2. AS ESTRUTURAS DO MERCADO E ELASTICIDADE
2.1. CONCEITOS DE MERCADO
Mercado é um local físico ou simplesmente lógico, formado por vendedores e potenciais compradores de um bem ou serviço, que, mediante condições contratuais de compra e venda, concretizam os negócios. Ou seja, é um grupo de compradores e vendedores de um determinado bem ou serviço, onde, os compradores determinam à demanda e os vendedores determinam a oferta deste bem ou serviço. 78
Atualmente, o termo é também utilizado para analisar a formação dos preços dos vários produtos objeto de troca. Para PINDYCK e RUBINFELD, “um mercado é,
pois, um grupo de compradores e vendedores que, por meio de suas reais ou potenciais interações, determina o preço de um produto ou de um conjunto de
produtos”79. Segundo PINDYCK e RUBINFELD,
Os mercados estão no centro da atividade econômica, e muitas das questões e temas mais interessantes da economia estão relacionados com o modo de funcionamento dos mercados.80
78
PINDYCK, Robert S. e RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia. 4.ed. São Paulo: MAKRON Books, 1999.
79
Idem. p.9.
80
Habitualmente, partindo do critério da atomicidade (respeitante ao número de vendedores e de compradores presentes no mercado), consideram-se nove possíveis formas ou estruturas de mercado, são elas: concorrência, oligopólio, monopólio, oligopsónio, oligopólio bilateral, monopólio condicionado, monopsónio,
monopsónio condicionado e monopólio bilateral.81
Nesse estudo, vamos abordar o mercado de bens e serviços, lembrando que, os alimentos, entre eles o chocolate, é um bem de consumo. Tendo isso em vista, podemos classificar as estruturas de mercado para o setor de bens e serviços da seguinte forma: concorrência perfeita, monopólio, oligopólio, concorrência monopolista ou imperfeita.
A concorrência perfeita caracteriza-se pela existência de inúmeros compradores e vendedores, onde nenhuma empresa consegue ter controle sobre o preço de mercado. Os produtos elaborados são homogêneos, sendo substitutos perfeitos entre si bem como existe completa informação e conhecimento sobre o
preço do produto por parte dos produtores e dos consumidores82.
Esse é o modelo ideal de mercado, pois a entrada e a saída de firmas no mercado são livres, não havendo barreiras. Os empresários sempre elevam ao máximo o lucro e os consumidores maximizam a satisfação. Desse modo, os
consumidores e vendedores têm acesso a toda informação, sem custos.83
De acordo com Simonsen84 um produto é vendido em concorrência perfeita
quando:
a) O mercado é composto de um grande número de empresas vendedoras, todas elas relativamente pequenas e agindo independentemente, de modo que nenhuma possa afetar isoladamente o preço de mercado;
b) O produto é homogêneo e os compradores não distinguem os vendedores por nenhum critério de preferencia que não seja o preço;
c) Há perfeita informação no mercado
d) É livre o acesso de qualquer empresa à produção do bem.
81
SIMONSEN, Mário Henrique. Teoria microeconômica. 2.ed. vol.2. Editora Fundação Getulio Vargas, Rio de Janeiro – RJ. 1979.
82
MONTELLA. MAURA. Micro e Macroeconomia: Uma Abordagem Conceitual e Prática. Edição nº 01 - Editora Atlas, São Paulo – SP, 2009.
83
VARIAN. Hal R, Microeconomia: Princípios Básicos. Edição n.º 06 – Editora Campus, São Paulo- SP, 2002.
84
Robert Frank85, do mesmo modo que Simonsen explicita quatro hipóteses admitidas em concorrência perfeita. O autor explica do seguinte modo; a) As empresas vendem um produto padronizado (homogêneo ou indiferenciado); b) As empresas são aceitantes de preços, isto é, nenhuma tem poder para influenciá-los. c) Os fatores de produção são perfeitamente variáveis em longo prazo; d) As empresas e os consumidores têm informação perfeita.
