CONCEITOS POR AUTORES
CONCEITOS NAS LEIS IRMÃS
Política Nacional de Recursos Hídricos – Lei 9.433/1997.
A Política Nacional de Recursos Hídricos qualifica a gestão em seus fundamentos, no capítulo I, definindo que a gestão dos recursos hídricos deve proporcionar o uso múltiplo das águas e deve ser descentralizada, contando com a participação dos setores público, social e de usuários. No capítulo III, das diretrizes, a gestão é também qualificada como sistemática, devendo adequar a política de recursos hídricos às diversidades físicas, bióticas, demográficas, econômicas, sociais e culturais regionais, devendo ainda ser articulada com a gestão do uso do solo e dos sistemas costeiros. Ainda nesse capítulo a Lei se refere ao gerenciamento, definindo como diretriz a articulação entre a União e os Estados, tendo em vista o gerenciamento dos recursos hídricos de interesse comum.
A integração da gestão de recursos hídricos com a gestão ambiental é definida como competência dos Poderes Executivos Estaduais e do Distrito Federal na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos, no Art. 30. No Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, a coordenação da gestão integrada da água surge como primeiro objetivo. Esse Sistema é integrado de: Conselho Nacional de Recursos Hídricos; Conselhos dos Estados e do Distrito Federal; Comitês de Bacia Hidrográfica; Órgãos públicos federais, estaduais e municipais, cuja competência se relacione com a gestão dos recursos hídricos; e as Agências de Água.
A gestão compartilhada é abordada no Art. 39, indicada para os casos de Bacia Hidrográfica de rios fronteiriços e transfronteiriços. No Art. 44, a promoção de estudos necessários à gestão dos recursos hídricos é definida como competência das Agências de Água, em sua área de atuação. No Art. 45, é definida a Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, exercida pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, como responsável pela gestão dos recursos hídricos.
Na Política Nacional de Recursos Hídricos, 9.433, a gestão é utilizada como uma espécie de “guardiã do espírito” da política, estando presente em toda a sua estrutura e levando a ética da lei, por meio de toda a qualificação que lhe é atribuída: sistêmica; propiciadora do uso múltiplo da água; descentralizada, integrando a sociedade; adequada às diversidades regionais; articulada e integrada com as políticas de meio ambiente, de uso do solo e costeira; e compartilhada. Todos esses adjetivos revelam um conceito de gestão baseado em um processo dinâmico e articulado entre gestores dos setores: público (federal, estadual e municipal), social e de usuários, tendo como instância máxima, guardiã desse espírito da Política, a Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Recursos Hídricos.
O conceito de gerenciamento é marcado no Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, onde estão os instrumentos de implementação e operacionalização da Política. Nesse sentido, na Política Nacional de Recursos Hídricos, o gerenciamento surge como a implementação operacional da Política, enquanto a gestão é a implementação de sua ética, levando o “espírito da Política” por meio de valores, conceitos e conhecimentos que serão trabalhados com pessoas. Assim, a gestão é um processo entre pessoas.
Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC – Lei 9.985/2000.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação estabelece critérios para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação. Nessa lei, a gestão é abordada com o mesmo sentido de administração. O Art. 5 define que as diretrizes do SNUC devem assegurar a participação efetiva das populações locais na criação, implantação e gestão das unidades de conservação, o que permite observar que a criação e a implementação não pertencem à gestão e que a gestão é algo que deve ser feita com as pessoas. Ainda nesse artigo, as diretrizes devem buscar o apoio de O NGs para as atividades de gestão das unidades, a saber: estudos, pesquisas científicas, práticas de educação ambiental, atividades de lazer e de turismo ecológico, monitoramento, manutenção. Nessa especificação, a gestão fica caracterizada como um conjunto de atividades a serem administradas. As
diretrizes também buscam assegurar que o processo de criação e a gestão das Ucs sejam feitos de
forma integrada com as políticas de administração das terras e águas, considerando as condicionantes locais, e dizem ainda que devem garantir recursos para que as unidades de conservação possam ser geridas de forma eficaz e atender aos seus objetivos. A gestão como oportunidade de integração entre políticas também é diretriz do SNUC, assim como na lei das águas, vista anteriormente.
