defesa e seguridade social 6,21 8,77 11,44 10,39 10,17

Saúde e educação mercantis 1,68 2,08 3,14 2,80 2,41

Outros serviços coletivos, sociais e pessoais 0,67 0,80 0,79 0,83 1,04

Serviços domésticos 0,51 0,28 0,45 0,49 0,47

Fonte: Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais.

Paraná

Uma das principais características do processo de transformação ocorrida no Paraná no período foi a relativa manutenção da importância da indústria de transformação na estrutura produtiva do estado, como demonstrado na Tabela 1 acima. No entanto, esta

estabilidade foi sustentada pela participação das diversas indústrias no PIB estadual através de um avanço mais rápido de determinadas cadeias produtivas que se adensaram em detrimento de outros. Dentro do setor manufatureiro uma empresa âncora como VW ou Renault criam em torno de si um verdadeiro aglomerado de firmas fornecedoras que poderiam ser alvo de políticas públicas na mesma direção dos APLs selecionados, mas que, no entanto não foram identificadas nem entre os 22 (identificados e apoiados) ou mesmo entre os 114 (identificados).

Por sua vez, se é verdade que agropecuária perde participação no período, como visto na Tabela 1, acima, o mesmo não pode ser dito das cadeias agroindústrias, cujo adensamento está no centro do processo de transformação da economia paranaense. De um lado, a expansão ocorreu a montante através da indústria de insumos e equipamentos, como trator, colheitadeiras, fertilizantes defensivos e sementes (e inclusive e serviços de consultoria agropecuária). De outro lado, o adensamento ocorreu a jusante através de uma agroindústria processadora. A Figura 3 abaixo destaca as principais cadeias produtivas do agronegócio paranaense.

Figura 3- Principais Cadeias Produtivas do Agronegócio Paranaense

CADEIA DA SOJA

PRODUÇÃO PRIMÁRIA TRANSFORMAÇÃO

INDUSTRIAL DISTRIBUIÇÃO INSUMOS SERVIÇOS DE APOIO Comércio Varejista de Alimentos e Bebidas Máquinas e Equipamentos Tratores e Colhedeiras Herbicidas e Pesticidas Adubos e Fertilizantes

Serviços Técnicos Especializados Produção de Mudas e Sementes

Produção de Semen e Matrizes

CADEIA DA CARNE

CADEIA DO TRIGO E AMIDOS

CADEIA DO CAFÉ

CADEIA DOS HORTIFRUTIGRANJEIROS

CADEIA SUCROALCOOLEIRA

CADEIA DAS BEBIDAS

CADEIA DO LEITE

CADEIA DA PESCA

CADEIA OUTROS ALIMENTOS

Restaurantes, Lanchonetes e Serv. Alimentação Comércio Atacadista de Alimentos e Bebidas CADEIA DA MANDIOCA CADEIA DA SOJA

PRODUÇÃO PRIMÁRIA TRANSFORMAÇÃO

INDUSTRIAL DISTRIBUIÇÃO INSUMOS SERVIÇOS DE APOIO Comércio Varejista de Alimentos e Bebidas Máquinas e Equipamentos Tratores e Colhedeiras Herbicidas e Pesticidas Adubos e Fertilizantes

Serviços Técnicos Especializados Produção de Mudas e Sementes

Produção de Semen e Matrizes

CADEIA DA CARNE

CADEIA DO TRIGO E AMIDOS

CADEIA DO CAFÉ

CADEIA DOS HORTIFRUTIGRANJEIROS

CADEIA SUCROALCOOLEIRA

CADEIA DAS BEBIDAS

CADEIA DO LEITE

CADEIA DA PESCA

CADEIA OUTROS ALIMENTOS

Restaurantes, Lanchonetes e Serv. Alimentação Comércio Atacadista de Alimentos e Bebidas Comércio Atacadista de Alimentos e Bebidas CADEIA DA MANDIOCA

Apenas como exemplo do crescimento das diversas cadeias produtivas do setor agroalimentar local, cabe notar o caso da cadeia de carnes. Na verdade as três cadeias de proteína animal (aves, bovino e suíno), ao criar seus vínculos com outras duas cadeias (soja e milho) formam o núcleo mais dinâmico do agronegócio paranaense que é o complexo protéico vegetal e animal. A Tabela 2, referente à evolução da cadeia de carnes, mostra a crescente evolução do setor no período 1996-2005.

