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2 CONTEXTO GERAL: IDENTIDADE EDUCACIONAL RECENTE, NOVOS PARADGMAS

2.1 PESSOA COM DEFICIÊNCIA, UMA QUESTÃO DE INCLUSÃO: VISÃO PANORÂMICA

2.1.1 Conceitos gerais sobre condições atípicas

Por sua vez, as condições atípicas são compreendidas como sendo situações em que as diferenças individuais e/ou coletivas originam necessidades especiais que, para a PcD, representam obstáculos de alguma forma ao exercício de sua participação em iguais oportunidades na vida ativa da sociedade como a maioria da população, e que, contudo não excluem, evidentemente as necessidades comuns aos demais pessoas.

Segundo Sassaki (1997, p. 16), as necessidades especiais podem ser resultantes de diversas condições atípicas como: Deficiências mental, física, auditiva, visual e múltipla; Autismo (Gauderer, 1993); Dificuldades de aprendizagem; Insuficiências orgânicas; Superdotação (Tayior et al., 1990; Machado et al, 1989); Problemas de conduta; Distúrbio de déficit de atenção com hiperatividade, distúrbio obsessivo compulsivo, síndrome de Tourette (Santos, 1994; Sassaki, 1995); Distúrbios emocionais; Transtornos mentais (MIND, p. 4-9).

Nestes termos, a atual politica de inclusão social brasileira destaca em seus diversos documentos oficiais três tipologias de condição atípicas. A primeira classifica o conceito de deficiência e suas naturezas primárias como sendo auditiva, visual, intelectual e física. Alguns estudos, pincipalmente no campo da medicina e da psicologia, agrupam tais naturezas e suas derivações em categorias que são elaboradas de modo bastante plural.

No que se refere ao atendimento Educacional Especializado - AEE de pessoas com necessidades especiais nas instituições de ensino, as recentes legislação e estatísticas nacionais utilizam a seguinte classificação: Deficiência, Transtornos Globais do Desenvolvimento e Altas habilidades/superdotação.

O quadro 1, a seguir, demonstra suscintamente a relação entre a classificação e os conceitos básicos de necessidades especiais, conforme Politica Nacional de Educação

Especial na perspectiva da Educação Inclusiva – PNEE-EI/2008, na atualidade do Atendimento Educacional Especializado – AEE brasileiro.

Quadro 1– Classificação e conceitos de necessidades especiais no AEE, conforme PNEE-EI/2008

Tipologia de condição Atípica Conceito D ef ic nc ia * Natureza: Geral

• O texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), ratificada pelo Brasil como Emenda Constitucional, por meio dos Decretos 186/2008 e 6.949/2009, declara em seu Artigo 1º que “pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual ou sensorial os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas” (grifo meu).

Auditiva

• Deficiência auditiva (DA**) – consiste na perda bilateral, parcial ou total, de 41 dB até 70 dB, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 3000Hz. • Surdez – consiste na perda auditiva acima de 71 dB, aferida por audiograma nas

frequências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 3000Hz.

Visual

• Deficiência visual (DV**) – consiste na perda total ou parcial de visão, congênita ou adquirida, variando com o nível ou acuidade visual da seguinte forma:

Cegueira – Ausência total de visão até a perda da percepção luminosa.

Visão Subnormal ou Baixa Visão – Comprometimento do funcionamento visual de ambos os olhos, após a melhor correção. Possui resíduos visuais que permitem a leitura de textos impressos ampliados ou com o uso de recursos ópticos.

Surdocegueira – trata-se de deficiência única, caracterizada pela deficiência auditiva e a visual concomitantemente.

Intelectual • Deficiência Intelectual (DI**) – caracteriza-se por limitações significativas, tanto no desenvolvimento intelectual como na conduta adaptativa, na forma expressa em habilidades práticas, sociais e conceituais

Física

• Deficiência Física (DF**) – consiste na alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzem dificuldades para o desempenho das funções.

Múltipla • Deficiência Múltipla (DM**) – consiste na associação, de dois ou mais tipos de deficiência (intelectual/ visual/ auditiva/ física).