Uma característica desse mercado é que, em longo prazo não existem lucros extras, mas apenas os chamados lucros normais, que representam a remuneração implícita do empresário.
A concorrência Monopolista ou imperfeita, embora apresente, como na concorrência perfeita, uma estrutura de mercado em que existe um alto número de empresas, a concorrência imperfeita diferencia-se pelo fato de que as empresas produzem produtos distintos, embora substitutos próximos. Por exemplo, diferentes marcas de sabonete, refrigerante, sabão em pó, etc. Trata-se, assim, de uma estrutura mais próxima da realidade, diferentemente da concorrência perfeita86.
A diferenciação de produtos pode ocorrer por características físicas (composição química, potência etc.), pela embalagem, ou pelo diagrama de promoção de vendas (propaganda, atendimento, brindes, etc.). Assim, nesta estrutura, cada empresa tem um determinado poder sobre a fixação de preços, no entanto a existência de substitutos próximos permite que os consumidores tenham alternativas para fugir do aumento de preços. Da mesma forma que na concorrência perfeita, prevalece a suposição de que não existem barreiras para a entrada de
novas firmas no mercado.87
De acordo com Simonsen,
Provavelmente, a mais bela construção até hoje erguida em economia foi a teoria do equilíbrio e concorrência perfeita. (...) como seria de se prever, a análise da concorrência imperfeita é formalmente muito menos elegante do que a da concorrência perfeita. Convém lembrar, em contrapartida, que as imperfeições de concorrência no mundo real se têm tornado cada vez mais importantes, já que a tecnologia moderna tem-se associado a economias de escala dificilmente conciliáveis com a atomização das empresas. A teoria da concorrência imperfeita deve, pois, ser encarada como um campo extremamente fecundo e ainda pouco explorado. 88
85
FRANK, Robert , "Microeconomia e Comportamento". 6ªEdição; Lisboa, Ed. Minerva, 1998.
86
MANKIW, N. Gregory. Princípios da Microeconomia. Tradução Edição n.º 03 Norte-Americana – Editora Pioneira Thomson Learning, 2005.
87
SIMONSEN, Mário Henrique. Op. Cit.
88
Por outro lado, quanto ao Monopólio pode-se afirmar que é uma situação de mercado em que uma única firma vende um produto que não tenha substitutos próximos. O monopólio é um caso extremo de estrutura clássica básica. Situação de um mercado em que não existe concorrência na oferta. Segundo Simonsen:
O monopólio constitui, na classificação tradicional, o extremo oposto à concorrência perfeita: um produto, sem substitutos próximos, é fabricado exclusivamente por uma empresa. O acesso à produção se supõe suficientemente difícil, a ponto de o monopolista não considerar iminente o perigo da entrada de concorrentes no mercado89.
Desse modo, o setor é constituído de uma única firma, porque existe um único produtor que realiza toda a produção, ou seja, situação em que uma empresa domina sozinha a produção ou comércio de uma matéria-prima, produto ou serviço e que, por isso, pode estabelecer o preço como quiser. Segundo PINDYCK e
RUBINFELD90
Na qualidade de único produtor de um determinado produto, o monopolist6a encontra-se em uma posição singular. Se o monopolista decidir elevar o preço do produto, ele não terá de se preocupar com concorrentes que, cobrando um preço menor, poderiam capturar uma fatia maior do mercado às suas custas. O monopolista é o mercado e tem completo controle sobre a quantidade de produto que será colocada à venda.
Nessa estrutura de mercado não existe concorrência entre os consumidores. A firma produz um produto para o qual não existe substituto próximo. Há presença de barreiras à entrada de novas firmas, ou seja, é necessário manter os concorrentes em potencial afastados91.
