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2.2.CONCEITOS, OBJETIVOS E CARACTERÍSTICAS DE PARQUES TECNOLÓGICOS

Reconhecendo as dificuldades que empresas embrionárias têm no estabelecimento de uma rede coerente para ajudá-los a desenvolver e comercializar inovações, muitos governos de países avançados tecnologicamente estão desenvolvendo incubadoras e parques científicos e tecnológicos, que são mecanismos institucionais para estimular o crescimento de ecossistemas de inovação (ETZKOWITZ, 2002).

Como as empresas estão interessadas em renovar-se continuamente, Felsenstein (1994) aponta os parques tecnológicos como os melhores locais para que as empresas possam se instalar e desenvolver a inovação. Nesse sentido, os parques tecnológicos atraem contingentes de empresas focadas em tecnologias e novas formas de parcerias.

No estudo de Ferguson e Olofsson (2004) foi comprovado que as empresas possuem uma maior taxa de sobrevivência do que empresas localizadas fora de parques, o que contribui para que novas empresas possam se instalar nesses ambientes inovadores. Essas iniciativas proporcionam, às empresas instaladas nos parques, benefícios econômicos, ao mesmo tempo que os pesquisadores dessas podem ter oportunidade de cooperação com pesquisadores de instituições pública e nacional (PARK, 2001).

Diante disso, convém entender os conceitos relacionados aos parques tecnológicos, desde as terminologias associadas, serviços oferecidos, objetivos e características principais desses ambientes de inovação.

Conceitos e terminologias

Monck et al. (1988), Amirahmadi e Saff (1993), Löfsten e Lindelöf (2002) e Fukugawa (2006) concordam que ainda não há um consenso quanto a definição de parque tecnológico. Amirahmadi e Saff (1993) acrescentam que a falta de uma definição causa uma certa confusão conceitual na literatura. Diversas conceituações foram construídas a

medida em que os parques tecnológicos foram surgindo, além disso, diversos termos são utilizados pelas autoridades locais para indicar diferentes tipos de iniciativas seja pelo nome de parques científicos, parques de pesquisa, centros de incubação e parques industriais, assim como mostra o Quadro 1.

Termos relacionados a parques tecnológicos Países

Parque científico Países europeus

Parque de pesquisa Estados Unidos

Tecnólope França, Japão e Itália

Casa de Inovação Suécia

Centro de Inovação Alemanha

Parque Tecnológico Brasil e países asiáticos

Quadro 1 - Termos relacionados a parques tecnológicos

Para alguns autores, estes termos são determinados pela região de instalação dos parques: o termo parque científico é mais usado nos países da Europa; parque de pesquisa é a denominação que prevalece nos Estados Unidos; e parque tecnológico é o termo utilizado na Ásia (LINK; SCOTT, 2007). Nessa perspectiva, acredita-se que houve uma certa flexibilização nos conceitos de parques tecnológicos para abrigar os diversos stakeholders.

Torkomian (1996) relata que os termos Science Park e Research Park foram adotados por países anglo-saxões. O termo tecnólope é geralmente utilizado por França, Japão e Itália, Casa de Inovação é o termo praticado na Suécia e por fim, os Centros de Inovação comuns na Alemanha. Além dos termos empregados para designar parques tecnológicos e suas variações mencionadas anteriormente, diversas conceituações a respeito de parques tecnológicos também são elucidadas na literatura. Adotou-se nesse trabalho o termo “parques tecnológicos” popularmente conhecido no Brasil, país de origem desse trabalho. Para o termo parque tecnológico, a definição foi elaborada pela IASP (International Association of Science Parks). Segundo a IASP (2016), os parques tecnológicos têm como objetivo facilitar a gestão dos fluxos de conhecimento e tecnologia entre universidades, instituições de P&D, empresas e mercados e estimular a criação e o crescimento de empresas baseadas na inovação através de processos de incubação e spin- off. A IASP adota essa definição para parques científicos, parques tecnológicos e tecnópoles, entretanto, reconhece que possam existir diferenças entre cada projeto diante do contexto no qual o parque está inserido.

