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15.16.2 – CONCEITOS DO DESENHO VIÁRIO DO CAMPUS

Figura 15.21: Nomenclatura das vias do setor do hospital universitário

15.16.2 – CONCEITOS DO DESENHO VIÁRIO DO CAMPUS

Como vimos no Capítulo 2 Aspectos Históricos, o sistema viário do Campus foi-se definindo em várias etapas, mas prevalecendo, desde a proposta de Lúcio Costa, um traçado que enfatizava um setor central, um núcleo formador, funcional e simbólico, para a cidade universitária. Esse concepção de setor central, para onde convergiram os primordiais esforços de construção da UnB, usou o sistema viário como elemento de composição urbanística, sobretudo em torno do núcleo da Praça Maior, que veio a ser, à época, definida por Oscar Niemeyer. Os SGs (blocos de serviços gerais) foram organizados em um traçado de pequenas quadras, como um sofisticado canteiro

experimental, tanto para a construção da própria universidade como

para algumas atividades de ensino e pesquisa que se foram localizando – e da administração universitária, que permaneceu adjacente aos SGs até a década de 70.

O investimento em novos espaços edificados, até o momento, ocorre a partir deste núcleo central de ocupação. Com a exceção do Centro Olímpico, da Estação Experimental de Biologia e do (precário) Biotério Central, a demanda de obras e de expansão do sistema viário somente se voltou para especulações de ocupação dos Setores Sul e Norte do Campus em episódios isolados, como nos estudos para uma sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, na década de 80, entre outros. Esse estudo, em especial, foi associado ao desenvolvimento da proposta de sistema viário no Setor Sul do Campus, de modo a permitir a avaliação dessa e de outras especulações quanto à ocupação das áreas livres.

O que se observa, desde então, é uma importante mudança nas premissas de projeto global do Campus – sobretudo quanto ao modo de se conceber o sistema viário como uma estrutura promotora da acessibilidade aos setores do Campus, com embasamento técnico fundamentado no planejamento do próprio processo de ocupação. O projeto de sistema viário que se consolida a partir do final da década de 80 não se mostra com o vigor de elemento de composição urbanística envolvido num jogo plástico com as novas edificações, mas como um

instrumento de ordenamento da ocupação. Essa mudança de ênfase

está associada à entrada em cena de conceitos de gestão do processo

de ocupação que exigem mais flexibilidade (como a avaliação de desempenho aplicada às atividades acadêmicas e administrativas). Isso se traduz na possibilidade de se promoverem, a médio prazo, mudanças em vários aspectos do traçado viário local, segundo determinações técnicas e com base na avaliação dos eventos do próprio processo de ocupação.

Deve-se pensar o sistema viário consolidado de modo associado à programação arquitetônica das edificações, feita na medida em que avançam as decisões do planejamento institucional. Essa associação (entre plano viário e programação arquitetônica) tem seu nexo estabelecido, neste Plano Diretor Físico, de duas maneiras:

a) pelos parâmetros de ocupação das Unidades Físicas que possuem lotações (número de usuários) e parâmetros de cálculo de vagas para veículos, que permitem avaliar e monitorar o desempenho do sistema viário, de circulação e acessibilidade do Campus – esses parâmetros balizam a programação arquitetônica;

b) pela geometria das Unidades Físicas e do sistema viário de acesso a elas, que permitem o lançamento preliminar de hipóteses de ocupação e uso associadas ao mosaico de zoneamento (considera-se que diferentes atividades têm

critérios distintos de acessibilidade e que a geometria viária e das Unidades Físicas é um fator auxiliar na promoção de diferentes situações de acessibilidade). O sistema viário

consolidado cria diferentes situações de acessibilidade a cada Unidade Física: distâncias entre Unidades Físicas, o perímetro das faces livres ao acesso por veículos, bem como a proporção entre a largura e comprimento de cada Unidade Física são fatores a serem considerados nos estudos de implantação das edificações, com o objetivo de otimizar a ocupação do solo disponível e reduzir ao mínimo a criação de barreiras arquitetônicas.

A hierarquização das vias internas, no sistema viário consolidado, inicia-se no conjunto de vias de acesso gerais da cidade: a via L3 (com projeto de sua duplicação há muito tempo proposto, embora ainda não executado pelo Governo do Distrito Federal), a via L4 (parcialmente duplicada) e a via N4 (que exigirá a previsão de sua duplicação quando da consolidação do Setor de Embaixadas Norte e do

Setor Sul do Campus) realizam todo o contorno do território do Campus – (Figura 15.22).

De um modo geral, foram mantidas as duas vias principais de acesso ao Campus, que o cruzam transversalmente (C-1 e C-12), e afirmou-se o desenho de via longitudinal interna, que corta todos os seus Setores Físicos (que toma as denominações S-9, C-6 e N-1). No nível local, essas são as vias de maior importância hierárquica.

