2. RESPONSABILIDADE PENAL E EMBRIAGUEZ
2.2 Conceitos e Tipos Penais de Embriaguez ao Volante
Na atual sociedade , há uma grande ramificação de estudos e conhecimentos , e consequentemente há diversas posições teóricas sobre o que vem a ser a embriaguez.
A Classificação Internacional de Doenças (CID1O) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Classifica a embriaguez como sendo uma intoxicação aguda que causa "[...]
transtornos mentais e comportamentais devido ao uso do álcool" (MATTEDI, 2014, p.17).
Dessa maneira , seu conceito define a embriaguez como sendo uma alteraç ão no comportamento psíquico do individuo proveniente puramente do uso do álcool.
Almeida Júnior adotando a definição da Assoc iação Britânica de Medicina , por sua vez, conceitua a embriaguez como a palavra , "[...] usada para significar que o indivíduo está
de tal forma influenciado pelo álcool , que perdeu o governo de suas faculdades, a ponto de tornar-se incapaz de executar com prudência o trabalho a que se consagra no momento"
(ALMEIDA JUNIOR, 2008, p. 474).
Verifica-se que o renomado médico reza em seu texto que a embriaguez , estado anormal do comportamento do indivíduo , se dá somente em razão do uso da substância álcool.
Conceituando a embriaguez no âmbito jurídico, assim define Mirabete (2009, p. 232):
"Embriaguez é intoxicação aguda e transitória causada pelo álcool e , nos termos legais , por substância de efeitos análogos , que podem diminuir ou privar o sujeito da capacidade normal de entendimento."
Cabe observar que o conceito de embriaguez conforme Mirabete (2009), não abrange somente a intoxicaç ão oriunda do uso do álcool , mas também de qualquer substância de
efeitos análogos , isto é , substância que age no organismo humano causando , efeitos semelhantes ao do álcool , com o poder de privar definitivamente ou transitoriamente, ainda que parcial, a plena capacidade de discernimento do agente.
A lei no 11.705/08 alterou os artigos 165, 276 e 277 da Lei no 9.503/97 a qual Instituiu o Código de Trânsito Brasileiro , alterando também a Lei no 9.294/96 que dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros , bebidas alcoólicas , medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos termos do § 4o do art. 220 da Constituição Federal.
Procurando inibir o consumo de bebidas alcoólicas por condutores de veículos automotores e visando diminuir os altos índices de acidentes de trânsitos com envolvimento de álcool, as alterações atingiram os artigos 10, 165, 276, 277, 291, 296, 302 e 306 do Código de Trânsito Brasileiro.
O artigo 165 visa tipificar a infraç ão penal de conduzir veículos sobre o efeito de álcool ou qualquer substancia psicoativa . Conduzir veículo automotor com concentração abaixo de seis decigramas de álcool por litro de sangue era permitida, já com o advento da Lei no 11.705/08, tem-se a tolerância zero, não podendo mais o motorista infrator conter qualquer traço de álcool no sangue , se vier a ter, o mesmo estará enquadrado no art . 165 do Código de Trânsito Brasileiro.
Recusando-se o infrator a realizar os testes e exames previstos no citado artigo 227 do CTB, a infraç ão por ele cometida poderá ser caracterizada por meio de outras provas
devidamente admitidas em direito , sendo elas os notórios sinais de embriaguez , excitação ou torpor que o agente de trânsito vem a notar no motorista infrator . O § 3o visa aplicar as devidas sanções penais e administrativas ao motorista que se recusa a se submet er a qualquer exame para a detecção do seu estado de embriaguez.
A mudança mais discutida se deu com o advento da lei 11.705 de 19 de junho do ano de 2008, com alteraç ão do artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro , Lei nº 9.503/97, principalmente relacionado ao nível de alcoolemia exigido para caracterização do ilícito , de seis decigramas de álcool por litro de sangue . Isso acabou por restringir o dispositivo comprometendo a sua aplicação , principalmente com relação aos meios probatórios ant e a exigência específica de aferição, com submissão do condutor de veículo, que não é obrigado a colaborar. Vale ressaltar ainda que a lei teve um impacto positivo na sociedade , comprovado pela diminuição imediata do número de mortes no trânsito (ANDREUCCI, 2013).
Assim, a aplicaç ão do artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, frente às alterações trazidas pela Lei 11.705/08, visa às modificações dos meios de produções de provas
admitidas, para fornecer o critério objetivo necessário , os quais foram fixados pelo legislador no referido tipo penal.
A Lei no 11.705/2008, modificou o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro , estabelecendo o seguinte:
Art. 306, CTB: Conduzir veículo automotor , na via pública , estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine
dependência: Penas - detenção, de seis meses a três anos , multa e suspensão ou proibição de se ob ter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor (BRASIL, 2008).
Ainda, o parágrafo único do referido artigo , estabeleceu que: “o Poder Executivo federal estipulará a equivalência entre distintos testes de alcoolemia, para efeito de caracterização do crime tipificado neste artigo” (BRASIL, 2008).
