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CAPÍTULO 4 TEORIA DOS JOGOS

4.4 Conceitos de Utilidade e Racionalidade

Este item contém a explicitação de conceitos básicos da Teoria dos Jogos tendo em vista os interesse desta pesquisa. Para tanto serão expostos os conceito de Utilidade e o conceito de Racionalidade.

4.4.1 Conceito de Utilidade

Esse conceito é inerente aos interesses de cada jogador que tem como finalidade assegurar sua maior satisfação em cada jogo, ou seja na obtenção de melhores resultados. Portanto, cabe ao jogador eliminar dificuldades e falhas no processo de adoção de suas estratégias. Sob essa ótica, Almeida (2003, p.183) afirma que:

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Não é um valor absoluto porque a utilidade só tem significado em relação à utilidade de outro resultado. Por exemplo: uma pessoa gosta mais de passar as férias na praia do que andar a cavalo, portanto para ela, a utilidade de viajar para a praia é maior do que cavalgar. Nesse caso o jogador racional prefere a estratégia que lhe permite viajar para a praia. O jogador racional é aquele que pretende sempre maximizar seus ganhos médios. Contudo, nem sempre tal ocorre, porque os jogadores podem ter objetivos diferentes. Dificilmente um jogador poderia arriscar ganhar R$ 1.000.000,00 incertos se tivesse que abrir mão de R$ 100.000,00 já certos. Neste caso, a utilidade de ter R$ 100.000,00 será maior que a de vir a ter R$ 1.000.000,00.

4.4.2 Conceito de Racionalidade

Na Teoria dos Jogos11, o conceito de racionalidade está implícito na ação do jogador e pode

ser formulado de modo simples. De acordo com o Neumann e Morgenstern (1953, p.9.): “O indivíduo que tenta obter este respectivo máximo (de utilidade) é também o que age racionalmente.” Na teoria em foco, o conceito de racionalidade refere-se à atitude do jogador (parceiro de negócios), que age de forma racional para alcançar os melhores resultados possíveis. No entanto Almeida (2003), considera que o conceito de racionalidade pode conter diversos sentidos e cita o exemplo de um pai que joga xadrez com um filho, porém não interesse em ganhar o jogo, pois a sua maior utilidade é decorrente da alegria do filho. Este exemplo está melhor detalhado em Almeida (2003, p.184)12.

Conforme Filipe (2006), a racionalidade é um conceito básico que está subjacente à evolução teórica da Teoria dos Jogos, proposta por Newman e Morgenstern. Nesse conceito há uma possível aproximação entre a Teoria do Jogos e a Economia Neoclássica.

Na Economia Neoclássica existe a hipótese em que os indivíduos agem de forma racional em suas escolhas econômicas. Em todas as circunstâncias, cada pessoa maximiza suas recompensas nos lucros, rendimentos ou em outros benefícios subjetivos.

Essa hipótese apresenta uma dupla vantagem:

• Limita as possibilidades de escolha de estratégias, uma vez que existe uma certa previsibilidade das ações dos indivíduos que agem de forma racional;

11 O Conceito de racionalidade é estudado em diversas áreas do conhecimento, por exemplo na filosofia, na

psicologia, na matemática e demais ciências exatas.

12 Utilizou-se o termo “perder a utilidade” porque há casos em que o jogador deliberadamente joga para

perder. Exemplo dessa situação: um pai joga xadrez com o filho e perde intencionalmente para ver o filho feliz. Mesmo perdendo o jogo, a estratégia do pai lhe garante maior utilidade, pois está vinculada à felicidade do filho, e não ao resultado do jogo. Outro exemplo no Direito Penal: um pai confessa um crime cometido pelo filho. Para ele, a utilidade consiste na liberação da pena para o filho, mesmo que ele (pai), deva cumpri-la (Almeida, 2003, p.184).

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• Fornece um critério de avaliação para a eficiência no sistema econômico.

Diante disso, pode se afirmar que em um jogo, a redução de recompensas de alguns jogadores provoca o aumento das recompensas dos outros jogadores (a não ocorrência deste fato, significa a existência de um erro no jogo).

De acordo com a ótica Economia Neoclássica, o indivíduo vivencia circunstâncias que são constituídas por instituições públicas e privadas, delimitação do direito de propriedade, ordenamento do uso do dinheiro e competição do mercado. Tais fatores estão entre as circunstâncias que afetam o indivíduo na procura de maximização das recompensas.

As implicações da existência de direitos de propriedade em uma economia monetária ou em mercados competitivos manifestam-se no seguinte facto: os indivíduos não necessitam considerar suas interações com os outros. Sob essa ótica o indivíduo leva em consideração a sua situação e as condições de mercado. Dessa forma surgem dois problemas:

• Limitação da abrangência da teoria. Quando a concorrência é restrita, embora sem monopólio, os direitos de propriedade não são devidamente definidos, e assim não se pode aplicar uma teoria econômica neoclássica consensual nem a Economia Neoclássica desenvolveu uma extensão aceita para tratar tais casos;

• Decisão tomada fora de uma economia monetária também é problemática para a economia neoclássica.

Por sua vez, a Teoria dos Jogos fornece uma teoria de comportamentos estratégicos e econômicos segundo a qual as pessoas interagem diretamente, e não através do mercado. Em tal teoria os jogos sempre representam uma metáfora dos problemas mais sérios que envolvem as interações na sociedade. Portanto pode ser aplicada aos problemas de jogos, como baralho de cartas e também as interações que ocorrem na sociedade. Por exemplo, na concorrência dos mercados ou entre parceiros de negócios. Em tal perspectiva, as escolhas das estratégias dependem das opções feitas pelos indivíduos.

Na Teoria Econômica Neoclássica, a escolha racional corresponde à opção que possibilita a maximização das recompensas de cada indivíduo, dado um conjunto de circunstâncias. Existe portanto um problema matemático que permite obter a solução correspondente às escolhas econômicas racionais.

Na Teoria dos Jogos, a situação é mais complexa, pois os resultados dependem das estratégias próprias de um indivíduo e também diretamente das estratégias adotadas pelos demais.

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Continua-se a pensar na escolha racional de estratégias como um problema matemático, pois quando ocorre a maximização de recompensas de um grupo de decisores que interagem, a solução do jogo passa a ser um conjunto de resultados racionais tal como na Teoria Neoclássica.