No Art.30, o SNUC se refere ao órgão responsável pela gestão da unidade, e, no Art. 34, menciona os órgãos responsáveis pela administração da unidade e determina que a administração dos recursos seja realizada pelo órgão gestor. O Art. 35 dispõe sobre a utilização de recursos na implementação, manutenção e gestão das unidades, distinguindo esses conceitos daquele de gestão.
Da utilização do conceito de Gestão no SNUC pode-se concluir que se trata de um conceito plástico, utilizado em sua forma mais ampla, como administração de processos interinstitucionais e sociais, visando à implementação do Sistema de forma integrada com outras políticas e com a sociedade; e, em sua forma mais restrita, como administração de processos operacionais, visando ao funcionamento e aos resultados previstos para cada unidade. Nessa forma mais restrita, a gestão no SNUC é utilizada com o sentido semelhante ao conceito de gerenciamento da lei das águas.
Estatuto da Cidade – Lei 10.257/2001.
O Estatuto da Cidade dedica o seu capítulo IV à Gestão Democrática da Cidade, apresentando os seguintes instrumentos para essa gestão: órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual e municipal; debates, audiências e consultas públicas; conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis nacional, estadual e municipal; e iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano. O processo participativo é previsto também no processo de elaboração, fiscalização e implementação do Plano Diretor, conforme o Art. 40. No Art. 45, a Lei determina a inclusão obrigatória e significativa da participação da população e de associações da comunidade, com vistas a garantir o pleno exercício da cidadania.
Para o Estatuto da Cidade, a gestão democrática da cidade propõe um conceito de gestão comprometido com o processo social participativo, junto ao poder público, nas instâncias federais, estaduais e municipais. A participação social deve estar presente desde o momento da implementação da política, da elaboração do plano diretor, até a sua implementação, envolvendo a sociedade em um processo de decidir e realizar os destinos do Estado ou do Município, de forma conjunta com o poder público. Nessa concepção, a gestão é vista como um processo de interação entre o setor público e a sociedade, buscando uma atuação articulada, a gestão realizada com gestores, técnicos, representantes sociais, com a comunidade.
A partir desse marco científico e legal, esse artigo propõe os conceitos a seguir:
Gestão do Ambiente é um processo social que requer, dinâmica, articulação, interação, relação, intercâmbio, informação, conhecimento, diálogo entre diversidades, bem como ação integrada entre o setor público e a sociedade na implementação de uma política. Gestão do ambiente é também a gestão do conhecimento das pessoas, com suas percepções, interesses, saberes e cultura.
Gerenciamento do Ambiente é um processo operacional de ações voltadas à implementação e controle de um plano, programa ou projeto, com instrumentos de avaliação, indicadores e metas, utilizando técnicas operacionais, com base em um banco de dados, informação, fluxo e sistematização, com vistas a garantir os resultados esperados no sistema.
4. A GESTÃO TRANSDISCIPLINAR DO AMBIENTE
A gestão transdisciplinar do ambiente emerge da gestão interativa e da gestão cooperativa e fundamenta-se no planejamento complexo. É condição necessária à gestão transdisciplinar a visão complexa da realidade e a construção de um planejamento capaz de refletir essa complexidade. Também é condição fundamental para a gestão transdisciplinar a interação e interdependência entre o planejamento e a gestão, oportunizando a permanente atualização e transformação do planejado, a partir do aprendizado com a dinâmica da realidade, vivenciada no processo de gestão. Nesse sentido, planejamento e gestão são duas faces de uma mesma moeda, ambas se alteram simultaneamente e permanentemente.
FRACTAL DA GESTÃO TRANSDISCIPLINAR DO AMBIENTE:
GESTÃO TRANSDISCIPLINAR
Formação Humana e Capacitação
GESTÃO INTERATIVA GESTÃO COOPERATIVA
DESAFIOS E CAMINHOS PARA A GESTÃO INTERATIVA
O tema da gestão interativa entre o município, as bacias hidrográficas e as unidades de conservação, vem se constituindo em condição obrigatória para a construção do desenvolvimento sustentável local e no País. A Gestão Municipal vem sendo amplamente abordada por diferentes
autores, onde o tema central converge para os desafios ao alcance do desenvolvimento sustentável municipal. A busca por uma gestão municipal comprometida com as questões ambientais é trabalhada por Philippi Jr. E Marcovitch, em seu artigo Mecanismos Institucionais para o Desenvolvimento Sustentável, no qual é apresentada a matriz de avaliação de mecanismos existentes para a obtenção do desenvolvimento ambientalmente sustentável. Dentre os mecanismos de fortalecimento institucional, está a capacitação técnica, tecnológica e operacional, destacando a importância do conhecimento nos processos de tomada de decisão.