Transtornos globais do desenvolvimento

(TGD**)

• Hoje (2012), a definição é atribuída aos alunos que apresentam, segundo PNEE-EI/08 (apud Pietro 2010, p. 63-in nota), alterações qualitativas das interações sociais reciprocas e na comunicação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo.

• Segundo Pietro (2010), Anterior a tal definição, esta categoria era designada de “condutas típicas” e referia-se aos alunos com “manifestações de comportamento típicos de síndromes e quadros psicóticos, neurológicos ou psiquiátricos que ocasionavam atraso no desenvolvimento e prejuízo no relacionamento social em grau que requeira atendimento educacional especializado” (BRASIL, 1994, apud Pietro 2010, p. 63-in nota)

• Incluem-se nessa definição alunos com autismo clássico, síndrome de Asperger, síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses).

Altas habilidades/ superdotação

(AHS**)

• Conforme indaga Pietro (2010), a categoria “altas habilidades” era utilizada no PNEE de 1994 para indicar alunos com “notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos isolados ou combinados: capacidade intelectual geral; aptidão acadêmica específica; pensamento criativo ou produtivo; capacidade de liderança; talento especial para as artes; capacidade psicomotora (BRASIL, 1994, apud Pietro 2010, p. 63-in nota)

• Atualmente tal categoria é denominada de “altas habilidades/superdotação” e designa, de acordo como o PNEE-EI/08, os alunos que “demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas nas áreas de seu interesse” (BRASIL, 2008, apud Pietro 2010, p. 63-in nota).

Fonte: Elaboração própria através de referencias legais, bibliográficos e documentais da pesquisa. Nota:

* Os Conceitos de deficiência estão validados pelo INEP/MEC, 2011. Caderno de Instruções do Educacenso 2011.

** Nesta pesquisa serão adotadas as siglas, entre parênteses, correspondentes a cada condição atípica listada no quadro acima e que são do vocabulário geral das PcD, e da principal fonte deste estudo: aluno com DV.

Mais que mera alteração e reorganização textual, as definições conceituais existentes na redação dos dois documentos da Política Nacional de educação especial de 1994 e de 2008, demonstram anseios diferenciados de dois momentos históricos do atendimento educacional à pessoas com necessidades especiais. Elas refletem modelos de sociedade em que a primeira, embora inovadora para sua época, projetava uma visão em que as diferenças eram elemento de distanciamento e segregação das pessoas, tendo como forte apelo condições médico-clinicas das deficiências. A segunda insere-se no contexto mais amplo de inclusão social, em que as condições atípicas, como as deficiências, tornando-se um indicador da diversidade em uma sociedade de e para todos.

Assim, considerado a afirmação de Mrech (1999, p. 4), “a deficiência não é uma categoria com perfis clínicos estáveis” e com isso não pode ser estabelecida em função da resposta educacional de pessoas com ou sem deficiência, quando se observa ambientes menos restritivos como os de uma sociedade inclusiva já apontada na atual PNEE-EI, embora ainda passível de criticas.

Outro ponto importante a ser destacado e o agravamento de condições atípicas em razão de questões de outra ordem como a socioeconômica. Sassaki (1997), expressa que “algumas das condições atípicas são, com frequência, agravadas por - ou resultantes de - situações sociais marginalizantes ou excludentes como, por exemplo: trabalho infantil, prostituição e privação cultural”, além inúmeras outras desigualdades sociais traduzidas em pobreza, desnutrição, condições precárias de vida, e, consequentemente, de saúde e educação (SASSAKI, 1997, p.16).

Além do conceito de deficiência e concordando com a posição de Sassaki (1997), ao afirmar que a definição de conceitos é fundamental para o entendimento das práticas

sociais, o entendimento do termo “educação inclusiva” requer previamente considerar os próprios conceitos inclusivistas. Sassaki ressalta que tais conceitos são assim denominados por comtemplarem valores éticos em torno da inclusão em todos os contextos sociais (educação, lazer, como aqueles valores em torno da PcD e que foram sendo construídos a partir de conceitos que ele chama de pré-inclusivistas.