Serviços oferecidos por parques tecnológicos

Uma dos objetivos das empresas é garantir um melhor desenvolvimento para sua estrutura organizacional. Dessa forma, os serviços oferecidos pelos parques tecnológicos são atraentes tanto para empresas na fase de projeto, implantação e operação. Liberati, Marinucci e Tanzi (2015) destacam que os parques tecnológicos podem oferecer diversos tipos de serviços. Por meio da literatura estudada foi possível sistematizar a gama de serviços realizados pelos parques tecnológicos, conforme mostra o Quadro 2:

Serviços oferecidos por parques tecnológicos

Autores

Apoio técnico Westhead e Batstone (1998), Chan e Lau (2005) e Figlioli e Porto (2011)

Atividades e consultorias à pesquisa e desenvolvimento

Westhead e Batstone (1998), Park (2001), Fukugawa (2006), Figlioli e Porto (2011) e Liberati, Marinucci e Tanzi (2015) Compartilhamento de

experiências, ideias e lições aprendidas

Bakouros, Mardas e Varsakelis (2002) e Díez-Vial e Fernández- Olmos (2014)

Treinamento Westhead e Batstone (1998), Figlioli e Porto (2011) e Kharabsheb (2012)

Recursos intelectuais Koh, Koh e Tschang (2005), Fukugawa (2006), Vázquez e López (2008), Sun, Lin e Tzeng (2009), Cruz e Seido (2010), Saari e Haapasalo (2012), Kharabsheh (2012) e Díez-Vial e Fernández-

Olmos (2015) e Sadeghi e Sadabadi (2015)

Infraestrutura e serviços em geral Westhead e Batstone (1998), Park (2001), Lofsten e Lindelof (2002), Chan e Lau (2005Koh, Koh e Tschang (2005), Fukugawa

(2006), Lin, Tung e Huang (2006), Vaidyanathan (2008), Figlioli e Porto (2011), Kharabsheh (2012) e Sadeghi e Sadabadi (2015) Serviços de incubação Koh, Koh e Tschang (2005), Chan e Lau (2005), Durão et al.

(2005), Bigliardi et al. (2006), Vaidyanathan (2008), Ratinho e Henriques (2010), Figlioli e Porto (2011), La Rovere e Melo (2012), Montoro-Sánchez, Mora-Valentín e Ortiz-deUrbina- Criado (2012), Liberati, Marinucci e Tanzi (2015) e IASP (2016) Assistência a inovação Felsenstein (1994), Park (2001), Lofsten e Lindelof (2003), Chan e Lau (2005), Fukugawa (2006), Vedovello (2006), Shi, Liu e

Zheng (2007), Vaidyanathan (2008), McAdam e McAdam (2008), Ratinho e Henriques (2010), Liu et al. (2011) e IASP

(2016) Abrigar empresas, indústrias,

incubadoras, centros de pesquisa

Koh, Koh e Tschang (2005), Figlioli e Porto (2011) e Hansen et

al.(2012)

Quadro 2 - Serviços oferecidos por parques tecnológicos

Foram encontrados 10 serviços oferecidos pelos parques tecnológicos mais mencionados pelos autores. Para Liberati, Marinucci e Tanzi (2015), os parques oferecem serviços desde consultorias à pesquisa e desenvolvimento, atividades que impactam na rentabilidade da empresa além de fomentar parceiras entre empresas e universidades com o intuito de incentivar o desenvolvimento de empresas baseadas no conhecimento e transferências de tecnologias.

Lunardi (1997) já apontava que os parques reúnem requisitos fundamentais para o sucesso de uma economia regional. Tais requisitos contemplam infraestrutura de comunicação e de apoio, alavancagem de capital com agentes financeiros, treinamentos, serviços que incrementam a qualidade de vida, além de reunir uma gama de profissionais qualificados que fomentam inovação.

Dentro de um parque tecnológico, as organizações não só partilham um espaço geográfico, mas também um certo número de serviços comuns, tais como provedores de segurança, rede de telecomunicações, serviços de recepção administrativa, restaurantes, bancos, estacionamento, transporte interno, etc., permitindo uma redução considerável dos custos (MONTORO-SÁNCHEZ; MORA-VALENTÍN; ORTIZ-DE-URBINA- CRIADO, 2012).

