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A aprendizagem é incorporada no viver. Cotidianamente, se observamos que alguém está alheio a uma relação é porque está participando de outra relação, e nesta está acontecendo o aprendizado. Um professor serve de guia para orientar os alunos na criação do espaço relacional ou domínio de relações no qual acontece a aprendizagem. Nesse domínio de relações

A aprendizagem é um processo inconsciente de transformação na convivência, inclusive o aprendizado que chamamos consciente é inconsciente. Ele nos parece consciente porque dizemos que podemos descrever o que aprendemos. Mas o que podemos descrever não são as dimensões da nossa transformação na convivência, o que podemos descrever é somente o operar consciente que resulta dessa transformação. O que aprendemos são tramas ou matrizes relacionais inconscientes que configuram os mundos que vivemos. Nos movemos nessas tramas de maneira inconsciente, enquanto vivemos na espontaneidade de um viver que surge fluido, e, enquanto não nos detemos a refletir e com isso mudemos de espaço. (MATURANA; DÁVILA, 2007).

Como forma de ampliar o entendimento sobre o acima expresso, apresentamos os seguintes conceitos gerais formulados a partir da Biologia do amor e da Biologia do conhecimento, conforme Ortúzar (1992, p. 61-81):

Conduta: Refere-se a fenômenos nos quais um observador distingue as mudanças posturais de um organismo (ser humano) em seu meio. Podem acontecer em diferentes domínios:

- no domínio experiencial da ação ou operação em geral; - no domínio do discurso como ações descritivas;

Conhecimento: O fenômeno do conhecimento, na Biologia do amor e na Biologia do conhecimento, aparece no domínio das condutas (do fazer), como aquelas condutas historicamente estabelecidas e valorizadas no âmbito social em que acontecem. Pode acontecer na vida cotidiana ou no âmbito da ciência, configurando-se como conduta

adequada. Dizemos que alguém sabe algo quando observamos que seu fazer configura uma

conduta adequada em determinado contexto de convivência, seja científico, filosófico ou da vida cotidiana.

Educação: A educação aparece no domínio de interações humanas realizadas com o propósito de realizar ações incorporadas que sejam consideradas adequadas no âmbito social em que se realizam. As interações observadas que aparecem como adequadas a esse propósito serão consideradas educativas.

Conforme Maturana; Rezepka (2000, p. 14) “a educação é um processo de transformação na convivência” e “ocorre tanto em dimensões implícitas como em dimensões explícitas, que surgem no conviver”. Embora saibamos que essas afirmações não revelam novidade, se isso acontece, não podemos abandonar a constatação de que o processo de educação de qualquer ser humano é um processo contínuo, e que não acontece um hiato (separação) entre o aprendizado de conteúdos programáticos e o aprendizado dos processos relacionais que acontecem nos e entre os seres humanos que participam em tais processos. Todo aprendizado está entrelaçado com o processo de humanização. Para esses autores “As conversações de capacitação entrecruzam-se com as conversações de formação humana” (2000, p. 15).

A partir dessa compreensão sobre o processo da educação humana, entendemos ser necessário distinguir a aprendizagem e distinguir o método. Como elementos da ação podemos sumariamente sugerir que a aprendizagem aparece como aquilo que tem a ver com o conteúdo a ser “ensinado”11 e o método tem a ver com o modo como é criado o espaço para que aconteça a aprendizagem.

Utilizando-nos do proposto por Ortúzar (1992, p. 77-81), realizaremos a seguir uma discussão a respeito da aprendizagem. O faremos a partir de um conceito e das suas condições

11 Usamos o termo “ensinado” entre aspas, pois acreditamos que o aprendizado acontece na relação, no sentido e

de constituição conforme propostas por esta pesquisadora. Junto com isso procuraremos

trazer uma pequena reflexão sobre o método na ação pedagógica.

Aprendizagem e método: na Biologia do amor e na Biologia do conhecimento podemos pensar a aprendizagem como um fenômeno que acontece independente do método. Fenomenologicamente (experiencialmente) não se distingue o método do conteúdo. Isso quer dizer que durante a ação pedagógica o conteúdo proposto e o método aparecem entrelaçados, unidos. A aprendizagem acontece independentemente das condições epistemológicas e éticas nas quais acontece, isto é, as condições de constituição da aprendizagem são condições tais que nelas se realiza o fenômeno. E, se elas não acontecem, o fenômeno da aprendizagem não se realiza. São elas:

a – Que os alunos possuam as condições físicas necessárias para a realização da conduta adequada;

b – Que os alunos possuam a emoção adequada para a realização da conduta; c – Que os alunos realizem as distinções necessárias para a execução da conduta.

Cada vez que se observa o aprendizado é porque estas condições, espontaneamente ou deliberadamente, cumpriram-se. A aprendizagem acontece, portanto, independentemente da Biologia do amor e da Biologia do conhecer.

Embora a aprendizagem não dependa do método, sendo o método parte da conduta, não podemos vê-lo como irrelevante, pois nele estamos colocados (responsavelmente ou não) no modo como atuamos na nossa ação pedagógica. A aprendizagem olhada sob essa maneira, permite-nos ver as nossas ações, de professores e alunos, de maneira responsável ou não.

As três condições, nas quais se configura a aprendizagem, são independentes do método e da Biologia do amor e da Biologia do conhecimento. Entretanto, essas três condições podem acontecer a partir da Biologia do amor e da Biologia do conhecimento na medida em que o método esteja, ética e epistemologicamente, de acordo com a incorporação das relações interpessoais, com os instrumentos utilizados (recursos) e com o meio (espaço físico). Para isso, espera-se que esses elementos configurem um espaço relacional no qual o modo de fazer define o fazer, no qual a conduta define a ação. De acordo com a Biologia do amor e a Biologia do conhecimento, convém lembrarmos aqui que vivemos nossa experiência na qual “todo fazer é um conhecer e todo conhecer é um fazer” (MATURANA; VARELA, 2001, p.31).

Nessas condições, se queremos entender o método, em acordo com a Biologia do amor e a Biologia do conhecimento, precisamos aceitar três de suas afirmações como premissas fundamentais:

a – Os organismos são determinados por sua estrutura;

b – As diversas ações configuram diversos domínios de realidade;

c – Nenhuma interação é trivial para um organismo porque se insere em sua dinâmica de mudança estrutural.

Ao levarmos em conta esses elementos fundamentais, podemos considerar que a nossa ação pedagógica envolve o método em acordo com a Biologia do amor e a Biologia do conhecimento, quando acontecer que:

- No domínio consensual entre professores e alunos reconhecermos que dependemos da estrutura constitutiva de professores e de alunos que somos;

- Entre seres humanos que compõem a comunidade escolar, estarmos atentos para observar os domínios de realidade (mundos) que cada um de nós traz consigo, a partir de uma atitude de respeito em relação a cada um nós e na nossa diversidade;

- Nós, seres humanos que compõem a comunidade escolar, façamo-nos responsáveis pelos domínios relacionais que configuramos ao agirmos na comunidade escolar.

Uma ação pedagógica como a proposta acima exige que se reconheçam professores e alunos como configuradores desta mesma ação pedagógica, que eles sejam os responsáveis pelos modos de organizar o tempo e o espaço da ação pedagógica e que esta responsabilidade constitua parte do trabalho dos professores. Mais que isso, tal ação pedagógica requer que os professores exercitem a ação de observação das condições estruturais dos participantes, ou seja, as manifestações da sua corporalidade, suas emoções, suas ações e as conversações que acontecem com eles e entre eles.

3.5 Um exercício reflexivo com as correntes em educação ambiental a partir