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Conceito moderno de cultura

No documento COMPETÊNCIA INTERCULTURAL DOS (páginas 33-37)

2.1 Cultura

2.1.2 Conceito moderno de cultura

Algumas definições contemporâneas de cultura, a partir do século XX, serão

abordadas aqui.

Para Morgan (1996, p. 115), é "Padrão de desenvolvimento refletido nos

sistemas sociais de conhecimento, ideologia, valores, leis e rituais quotidianos. A

cultura varia de uma sociedade para outra."

Tanure (2007, p. 17) afirma que "A cultura é definida como valores, crenças e

premissas aprendidas desde a infância que diferenciam um grupo de pessoas de um

país ou região."

Para Chamon (2007, p. 1), "Pode-se definir cultura a partir da inter-relação

dos aspectos materiais e simbólicos contidos nos artefatos produzidos pelo homem,

nos códigos e leis dos diversos grupos, nas artes, nas crenças e costumes". A

autora diz que a formação da personalidade é socialmente determinada pelos

elementos culturais na medida em que a personalidade compartilhada pelos

membros de uma mesma sociedade resulta de experiências comuns. A cultura

opera a integração do indivíduo ao meio social.

Sebben e Dourado Filho (2005, p. 14) definem que "Cultura é comportamento,

incluindo nossos valores, crenças, ética, linguagem, modelos de pensamento,

normas, regras, estilos de comunicação." E complementam, dizendo que cultura "É o

produto da interação entre pessoas, de determinado grupo, que valida sua maneira

de ser frente aos demais, portanto é dinâmica, interacionista e tem seus aspectos

positivos e negativos."

Sebben e Dourado Filho (2005, p. 30) fazem também uma comparação: "A

cultura está para um povo assim como a personalidade está para o indivíduo".

Dizem também que a cultura é mutável, dinâmica, passa de um para o outro. E

dizem que a cultura "Determina nossa forma de amar, de perdoar, de pensar, de

decidir. Ou seja, cultura é comportamento. E é também balé, música, teatro, dança,

porque essas produções artísticas nada mais são do que manifestações de nosso

comportamento." (SEBBEN; DOURADO FILHO, 2005, p. 30).

Na Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural, da UNESCO -

Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura,

encontra-se a encontra-seguinte definição de cultura:

[...] a cultura deve ser considerada como o conjunto dos traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, além das artes e das letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradições e as crenças (UNESCO, 2002, p. 1).

Hofstede (1991, p. 18) define cultura como: "Cada um de nós transporta

consigo padrões de pensamento, de sentimentos e de ação potencial, que são o

resultado de uma aprendizagem contínua". Ele diz que uma boa parte dessa

aprendizagem foi adquirida na infância, período do desenvolvimento quando somos

mais suscetíveis à aprendizagem e assimilação. Diz ele também que "Quando certos

padrões de pensamento, sentimentos e comportamentos se instalam na mente de

cada um, torna-se necessário desaprender, antes de aprender algo diferente."

(HOFSTEDE, 1991, p. 18). O autor utiliza, ao invés do termo "cultura", a expressão

"programação mental", para designar esses processos adquiridos (que é uma

analogia à forma como os computadores são programados). Ele explica que essas

programações mentais se originam nos diversos ambientes sociais que encontramos

no decurso da nossa vida (família, vida no bairro, escola, grupos de jovens, local de

trabalho e comunidade).

Hofstede (1991) compara a cultura a uma cebola. Segundo ele, a cultura se

manifesta nas formas de símbolos, heróis, rituais e valores, e estes termos estão

representados sob a forma de camadas de uma cebola. Os símbolos representam

as manifestações mais superficiais da cultura, os valores as mais profundas, e os

heróis e rituais uma situação intermediária. A Figura 2 ilustra as "camadas da

cebola", ou seja, os diferentes níveis de manifestação da cultura, segundo Hofstede.

Figura 2 - Os diferentes níveis de manifestação da cultura, em camadas, segundo Hofstede.

Fonte: Hofstede (1991, p. 23).

Para Trompenaars (1994, p. 7), "A cultura é a forma por meio da qual as

pessoas resolvem problemas". Segundo ele, a cultura também apresenta-se em

camadas, como uma cebola. Para entendê-la, temos de descascá-la, uma camada

de cada vez. Ele explica que no nível externo, encontram-se os produtos da cultura,

e os níveis de valores e normas são mais profundos, mais internos à "cebola", e são

mais difíceis de identificar. A Figura 3 ilustra a cultura representada em camadas,

segundo Trompenaars.

Figura 3 - Representação da cultura em camadas, segundo Trompenaars.

Fonte: Trompenaars (1994, p. 23).

Explicando melhor esses níveis, o autor expõe que:

• No nível externo estão os produtos explícitos. A primeira experiência de um

indivíduo em uma nova cultura relaciona-se a fatores menos esotéricos, mais

concretos. Esse nível compreende a cultura explícita.

• No nível intermediário estão as normas e valores. As normas são o sentimento

mútuo que um grupo tem do que é "certo" e "errado". Os valores, por outro lado,

determinam a definição de "bom e mau". Uma cultura é estável quando as normas

refletem os valores do grupo. Normas: "é assim que eu geralmente devo me

comportar". Valores: "é assim que eu pretendo ou desejo me comportar". São

necessários significados comuns de normas e valores que sejam estáveis e

salientes, para que a tradição cultural de um grupo seja desenvolvida e elaborada.

• No centro estão as premissas sobre a existência. O valor mais básico pelo qual as

pessoas lutam é a sobrevivência.

O antropólogo Roger Keesing (1974) resumiu os conceitos modernos de

cultura nas seguintes teorias: "cultura como sistema adaptativo" e "teorias

ideacionais de cultura" (estas divididas em três diferentes formas de abordagens:

"cultura como sistema cognitivo", "cultura como sistema estrutural" e "cultura como

sistema simbólico"). Na teoria do "sistema adaptativo", a cultura é vista como um

padrão de comportamento socialmente transmitido que serve para relacionar as

comunidades humanas aos seus ambientes ecológicos, ou ao seu modo de vida. As

teorias "ideacionais" abordam a cultura como um sistema de idéias. Na teoria do

"sistema cognitivo", a cultura é vista como um sistema de conhecimento, ou tudo o

que um membro da sociedade tem que saber ou acreditar para operar de forma

aceitável. Na teoria do "sistema estrutural", a cultura é vista como um sistema

simbólico compartilhado que é uma criação cumulativa da mente e gera elaborações

culturais. E na teoria do "sistema simbólico", a cultura é vista como um sistema de

símbolos e significados compartilhados, compreendendo regras sobre

relacionamentos e modos de comportamento.

Para Geertz (1989), a cultura não deve ser vista apenas como padrões

concretos de comportamento – costumes, usos, tradições, hábitos – mas como um

conjunto de mecanismos de controle – planos, receitas, regras, instruções (ou

"programas", como é chamado na computação) – para governar o comportamento.

Se não fosse dirigido por padrões culturais, o comportamento do homem seria

ingovernável. "A cultura não é apenas um ornamento da existência humana, mas

uma condição essencial para ela, a principal base de sua especificidade" (GEERTZ,

1989, p. 58).

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