É importante ressaltar que, em muitas circunstâncias, é a estrutura mais apropriada para a produção de certos bens e serviços como nos monopólios governamentais, por exemplo. Porém, a legislação da maioria dos países proíbe o monopólio, com exceção dos exercidos pelo Estado, geralmente em produtos e serviços estratégicos. O monopólio "puro" é uma construção teórica, porque, na prática, ele não existe92.
89
Ibidem. p. 3-4.
90
PINDYCK, Robert S. e RUBINFELD, Daniel L. op. cit.p.357.
91 BEGG. David K. H. Introdução à Microeconomia. Edição n.º 02 – Editora Campus, Rio de Janeiro,
Elsevier, 2003.
92
VASCONCELOS. Marcos Antônio Sandoval, Economia Micro e Macro. Edição n.º 02 – Editora Atlas, São Paulo-SP, 2001.
Para Simonsen:
A teoria convencional do monopólio resume-se numa série de exercícios simples sobre maximização, baseados nas seguintes hipóteses:
a) Um determinado produto é suprido por uma única empresa;
b) Não é possível o acesso de concorrentes ao suprimento do produto; c) O monopolista possui perfeito conhecimento tanto da sua curva de custos quanto da curva de procura do mercado;
d) O monopolista não crê que sua política de preços no presente possa afetar a demanda no futuro;
e) O monopolista deseja maximizar o seu lucro.93
Percebe-se assim que, uma hipótese implícita no comportamento do monopolista é que ele não acredita que os lucros elevados que obtém à curto prazo possam atrair concorrentes, ou que os preços elevados possam afugentar os consumidores; ou seja, acredita que, mesmo à longo prazo, permanecerá como monopolista. Evidentemente, para que essa estratégia viabilize-se, deve ser um tipo de mercadoria o serviço que não tem substitutos próximos.
Uma categoria diferenciada do monopólio é o monopólio estatal ou institucional, protegido pela legislação, normalmente em setores estratégicos ou de infra-estrutura 94.
Já o oligopólio é uma situação de mercado em que um pequeno número de firmas domina o mercado, controlando a oferta de um produto que pode ser homogêneo ou diferenciado. Simonsen, acredita que “um oligopólio é uma indústria cuja produção se concentra num pequeno numero de grandes firmas, todas elas suficientemente ponderáveis para afetar, com suas decisões, os preços de mercado.95”
Para PINDYCK, Robert S. e RUBINFELD:
Em um mercado oligopolístico, o produto pode ou não ser diferenciado. O que importa é que apenas algumas poucas empresas são responsáveis pela maior parte ou pela totalidade a produção. Em alguns desses mercados, algumas ou todas as empresas auferem lucros substanciais a longo prazo, já que barreiras à entrada tornam difícil ou impossível que novas companhias entrem no mercado. O oligopólio é um tipo de estrutura de mercado que prevalece.96
93
SIMONSEN, Mário Henrique. Op. Cit. p.330.
94
VARIAN. Hal R. Op. Cit.
95
SIMONSEN, Mário Henrique. Op. Cit. p.379.
96
É um tipo de estrutura de mercado que segundo Simonsen, pode ser definido de duas formas de atuação das empresas oligopolistas:
O oligopólio pode ser puro ou diferenciado. No oligopólio puro (caso raro, na prática), os concorrentes oferecem exatamente o mesmo produto homogêneo, naturalmente a um único preço de mercado. No oligopólio diferenciado as empresas fabricam produtos com diferentes características qualitativas, embora todos eles se considerem substitutos próximos uns dos outros; essas diferenças qualitativas permitem que, dentro de certas margens, as empresas cobrem preços distintos97.
Exemplo de Oligopólio – atuação do mercado de aviação civil, com as grandes empresas GOL, TAP, TAM, OCEAN AIR, outro exemplo é a indústria automobilística, onde as montadoras são o mais fiel exemplo, sempre disputando o mercado e o cliente, são elas Ford, Fiat, Volkswagen, as montadoras coreanas e chinesas estão em alta no mercado nacional, fortalecendo ainda mais a concorrência98.