Articulando os processos em que estão incluídos municípios, bacias hidrográficas e unidades de conservação, conhecendo os desafios dos seus estatutos legais e constatando a falta de efetividade na implementação dessas políticas na realidade local, conclui-se pela necessidade de avanços teóricos, paradigmáticos, metodológicos e de percepção, que auxiliem na construção de um planejamento e de uma gestão efetiva na realidade local. O desafio do município cresce com a necessidade de considerar a inclusão social nos processos decisórios, valorizando sua diversidade de percepções e saberes necessários à construção de um espaço consensual no planejamento e na gestão do destino do município e das comunidades. Esse desafio cresce ainda mais com a valorização necessária da dimensão ambiental no contexto da sustentabilidade local e das múltiplas políticas operantes, com seus mandatos e sistemas específicos.
O que é fácil de constatar é que o que resulta da interação de todas essas políticas, são as mudanças no território municipal, as mudanças de percepção e atitude dos cidadãos, que também têm como referência o seu município. Então, pode-se dizer que, tudo converge e culmina na dimensão municipal e que efetividade dessas políticas interdependem entre si. A gestão de uma Área de Proteção Ambiental – APA, depende fundamentalmente da gestão municipal na regulamentação do uso e da ocupação do solo. Assim também a gestão municipal depende das definições previstas no plano de manejo da APA. Assim também a área de amortecimento de um Parque Nacional depende do plano diretor municipal, que também depende das restrições previstas no plano de manejo do parque. O mesmo acontece com os planos de bacia hidrográfica.
Nesse sentido, um avanço possível é incluir a lógica de cada política, dentro das demais. Nessa rede de interações, todos os pontos podem ser pontos de partida, seja o município, a unidade de conservação ou a bacia hidrográfica. Geralmente o ponto de convergência é aquele que se destaca com mais força na região. No caso onde a gestão de bacia é mais forte (ex: bacias com grande conflito de água), o Comitê e seu plano de recursos hídricos devem interagir com os planos diretores municipais e apoiar os municípios para o fortalecimento da gestão ambiental municipal. Assim também com as unidades de conservação, propondo um sistema de unidades de conservação da bacia, integrando as unidades de conservação existentes. No caso onde a gestão de unidade de conservação é mais forte (ex: região onde existe parque nacional), o Conselho gestor e seu plano de manejo devem considerar o apoio às prefeituras na implementação dos planos diretores municipais e deve prever a gestão por bacia, observando a definição e as relações da unidade de conservação, a partir dessa unidade ecológica hidrográfica. No caso onde a gestão municipal é a referência (ex: metrópoles), o poder executivo e o conselho municipal gestor do plano diretor, devem propor o sistema de unidades de conservação municipal, considerando as unidades existentes, e deve prever a gestão municipal por bacia hidrográfica, facilitando a gestão ambiental e da água, articulada com as esferas estadual e nacional.
DESAFIOS E CAMINHOS PARA A GESTÃO COOPERATIVA
Não basta compartilhar, é preciso cooperar. Essa frase revela um dos grandes desafios para
a gestão do ambiente. Os conselhos e comitês estão iniciando um processo de aprendizado na arte de compartilhar, de abrir-se para ser conhecido e estar aberto para conhecer o outro, com suas diferentes visões de mundo e formas de atuação. Esse intercâmbio já apresenta uma grande quantidade de desafios, o maior deles é o respeito às diferenças e a sabedoria do diálogo, de interagir de forma dialógica e inclusiva, dialogando com distintas lógicas e incluindo a riqueza da diferença, sem sentir-se ameaçado.