Considera-se que, neste primeiro momento de consolidação do sistema viário do Campus, há diversos aspectos a serem desenvolvidos tecnicamente. Entre esses aspectos, salientam-se:

• a necessidade de previsão da duplicação das vias internas C-1 e C-2;

• o detalhamento, em apoio ao Governo do Distrito Federal, das rótulas que deverão integrar o novo sistema de duplicação da via L3 Norte – dado que o Plano Diretor propõe acessos novos a essa via arterial urbana e o projeto existente de duplicação prevê rótulas de modo a facilitar o trânsito nos acessos ao Setor Central do Campus, em especial;

• o detalhamento, em apoio ao Governo do Distrito Federal, do sistema de articulação da nova ponte do Lago Norte – de projeto já definido, mas que ainda permite pequenas alterações com respeito à integridade dos acessos ao Campus desde a via arterial urbana L-4 Norte. Propõe-se que essa articulação preserve o sistema de circulação interno do Campus, sem que a sua travessia direta ou facilitada (entre as vias L3 e L4 Norte) seja divisada como atalho para a cidade. Essa travessia direta colocaria o Campus num eixo de circulação urbana intenso, que relacionaria, a Leste, a Península Norte e o bairro do Taquari e, a Oeste, o acesso ao corredor Campus da UnB, CEUB e Palácio do Buriti. Sua formação

seria extremamente prejudicial ao padrão de tráfego local proposto, sem vias de interligação urbana, sem tráfego intenso ou pesado, de baixa velocidade, entre outras características.

Finalmente, dentro dos conceitos que se apresentam para o desenvolvimento dos projetos do sistema viário e de circulação (e de acessibilidade), devem-se considerar algumas evidências acerca da

configuração básica gerada pela solução viária e pelo desenho das Unidades Físicas, em cada Setor Físico do Campus.

O Setor Sul, de desenho proposto há uma década passada, apresenta um acesso viário à via L3, dois acessos viários à via N4 e um acesso viário à via L4. Seu desenho interno caracteriza-se por vias curtas, alternadas, sinuosas, buscando ampliar a acessibilidade às Unidades Físicas locais. Há uma relação a considerar entre o desenho das Unidades Físicas, que receberão as edificações, e o desenho da malha viária: a configuração das Unidades Físicas como polígonos mais regulares, neste Setor Sul, permite que as edificações possam apresentar acessos por praticamente qualquer via interna de contorno da respectiva Unidade Física. (Há ainda uma outra consideração que se pode fazer sobre a regularidade desses polígonos ou Unidades Físicas: por suas dimensões e proporções facultam a criação de edificações com pátios internos, permitindo-lhes atingir grandes extensões, associadas a uma taxa de ocupação consistente como a que é preconizada nas planilhas desenvolvidas para cada Unidade Física − ver Capítulo 16,

Descrição dos Setores Físicos). Utilizando-se os passeios ou calçadas

como eixos de passagem das galerias técnicas do sistema de redes de instalações, a maior parte das Unidades Físicas do Setor Sul pode ser servida (por redes de infra-estrutura) por qualquer das faces do polígono.

O Setor Central é o núcleo da ocupação histórica do Campus, concentrando até hoje a maioria das Unidades Acadêmicas e órgãos universitários; apresenta cinco acessos desde a via L3 e um único acesso à via L4. As vias internas C-1 e C-2 delimitam o Setor Central, separando-o dos Setores Sul e Norte. Pode ser subdividido em duas partes: o conjunto da Praça Maior (inclusive o ICC) e o conjunto dos SGs (Serviços Gerais, nomenclatura dos edifícios de apoio na época, hoje utilizados como abrigo de departamentos universitários diversos). Esse último conjunto, a Oeste, apresenta uma composição de pequenas Unidades Físicas, implantadas e ocupadas desde o início da construção do Campus. Como um todo, o Setor Central hoje concentra o maior volume do trânsito de veículos − e de problemas associados à circulação de pedestres. A implantação de novas edificações no Setor Central é possível e prevista na proposta de zoneamento (que, enfatiza-se,

apresenta diretrizes de ocupação para cada caso); contudo, os projetos devem ser estudados com atenção, com respeito ao problema do estacionamento de veículos, seu acesso e o acesso de pedestres e de pessoas portadoras de necessidades especiais.

O Setor Norte, em faixa de terreno que se estreita na direção do Arboreto (Unidade Física SN-13), caracteriza-se por uma rede de vias menos sinuosas, longas, configuradas em malha quase ortogonal, que permitem o melhor aproveitamento da ocupação das Unidades Físicas por edificações que compartilhem redes de infra-estrutura de maior complexidade. Esse é o caso da Unidade Física SN-9, projetada de modo a conter calha de redes de infra-estrutura especialmente apta para o serviço de laboratórios de pesquisa na área científica e tecnológica. Considera-se que o Setor Norte do Campus, por sua situação de afastamento dos principais nodos viários e das áreas de circulação mais intensa de veículos, seja o local adequado para a implantação de edifícios que abriguem atividades de apoio ao ensino, pesquisa e extensão universitários, sobretudo aquelas que atraem mais público interno do que público externo.

Em outro sentido, observa-se que o conjunto do Campus Universitário Darcy Ribeiro tem razoável situação quanto ao acesso para seu abastecimento, podendo ser acessado por vias arteriais que não atravessam o centro urbano de Brasília pelo circuito da DF-047: (saída Sul) / Avenida das Nações / vias L4 Sul e Norte / DF-003 (saída Norte). O sistema viário consolidado apresenta seis acessos para esse circuito, dois acessos para a via N4 e nove acessos para a via L3 Norte. Desse modo, tem-se que o Campus é significativamente acessível e permeável, permitindo a formação de uma rede de interligação viária que deve atingir desempenho satisfatório na hipótese de sua plena ocupação.

15.16.3–PONTOS DE CONTROLE, DISTRIBUIÇÃO E