3- TEORIA DA OTIMALIDADE
3.1 Conceitos básicos, premissas
Toda a análise da TO está baseada na relação entre input (forma subjacente) e output
(forma de superfície) e os seus conceitos básicos são: o conjunto de restrições denominado CON
(constraints), o léxico, um mecanismo denominado GEN (gerador – generator) e um mecanismo
de avaliação denominado EVAL (avaliador – evaluation).
As restrições usadas na teoria estão presentes em todas as línguas e o que diferencia uma
língua da outra é o grau de atuação e relevância de cada uma. Assim, as restrições são universais,
mesmo que apresentem diferentes graus de relevância. O que estabelece a relevância e a atuação
das restrições é a hierarquia que cada língua apresenta. Uma restrição pode estar no topo da
hierarquia de uma determinada língua e estar muito mal cotada na hierarquia de outra. Como
mostram Gonçalves & Piza (2009: 35), “são os dados da língua que permitem o estabelecimento
de uma determinada hierarquia; é com base na produção dos falantes que se sabe o que é
permitido, o que é proibido e o que é prioridade em uma língua”. Assim, as formas agramaticais
são barradas quando submetidas à hierarquia proposta e as gramaticais chegam à superfície.
A TO, diferentemente das demais teorias, não pressupõe que a forma de superfície
respeite todas as exigências, apresentando, assim, uma perfeição. A TO acredita que a tão
venerada perfeição não passa de uma falácia: mesmo as formas gramaticais cometem violações; é
praticamente impossível existir uma forma que obedeça a todas as exigências de uma língua. É
importante ressaltar que não há aqui apenas uma forma de superfície (doravante output) e sim
candidatos a output que estarão concorrendo para posterior escolha, de acordo com as satisfações
O léxico é o componente responsável pelo fornecimento das especificações do input. É no
léxico que encontramos as propriedades contrastivas dos morfemas. O input, por sua vez, não se
submete à ação das restrições, ou seja, a forma subjacente não está sujeita a avaliações, o que
constitui, na teoria, um princípio: o Princípio da Riqueza da Base – nenhuma restrição atua no
nível das representações subjacentes.
O mecanismo gerador (GEN, do inglês GENERATOR) cria uma infinidade de candidatos
a output ótimo a partir do input selecionado. Essa propriedade de gerar uma infinidade de
candidatos é denominada de Liberdade de Análise (Kager, 1999). Após criados, os candidatos
são submetidos ao mecanismo de avaliação (EVAL) que, por sua vez, avalia as possíveis formas
de superfície com base na hierarquia de restrições proposta. EVAL (o componente avaliador, do
inglês EVALUATOR) checa o que há de regular e de irregular nos candidatos frente às condições
impostas pelos restritores; é ele que impede as discrepâncias entre input e output e verifica se
restrições ser atendidas ou não. Assim, é EVAL que seleciona a forma ótima com base na escala
de prioridades da língua.
De uma maneira geral, a TO funciona da seguinte forma: GEN fornece os outputs
candidatos à forma ótima. EVAL avalia paralelamente cada candidato por meio do ranking de
restrições (com, do inglês CONSTRAINTS, restrições) e o candidato que não cometer violações
ou violar minimamente as restrições da hierarquia alcança o status de output ótimo, ou seja,
chega a superfície.
Uma vez apresentados os principais conceitos da TO, passaremos às premissas da teoria,
que são: Universalidade, Ranqueamento, Violabilidade, Inclusividade e Paralelismo
(PRINCE & SMOLENSKY, 1993; GONÇALVES & PIZA, 2009; HOLT, 1997).
De acordo com a Universalidade, as restrições existem universalmente, ou seja, estão
restrição na hierarquia. É importante observar que a ordem das restrições na hierarquia é
estabelecida a partir da análise dos dados de cada língua, ou seja, pelos dados é possível perceber
o que é mais aceito e o que é menos aceito em cada língua especificamente.
A Universalidade evidencia o caráter gerativo da TO. A Teoria Gerativa defende a
existência da Gramática Universal6, segundo a qual a criança já nasce com uma gramática, na
qual se encontram todas as ‘restrições’ (em outros desenvolvimentos da teoria, regras). No
decorrer da aquisição, no entanto, a criança transforma essa gramática na gramática de sua língua,
retirando só o que necessário para o uso e aprendizagem da mesma, descartando o restante.
Contudo, as restrições utilizadas em cada língua não são acessadas de forma aleatória; há uma
ordenação, um Ranqueamento.
O Ranqueamento é a premissa que determina a diferenciação das línguas, como
mencionado acima. Essa premissa organiza as restrições (também chamadas restritores) de
acordo com o grau de relevância de cada uma. Assim, as restrições mais importantes ocupam o
topo da hierarquia e as menos relevantes preenchem posições menos favorecidas. Na TO, a
violação de restrições hierarquicamente bem posicionadas na hierarquia pode resultar em
violação fatal e consequente eliminação de formas linguísticas. Na TO, a violação fatal significa
que o candidato infrator está fora da disputa. É bom ressaltar que o fato de um candidato cometer
violações não significa que o mesmo passa a ser agramatical, violações podem ser cometidas,
desde que sejam mínimas; daí, a premissa Violabilidade.
Ao mesmo tempo em que a Violabilidade permite as violações mínimas, há outra
premissa que impede que expressões que violariam absurdamente as restrições atuantes de uma
língua, ou seja, expressões não recorrentes, entrem na disputa e cheguem à superfície, que é a
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Inclusividade. Essa premissa impede que as expressões linguísticas que não respeitam condições
de boa formação concorram à condição de ótimas. Assim, a Inclusividade não permite que haja
um número infinito de candidatos e, com isso, torna a análise mais econômica.
A economia da análise otimalista também é proporcionada pela premissa do Paralelismo.
Na TO, os candidatos são analisados em paralelo, não há derivação serial, ou seja, não há
aplicação sucessiva de regras. Quando regras são utilizadas, a aplicação de uma regra pode gerar
um ambiente favorável para o uso de outra regra, o que gera um sistema cíclico de aplicação de
regras e torna a análise mais custosa e menos econômica.
Para comprovar a economia da análise otimalista, será apresentada na próxima seção uma
formalização de dados que exemplifica como é feita a avaliação e a escolha do(s) candidato(s)
ótimo(s).