A partir do aprendizado do compartilhar, abre-se a possibilidade do aprendizado da cooperação. O ato de agir com alguém, de ação operada em conjunto, exige outras qualidades para serem desenvolvidas. A construção coletiva requer método, formas de garantir a valorização da diversidade na construção de um espaço consensual, onde todos os integrantes se sintam contemplados e assumam conjuntamente a responsabilidade pelo resultado coletivo.
A cultura da competição, dos desentendimentos crônicos, da não aceitação das diferenças e
dos diferentes, da imposição monológica de verdades absolutas, da briga pelo poder, ainda que seja por uma palavra, parece estar impregnada na formação de técnicos, gestores e lideranças políticas e sociais, ou seja, parece fazer parte da cultura de grande parte da nação brasileira. Assim com a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento de uma sociedade, o pensamento e o comportamento competitivos, reducionistas, excludentes e monológicos, também conformam uma questão cultural, de formação, de educação.
Nesse contexto, a formação humana e profissional é fundamental para a construção da gestão cooperativa. Os técnicos e gestores públicos e sociais podem ter sido capacitados profissionalmente, em um conjunto de teorias e metodologias que os permite desenvolver tecnicamente um plano, mas que não favorecem ao desenvolvimento de um processo que inclua múltiplas relações e interações e que exija abertura para os diversos saberes, percepções e realidades que a gestão do ambiente exige. A formação especialista carece de outras referências paradigmáticas, teóricas e metodológicas. A gestão cooperativa requer pedagogia, métodos de mediação e construção coletiva do conhecimento. A gestão cooperativa requer ainda reflexão ética, de valores, de percepções, de comportamento, da forma de pensar e agir das pessoas requer, portanto formação humana e capacitação.
Essas políticas nacionais propostas nas Leis Irmãs apresentam pelo menos uma oportunidade e um desafio aos especialistas e gestores públicos. A oportunidade é a transformação cultural e cidadã da nação brasileira. O desafio é como realizar processos de grande complexidade, que sejam verdadeiramente interativos e cooperativos? Com que fundamentos teóricos e metodológicos? Sem dúvida que estas são questões estruturais. O que se percebe a partir das experiências vivenciadas no País é que trabalhar com a sociedade exige, não o improviso, mas criatividade e qualificação.
5. TRÊS TEORIAS PARA A GESTÃO TRANSDISCIPLINAR DO AMBIENTE
A busca da efetividade do planejamento e da gestão do ambiente, incluindo a interação social
com a valorização da diversidade de percepções e saberes, bem como a complexidade ambiental, leva a busca de novas teorias e metodologias. Nesse artigo são apresentadas três teorias como oportunidade para a construção de uma percepção complexa da realidade, da abertura e inclusão dos diversos saberes e do diálogo entre a diversidade de lógicas coexistentes no ambiente. São elas: a teoria da Autopoiésis, a teoria da Complexidade e a teoria da Transdisciplinaridade.
TRANSDISCIPLINARIDADE (Basarab Nicolescu)
Gestão Transdisciplinar do Ambiente
AUTOPOIÉSIS COMPLEXIDADE
(Humberto Maturana) (Edgar Morin)
A Autopoiésis apresenta as relações de interdependência entre unidade e ambiente. De autoria do biólogo Chileno Humberto Maturana4, o conceito de autopoiésis parte da caracterização dos sistemas vivos como sistemas que possuem o poder de auto-organização, autodeterminação e auto criação. A importância dessa teoria para a gestão do ambiente é o reconhecimento das relações de interdependência entre a unidade e o ambiente. A autopoiésis mostra que a unidade e o ambiente se influenciam e transformam-se mutuamente, em um processo de interações sucessivas. Considerando a unidade uma pessoa, as múltiplas relações entre as pessoas e o ambiente, determinam e são determinadas pelo processo de aprendizado com o viver, onde as emoções se apresentam como condição fundamental para a aprendizagem e a transformação.
Baseado na teoria da Autopoiésis, Daniel Silva5 desenvolveu a metodologia pedagógica denominada por ele de Pedagogia do Amor. Essa pedagogia apresenta um método de construção coletiva de conhecimento, tendo como ponto de partida a valorização dos diferentes saberes e das emoções no processo de convivência pedagógica. Esse método, associado a outras técnicas e dinâmicas, oferece um apoio metodológico de grande eficácia no exercício da gestão interativa e cooperativa do ambiente.