Tabela 2 - Indicadores da Cadeia Produtiva de Carnes e Pescados do Paraná – 1996, 2000 e 2005

Indicadores da Cadeia Produtiva de Carnes e Pescados do Paraná, 1996, 2000 e 2005

Variável 1996 2000 2005

Número de Empresas 146 172 254

Receita das Vendas (R$ mil) 3.462.386,3 2.609.686,1 3.908.770,0

Valor da Transformação Industrial (R$ mil) 1.225.283,8 1.504.898,9 1.475.670,0

Número de Empregos 17.250 23.890 43.782

Taxa do Valor Adicionado 35,4% 57,7% 37,8%

Produtividade do Trabalho (R$ mil) 71,0 63,0 33,7 Comparação Paraná e Brasil

Participação no VTI (PR/BR) 14% 16% 9%

Produtividade Trabalho Paraná 71,0 63,0 33,7 Produtividade Trabalho Brasil 51,8 43,0 48,2

Relação Produtividade (PR/BR) 137% 146% 70%

Dados Brutos: IBGE - Pesquisa Industrial Anual Elaboração: IBQP

Em pontos específicos destas cadeias produtivas, um vasto número de aglomerados que tem uma importância estratégica para as cadeias produtivas como o aglomerado de máquinas e equipamentos para madeira, ou mesmo dentro do próprio setor agropecuário poderiam ser objeto de políticas publicas mas não foram identificados como tal.

Estudo realizado pelo IPARDES (2007) apresenta de forma clara a modificação da estrutura industrial paranaense entre os anos de 1996 a 2005, período em que a estrutura produtiva paranaense consolida a nova dinâmica urbana industrial. Nesse estudo é desenvolvida uma análise sobre a evolução da participação do valor de transformação

industrial, segundo a intensidade tecnológica que permite identificar o avanço do processo de industrialização presente no estado3 (

Tabela 3).

Tabela 3 - Distribuição Percentual do Valor de Transformação Industrial, Segundo Intensidade Tecnológica - Paraná - 1996-2005

Fonte: IBGE, Elaboração IPARDES (2007)

Analisando a estrutura industrial paranaense, com base no critério da intensidade tecnológica, observa-se que os segmentos econômicos de baixa intensidade tecnológica perderam espaço na participação do Valor de Transformação Industrial (VTI) para os segmentos de média-baixa tecnologia e de média-alta tecnologia. O segmento de alta tecnologia também perdeu espaço, porém em uma proporção menor, dada a sua baixa participação na estrutura industrial paranaense. Contudo, o que chama mais atenção é o crescimento do segmento de média-baixa tecnologia que foi substancialmente puxado pela atividade de refino de petróleo amplamente incentivada pela elevação do preço dessa commodity. No período compreendido pela análise, observa-se que os segmentos industriais classificados como atividades com baixa intensidade tecnológica perderam espaço na

3 A análise aqui considerada segue a taxionomia e metodologia desenvolvida pela OCDE que procura destacar o progresso técnico e sua distribuição ao longo da cadeia industrial, de forma a apresentar a evolução dos segmentos mais dinâmicos e competitivos presentes em uma dada região, no caso, o Estado do Paraná. Para

participação na formação do valor de transformação industrial, passando de 57,4% em 1996 para 41,9% em 2005. Nesse grupo, a atividade econômica que apresentou maior queda foi a de alimentos, bebidas e tabaco, cuja participação em 1996 era de 36% da participação no VTI e que em 2005 se restringiu a 21,2%.

Já os segmentos de média-baixa tecnologia foram os que mais cresceram no período, passando de 13,8% em 1996 para 29,6% em 2005. A atividade econômica que mais contribuiu com essa evolução foi a de carvão, produtos de petróleo refinado e combustível nuclear, com crescimento de 15,8% na participação do VTI ao longo do período.

Para os segmentos de média-alta intensidade tecnológica observa-se uma evolução que passou de 21,4% do VTI em 1996 para 24,1% em 2005, chegando em 2004 ao pico de 28,8%. Nesse grupo, a atividade que apresentou maior evolução foi a de veículos automotores cuja participação passou de 3,4% em 1996 para 9,3% em 2005 no VTI estadual.

O último grupo considerado de alta intensidade tecnológica teve sua participação reduzida no período analisado, passando de 7,6% em 1996 para 4,4% em 2005. A atividade econômica que mais contribuiu para essa queda foi a de equipamento de rádios, TV e telecomunicações cuja participação passou de 6,1% para 2,7% no mesmo período.

