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Conceitos gerais

No documento 3401_2013_0_11.pdf (3.634Mb) (páginas 42-44)

43 Projeto Urbano é uma modalidade de Projeto Estratégico, de cunho pragmático e com senso de oportunidade, cujo objetivo é a elaboração de respostas específicas para cada situação e necessidade urbana enfrentadas. É um exercício que procura atingir a máxima certeza quanto aos efeitos em ambiente incerto. Ao combinar oportunidades a necessidades urbanas específicas, com vários objetivos, que abrangem desde a ocupação de vazios resultantes da obsolescência industrial e mudanças de uso, bem como transformações de infraestruturas de transporte e outras, os Projetos Urbanos envolvem processos de intervenção e requalificação que transformam desde espaços consolidados atuando em áreas centrais e centros históricos, até intervenções localizadas e que atendem distintas áreas da cidade, em áreas novas ou periferias. Define uma possível articulação sinérgica de variáveis econômico-sociais a ações e efeitos territoriais (PORTAS, 2011).

Pela abrangência ampla de significados que abrange é uma noção, uma definição historicamente condicionada. Conceito, ou modo de intervenção, dependente de instrumentos de planejamento e projeto conforme o contexto - soluções e formas definidas pelas condições presentes e futuras, privilegiando a Interdisciplinaridade como método, ao postular referências conceituais provenientes de vários campos do conhecimento e assim desenvolver novas lógicas de intervenção urbana. Exercício que procura atingir a máxima certeza quanto aos efeitos em ambiente incerto, especialmente qualitativos – de natureza catalisadora e sinérgica, requerem flexibilidade, apesar de regidos por um conceito inicial: adaptabilidade em termos de forma e programa.

O PU envolve uma necessária relação entre fatores socioeconômico-territoriais e ambientais: engloba variáveis socioeconômico-ambientais e sistemas de gestão, atores e parcerias diversas. Trata-se de uma noção de natureza polissêmica: estratégia que permeia questões urbanas e socioeconômicas que incidem no desenvolvimento, envolvendo a atuação pública sobre um segmento da cidade, articulada a uma visão global e aos problemas sócios econômicos, com vários atores envolvidos, inclusive privados. É um exercício que deve analisar o processo de globalização em curso, as mudanças econômicas, a própria sociedade e o Estado, visando possibilidades para beneficiar populações locais pela geração de empregos e outras formas de renda.

Noção gestada na década de 1960 e que foi se modificando, jamais admitiu durante todo o processo de concepção e formulação uma única definição precisa, envolvendo incertezas e ambiguidade. O Projeto Urbano não se define mecanicamente, requerendo a compreensão das relações entre o contexto urbano construído, sociedade e história, de maneira indissociável do espaço público Projeto de espectro amplo e apto a enfrentar a complexidade; Articulação de dados objetivos, problemas abstratos, situações culturais e exigências sociais, que se diferenciam e encontram expressão morfológica unitária (PORTOGHESI, apud NOVICK, 2012). Chave para dar conta de múltiplas temporalidades, espaços e atores que operam na cidade, é instrumento de requalificação e transformação urbana, oposto a doutrinas e práticas de planejamento tecnocrático e centralizado. Definido historicamente, o Projeto Urbano é processo de intervenção e de requalificação envolvendo desde espaços pré-existentes a situações e áreas diversas. Atendimento a oportunidades diversas de reestruturação urbana (olimpíadas, exposições, etc.) ou de reconstrução e áreas obsoletas intervenção estratégica ao combinar oportunidades a necessidades urbanas especificas: ocupação de vazios resultantes da obsolescência industrial e de infraestruturas de transporte Funciona como uma intermediação entre traçado e normativas de um plano urbano e uma definição programática, formal e de serviços, reunindo urbanização e edificação.

Nasce de uma atitude reflexiva, adaptada a uma sociedade complexa e de futuro incerto, acompanhando o processo de transformação urbana, e enfrentando diferentes contextos culturais e dinâmicas sociais. Chave para dar conta de múltiplas temporalidades, espaços e atores que operam na cidade, tal ação reflexiva sobre as formas de projetar a cidade em diferentes contextos culturais e dinâmicas sociais requer estratégias seletivas, capazes de responder a questões essenciais. Requer ações fundamentadas em profundo conhecimento da realidade social, oposto a doutrinas e práticas de planejamento tecnocrático e centralizado. Essa flexibilidade reflete a capacidade de reação a

44 demandas, com ações necessariamente integradas, sistêmicas, participativas, equilibradas socialmente e passíveis de avaliação. Apresentando respostas multifuncionais e redundantes, capazes de se adaptar a diferentes contextos, é um instrumento revelador de potencialidades e limitações impostas pela sociedade, pelos atores envolvidos, pelos lugares, circunstâncias e acontecimentos.

OS PU se caracterizam por estarem sujeitos a externalidades e exigências do desenvolvimento sustentável. Sujeitando-se a determinantes e condicionantes permanentes e circunstanciais provenientes do processo da economia e disponibilidade de recursos não renováveis, de preservação de patrimônios naturais e culturais, e de luta contra o efeito estufa, criam externalidades que modificam e desafiam constantemente quaisquer previsões.

Promovendo a reconfiguração revalorizadora da cidade como “lugar” simbólico (LEFÈVRE apud BUSQUETS, 2004), determinam um forte compromisso em relação às tendências emergentes. Espaço apto à cidade multicultural, o Projeto Urbano tem como objetivo integrar e valorizar publicamente as diferenças, como recurso para alterar a condição de espaços segregados. Específico para as realidades política e socioeconômica de cada local, canaliza o uso de recursos para intervenções de caráter público, evitando assim a segregação sócio espacial. Embora correndo grande risco de potencializar os efeitos excludentes da urbanização contemporânea (SOMEKH; CAMPOS, 2005), o PU tem possibilidade de beneficiar populações locais com a geração de empregos e outras formas de renda, a partir de atividades afins a tendências econômicas emergentes. Os PU admitem desde ações de requalificação urbana e mudança de usos (voltados a eventos, tais como olimpíadas, exposições, etc.) ou de recuperação e resgate de áreas obsoletas ou ociosas. Como um novo paradigma, consiste em resposta urbanística integradora dos diversos contextos em que opera, exigindo uma ideia de cidade minimamente consensual e justificando-se por seu papel social e definição de cenários e programas de atividades.

Dentre essas atividades podem ser exemplificadas a promoção de terciário avançado como solução para a reestruturação do setor produtivo: serviços especializados – escritórios, lazer, turismo, gastronomia, esporte, alta tecnologia, com destaque para os empreendimentos culturais e aproveitamento da dinâmica imobiliária. Por essa razão, PU podem se articular ao desenvolvimento local: voltar-se aos interesses e perspectivas de cada localidade.

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