Pelo motivo da redação do parágrafo único acima , no mesmo ano em que a lei seca entrou em vigor , foi publicado pelo Presidente da Repú blica o Decreto de número 6.488 de 19/06/08, que fixou:
Art. 20 Para os fins criminais de que trata o art. 306 da Lei no 9.503 , de 1997 - Código de Trânsito Brasileiro , a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia é a seguinte:
I - exame de sangue : concentração igual ou superior a seis de cigramas de álcool por litro de sangue; ou
II - teste em aparelho de ar alveolar pulmonar (etilômetro): concentração de álcool igual ou superior a três décimos de miligrama por litro de ar expelido dos pulmões (BRASIL, 2008).
Com a entrada em vigor da Lei 11.705/08, deu a impressão que a combinação "bebida e direção " estaria com os dias contados , baixando assim os altos índices de acidentes com vítima fatais ou feridas em decorrência desta combinação inaceitável.
O legislador, ao modificar, com a Lei nº 11.705/08, o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, elencou informaç ões importantes para determinar quais os critérios podem ser utilizadas para determinar se as pessoas que cometem essa infração penal estão embriagadas.
Após a e ntrada em vigor da lei nº 11.705/08 (Lei Seca), passou a vigorar no art . 306 do Código de Transito Brasileiro , a limitação de até 0,6 (seis decigramas) por litro de sangue, como sendo a concentração de álcool permitida para quem conduz veículo auto motor em via pública.
Quem comete tal infração penal , estará sujeito à sanção penal acompanhada da sanção administrativa de multa e da suspensão para dirigir veículo automotor , porém, a grande
dúvida que restou após a entrada em vigor da “Lei Seca”, é como se deve constatar o estado de embriaguez do motorista que se encontra embriagado no momento que conduzia um veículo automotor.
Com base no Decreto 6.488/08, esta constataç ão deve ser realizada através do exame de sangue ou testes em aparelhos de ar alveolar pulmonar (etilômetro) mais conhecido como bafômetro.
Antes da Lei no 11.705/08, era necessário apenas que o motorista demonstrasse estar sobre a influência de álcool e estar expondo terceiros a um possível dano causado pela sua atitude, para responder penalmente pelo art. 306 CTB. Ato que dificilmente se concretizava pela falta de provas.
Sendo assim a redação do artigo 306 do CTB antes da lei no 11.705/08 era: “Conduzir veículo automotor , na via pública , sobre influência de álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem...”
Este artigo encontrava-se previsto no Código de Trânsito Brasileiro dentro do Capítulo XIX (Dos Crimes de Trânsito ), Seção II (Dos Crimes em Espécie ), e não continha a especificação da concentração de quantidade de álcool exigida para a tipificação da infração , mas possuía como sanção a pena de detenção de 6 meses a 3 anos de detenção.
No art . 165 do CTB , em sua antiga redaç ão , encontrava-se no capítulo XV (Das Infrações), no qual contava apenas a concentração de álcool necessária para a caracterização da infração administrativa e não da infração penal , trazendo assim, em sua redação, apenas as penalidade cabíveis de multa, retenção do veículo automotor , recolhimento da habilitaç ão e a suspensão do direito de dirigir.
Assim, com o advento da Lei no 11.705/08, foi disciplinada as definições das condições necessárias para a configuração desta infração penal do crime de conduzir veículo embriagado, não somente a influência de álcool mas também a dosagem alcoólica necessária no organismo do infrator para que tal ato se consuma.
Desse modo, define Luiz Flávio Gomes:
Se a quantidade mínima de álcool no sangue do co ndutor não ficar comprovada e , portanto, não for mencionada expressamente na denúncia ou queixa , o fato narrado na exordial será evidentemente atípico , sendo o caso de rejeição da peça acusatória , ex vi do disposto no art. 395, I c/c art. 41, ambos do Código Processual Penal de regência, ou mesmo rejeição por falta de uma das condiç ões da ação (art. 395, II do CPP), qual seja, a possibilidade jurídica do pedido , em razão da atipicidade do fato (dirigir sob o efeito de álcool, por si só, não é crime; crime é conduzir veículo com o mínimo de seis decigramas de álcool por litro de sangue (GOMES, 2009, p.570).
Com a definição de Gomes (2009), compreende-se ser necessária a comprovação da quantidade mínima de álcool no sangue para a efe tiva consumação da infração penal , mas com a atual decisão do Supremo Tribunal Federal que será vista adiante , essa definição ganha outros meios de provas admissíveis para a constatação desta infração.
Sendo assim, o Legislativo Federal, em obediência à suas atribuições , conferidas pela Constituição, tem se dedicado na elaboração de dispositivo legal , capaz de suprir os pontos conflitantes e as colisões com Direitos Fundamentais a fim de lhe conferir maior eficácia . É o caso da exclusã o do nível de alcoolemia e inserção no tipo de acordo com projeto de lei em tramitação, de outros meios probatórios , para caracterização do Crime de Embriaguez ao Volante (MELLO; KOIZUMI, 2010).
Outro ponto que precisa ser encarado com mais importâ ncia é o fato de o álcool representar um problema de saúde pública , reavaliando aspectos como o acesso a droga, locais de venda, custo etc. Ações nesse sentido são bem vindas e primárias , relacionado ao crime de trânsito (ANDREUCCI, 2013). Torna-se, portanto, imprescindível a educação no trânsito, pois o direito a vida é de todos.
2.3 As Medidas Administrativas Referentes à Recusa ao Teste de Etilômetro e as