A Complexidade, trabalhada por Edgar Morin6 em sua obra O Método, oferece uma forma de percepção capaz de reconhecer as múltiplas dimensões de realidade e de percepção. Essa teoria permite uma aplicação metodológica ao planejamento e à gestão do ambiente, identificando as múltiplas dimensões da realidade: a ecológica, a hidrográfica, a de uso e ocupação do solo, a institucional, a de restrições ambientais, entre outras que sejam percebidas como importantes ao processo. Além dessas dimensões de complexidade, a teoria também permite o reconhecimento das diferentes dimensões de percepção: a científica, a cultural, a econômica, a política, a religiosa, a artística, entre outras.
Por fim, a Transdisciplinaridade, concebida inicialmente por Piaget, foi desenvolvida sob forma de Manifesto da Transdisciplinaridade, por Basarab Nicolescu7. Essa teoria apresenta diferentes oportunidades para a gestão do ambiente. A transdisciplinaridade revela os caminhos para o diálogo, a abertura para a aceitação da diferença, a inclusão dos diferentes saberes, culturas e religiões, a perspectiva do transitar, transmutar e transcender. Essa teoria propõe ainda a construção do espaço de interação fluida, de intercâmbio de saberes, de inclusão da diversidade, de integração
entre partes para a construção de um todo comum. Esse fenômeno é denominado de Sagrado.
A disciplinaridade, a pluridisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade são as quatro flechas de um único e mesmo arco: o do conhecimento.8
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em meio aos desafios para a implementação de uma gestão transdisciplinar do ambiente, cabe ao município um papel de grande importância no cenário local, estadual e nacional, qual seja o de estar aberto às fronteiras dos diversos saberes, tradicionais e científicos, agindo de forma corajosa na construção de um novo caminho, onde se revelam três pontos:
ABERTURA PARA NOVAS RELAÇÕES DE PODER
O diálogo entre a política federativa, com suas competências e hierarquias definidas no cenário político e institucional, precisa ser enfrentado. As unidades de planejamento bacia hidrográfica e unidades de conservação, ultrapassam as fronteiras federativas e obrigam à transcendência dessas fronteiras na direção da construção de uma rede complexa de relações de poder. A inclusão da sociedade civil e do setor econômico nos processos decisórios exige dos técnicos e gestores públicos a capacidade de diálogo, mediação e compartilhamento do poder, transcendendo a hierarquia, na direção da construção da rede de relações cooperativas e co-responsáveis pelo destino do município, do estado e da nação.
FORMAÇÃO HUMANA E CAPACITAÇÃO
A atuação nos processos de planejamento e gestão do ambiente requer dos técnicos e gestores públicos, privados e sociais, o desenvolvimento de capacidades diferentes daquelas com as quais eles foram formados. A aceitação das diferentes percepções e atuações, a construção coletiva de consensos necessários, o compartilhamento das relações de poder, o compromisso coletivo e a responsabilidade compartilhada, exigem mudança de visão e de comportamento, resultando em uma mudança pessoal, cultural. O desenvolvimento dessas qualidades fundamentais aos processos de gestão interativa e cooperativa do ambiente é construído com a vivência e com a educação. Os processos de formação e capacitação de técnicos e gestores definem ai uma estratégia fundamental. A formação humana permite a reflexão ética, epistemologia e paradigmática, favorecendo ao encontro de novas formas de pensamento, percepção e atuação. A capacitação subsidia os técnicos e gestores com o conhecimento de novos métodos, conceitos e alternativas para o desenvolvimento de processos dinâmicos, transformadores e criativos de planejamento e gestão.
VALORIZAÇÃO DA CIÊNCIA NA CO NSTRUÇÃO DE NOVAS REFERÊNCIAS
Cada pessoa vê o mundo e age no mundo com o conhecimento que tem. Quando a realidade
não corresponde ao mundo que se pretende construir, é o momento de desconfiar das teorias e dos métodos que estão construindo essa realidade. Q uando as teorias e métodos não conseguem explicar e transformar a realidade, faz-se necessária a renovação. Há sempre um caminho científico para a construção de qualquer mundo, e por de traz da ciência, há sempre uma ética. Nesse