No que se refere à distribuição do emprego considerando o recorte por intensidade tecnológica (Tabela 4), observa-se que a maior parte do emprego industrial paranaense está nos segmentos de baixa tecnologia com 66% do total em 2007.

Tabela 4 – Estoque, Distribuição Por Grupo e Subgrupo do Emprego Formal na Indústria de Transformação, Segundo a Intensidade Tecnológica - Paraná - 1995/2007

Fonte: IBGE, Elaboração IPARDES (2007)

Os segmentos de média-baixa e média-alta somados compreendem um total de 31,3% enquanto os segmentos de alta tecnologia somam apenas 2,8% do emprego na indústria de transformação paranaense em 2007.

A participação do emprego formal nos segmentos de baixa intensidade tecnológica no emprego industrial entre 1996 e 2007, diminuiu de 68,9% para 65,9%, enquanto os segmentos de média-baixa e média-alta tecnologia somados tiveram uma elevação de 29% em 1996 para 31,3% em 2007. Nesse mesmo período os segmentos de alta tecnologia elevaram a participação de 2,1 para 2,8%.

Considerando as evoluções presentes nas Tabelas 1 e 2 observa-se que a produtividade do trabalho da economia paranaense apresentou ganhos à medida que as atividades econômicas de maior intensidade tecnológica passaram a ter uma maior participação no emprego formal, demonstrando ganhos de competitividade na indústria paranaense.

O recorte da RAIS ao priorizar o emprego no setor ou na micro região cria um viés para as atividades intensivas em mão de obra em detrimento dos setores mais intensivos em conhecimento.

Outra forma de observar essa transformação da estrutura produtiva do estado pode ser através da análise da evolução das participações nas exportações paranaenses segundo fator agregado para o período de 1980 a 2008 (FIGURA 4) em que a partir de 2000 as exportações de manufaturados suplantaram a de produtos básicos de forma consistente.

Figura 4 – Evolução das Exportações Paranaenses, Segundo Fator Agregado - 1980- 2008 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010

BASICO (%) SEMIMANUFATURADO (%) MANUFATURADO (%)

FONTE: (Shima e outros, no prelo)

Os produtos manufaturados que em 1980 participavam com 10% do valor exportado passaram a ter em 2008 uma participação de 49% do valor exportado. Já os produtos básicos, que no início do período detinham em torno de 76% das exportações, ao final do período reduziram para apenas 38%. Por sua vez os produtos semimanufaturados tanto no início quanto no final do período mantiveram-se em torno de 10%, ainda que em 1995 obtivesse seu pico de participação em torno de 19% do total exportado.

O comportamento das exportações da economia paranaense demonstra de forma inequívoca a mudança na estrutura produtiva do estado, em função do processo de industrialização iniciado nos anos 60. As transformações ocorridas na década de 70, foram seguidas, a partir de meados dos anos 90, por um visível fortalecimento de segmentos de tecnologia complexa como liderados pelo setor automotivo.

3 – Análise das Políticas Para APLs: Foco e Instrumentos da Política 3.1 Introdução

Com um enfoque diferente sugerido pela Nota Técnica, o primeiro objetivo deste capítulo é avaliar as políticas implementadas em diversos APLs apoiados no estado a partir da visão das próprias governanças locais. Para tanto, foram levantadas as seguintes informações junto aos 22 APLs eleitos pelo estado, através de questionário (em anexo):

• As políticas implementadas em cada APL,

• A origem dessas políticas (agentes públicos e/ou privados) • Objetivos das políticas

• A relevância do conceito de APL e a sua aplicabilidade para criar/aumentar/melhorar/intensificar as interações entre os diversos agentes pertencentes ao APL,

• A visão dos APLs sobre as necessidades de intervenção da política pública.

Em segundo lugar, a análise sobre a balança comercial dos APLs é resgatada para mostrar a dinâmica dos fluxos comerciais no interior do estado, com outros estados e exterior. Busca-se verificar em que medida as atividades dos APLs, segundo a classificação da CNAE, integram uma cadeia completa de fornecedores situados no próprio estado. Em outros termos, é importante para o desenvolvimento do estado que a produção do APL ocorra em sua maior parte a partir de fornecedores do estado e alcance mercados mais amplos através de exportação para outros estados e para o exterior.

3.1 Uma Análise das Ações de Políticas Públicas e Privadas Implementadas nos APLs

No documento Projeto. UFSC Departamento de Economia (páginas 30-39)

Documentos relacionados