No início do século XX, o termo stress começou a ser usado na área da saúde, sendo atualmente utilizado no discurso das pessoas com regularidade e uma importância relevante. Este termo começou por ser introduzido em 1926 através Hans Selye. Este autor, na sua obra intitulada “A Syndrome Produced by Diverse Nocious Agents”, utilizou este conceito para designar um conjunto de reações não específicas observadas em doentes com diversas patologias. Como refere Martins (2005, pp.38), o termo stress foi usado, inicialmente na área de saúde, por Hans Selye, quando verificou que muitas pessoas sofriam de várias doenças físicas e apresentavam alguns sintomas em comum, tais como: falta de apetite, pressão alta, desânimo e fadiga. Esta observação desencadeou imensas pesquisas médicas que acabaram por definir, na época, stress como um desgaste geral do organismo. O termo caracterizava uma alteração endocrinológica que se processava no organismo, quando este se encontrava numa situação que exigia uma reação mais forte que a da sua atividade orgânica normal.
Em 1974, o autor redefiniu o conceito de stress, como uma “resposta não específica do corpo a qualquer exigência”. Para Selye, o stress é qualquer pressão imposta à pessoa. Esta pressão pode ser de origem física, psicológica ou psicossocial. (Martins, 2005, pp. 38)
Este conceito foi-se diluindo, adaptando-se às novas descobertas científicas e às transformações da sociedade, de modo a ser definido, atualmente como a tensão emocional, sob a qual vive o homem moderno.
Lazarus e Folkman, em 1984, também estudaram o stress. De acordo com estes autores (in Gouveia, 2010, pp.3), face às exigências do meio, o ser humano pode passar por dois tipos de avaliação na qual a primeira corresponde à identificação da possível ameaça. Posteriormente e, caso a situação seja considerada ameaçadora, surge um segundo momento passível de avaliação, no qual se considera se os sujeitos são ou não capazes de enfrentar a situação. Neste sentido, caso os indivíduos considerem a situação ameaçadora e as exigências provenientes do exterior ultrapassam a sua resistência, manifestam-se mudanças de caráter psicológico, fisiológico e comportamental, experienciando, assim, algum grau de stress.
Ainda com base nos conceitos de Selye, Lipp (1996, in Martins, 2005, pp.39) definiu o stress como: Uma reação do organismo, com componentes físicos e/ou psicológicos, causados pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma
situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz. Assim, o stress é uma reação provocada por qualquer acontecimento que confunda, assuste ou emocione a pessoa profundamente.
Perante estes conceitos, percebe-se que o stress acaba por conduzir o indivíduo a um grande desgaste, que cada um exprime de forma diferente. Deste modo, concordamos com Martins (2005, pp. 41) ao afirmar que o stress é qualquer pressão imposta à pessoa e que influencia toda a sua estrutura.
São as consequências do stress profissional que definem o síndrome de burnout, caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal e profissional. O stress relacionado com a natureza das funções do indivíduo e com o contexto institucional e social em que se encontra, quando se verifica de forma persistente conduz ao síndrome de burnout.
A definição de stress, de acordo com Cardoso (2000, in Martins, 2005, pp.40), é concebida como uma relação de desequilíbrio entre exigências ambientais e recursos pessoais, em que os indivíduos percebem exigências que esgotam ou excedem os recursos de que julgam dispor, frente a uma situação que avaliam como ameaçadora do seu equilíbrio.
Os sintomas de stress podem ser percebidos em quatro níveis: reações desordenadas (ideias de fuga, sensações de “branco”, etc...), emocionais (medo, pânico, insegurança, raiva, irritabilidade, sensação de fracasso, etc..), vegetativas (boca seca, taquicardia, ânsia, vômito, lágrimas, respiração curta, etc...) e musculares (tremores, tamborilar dedos, ombros tensos, etc...). De acordo com Lipp (2007, in Sampaio, 2009, pp.28), existem vulnerabilidades físicas e psicológicas que vão determinar a reação de stress de cada indivíduo diante dos estímulos, causados por uma predisposição genética para se stressar e por aprendizagens inadequadas. A autora também identificou 12 tipos de “vulnerabilidades” mais comuns, cuja verbalização típica revela stress, são elas: frustração, pressão, solidão, tédio, sobrecarga de trabalho, ansiedade, depressão, raiva, pensamento distorcidos, perfecionismo, necessidade de aprovação e negativismo.
À medida que o stress tem vindo a torna-se num fenómeno relevante a nível social, a pesquisa nesta área tem-se intensificado, com especial interesse no estudo dos fatores que levam ao stress (fatores stressores). De acordo com Martins (2005, pp.41) podemos chamar stressor a “qualquer situação geradora de um estado emocional forte que leve a uma quebra do equilíbrio interno e exija alguma adaptação”.
Desta forma, podemos considerar que todos os estímulos que o organismo julga como uma ameaça à sua preservação ou à satisfação de suas necessidades físicas e psicológicas são
considerados fatores stressantes. A nível físico, podemos mencionar a nutrição, sexualidade e repouso. A nível psicológico, enfatizamos a necessidade de realização, autoestima, prazer, etc. O stress na área profissional ocorre quando os trabalhadores sentem que os seus recursos internos não são suficientes para lidar com as exigências que lhes são colocadas no trabalho. É este tipo de stress persistente, vinculado a situações de trabalho e resultante da constante e repetitiva pressão emocional associada a intenso envolvimento com pessoas por longos períodos de tempo, que conduz ao síndrome de burnout. Sendo este uma resposta ao stress laboral crónico, no entanto não podemos confundir stress com burnout, pelo que seguiremos tentando clarificar este síndrome.