Chan e Lau (2005) apontam que as incubadoras, laboratórios, equipamentos de escritório contribuem para a infraestrutura do parque. Nesse sentido, os serviços gerais envolvem também terrenos, rede de água, energia, telecomunicações (telefonia, rede de fibra ótica, sistema wi-fi etc.), esgoto, gás, rede viária e sinalização, áreas de estacionamento, passeios, tratamento e controle de resíduos, equipamentos de eliminação de resíduos, iluminação exterior, guaritas de segurança, entre outros (FIGLIOLI; PORTO, 2011), que estão relacionados a infraestrutura básica.

O serviço de assistência à inovação contempla as atividades que fomentam a inovação nas empresas tais como parcerias com instituições de pesquisa e desenvolvimento, ideias inovadoras, estimulação a criação de empresas e aspectos de empreendedorismo. A capacidade de atrair ou criar empresas está intimamente ligada a assistência à inovação que o parque dispõe.

Para Figlioli e Porto (2011) os parques disponibilizam treinamentos e consultorias tecnológicas gerenciais para as empresas. Tais atividades das incubadoras localizadas nos parques tecnológicos são essenciais para dar suporte as empresas incubadas. O compartilhamento de lições aprendidas, experiências e ideias dentro do parque proporciona às empresas obterem conhecimento tácitos e explícitos, além de propagar as experiências para as demais empresas e gestores.

Os recursos intelectuais representados pela mão de obra especializada e sofisticada contribuem para o desenvolvimento do parque no que se refere a tomada de decisão,

ideias e soluções inovadoras. Todos os serviços mencionados corroboram para o interesse das empresas em instalar-se nos parques tecnológicos.

Objetivos e características

Embora existam muitos modelos diferentes de parques científicos, em geral englobam mecanismos de apoio às empresas e de transferência de tecnologia que incentivar e apoiar startup, incubação e desenvolvimento de alto crescimento, as empresas baseadas no conhecimento e inovação. A maioria dos parques científicos também têm vínculos formais e operacionais com instituições como universidades e organizações de pesquisa (KOH; KOH; TSCHANG, 2005).

De acordo com McAdam e McAdam (2008), parques tecnológicos têm sido considerados como locais que melhorem a inovação local e colaboram na promoção e transmissão do conhecimento entre as empresas que neles se localizam. Já Lofsten e Lindelof (2003) afirmam que os parques tecnológicos podem ser entendidos como ambientes de assistência à inovação com dois objetivos complementares: promover o desenvolvimento econômico regional através da criação de empresas inovadoras e impulsionar os processos de difusão e transferência de tecnologia dos centros de investigação para o negócio.

Em suma, o esclarecimento sobre os objetivos de um parque tecnológico foi sintetizado por Koh, Koh e Tschang (2005) ao determinarem que os parques científicos e tecnológicos possuem dois objetivos. O primeiro está relacionado à desempenhar um papel de incubadora e visa alimentar o desenvolvimento e crescimentos de novas e pequenas empresas. O segundo objetivo é ser um catalisador do desenvolvimento econômico regional e promover o crescimento.

Isso corrobora com a visão de Dettwiller, Lindelöf e Löfsten (2006), que discutem sobre os parques tecnológicos representarem o melhor cenário de interação quando comparadas as demais estruturas urbanas, pois, as tendências futuras sejam de promover interações interdisciplinares entre os gestores.

Dentre os benefícios, os parques facilitam a criação e crescimento de empresas baseadas em inovação e conhecimento (LA ROVERE; MELO, 2012; DURÃO et al., 2005), além de estimular e gerenciar o fluxo de conhecimento e tecnologia entre universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento, empresas e mercados (LA ROVERE; MELO, 2012).

Para atingir os objetivos, a gestão deve ser ativamente envolvida em habilidades de transferência de tecnologia e de negócios, particularmente para pequena e média empresa (DURÃO et al., 2005) e é preciso, segundo Montoro-Sánchez, Mora-Valentín e Ortiz- deUrbina-Criado (2012), interação entre a rede e as organizações de parques tecnológicos.

As cidades ou regiões que possuírem esse tipo de empreendimento operando terão vantagem comparativa em relação às demais e, portanto, melhores condições – desde que estabeleçam estratégias operacionais realistas e consoantes com as regras globais de qualidade e comercialização – de alavancar ou garantir um processo de desenvolvimento regional (LUNARDI, 1997).

2.3.FATORES QUE INFLUENCIAM O DESENVOLVIMENTO DE UM