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CONCEITOS, OBJETIVOS E ELEMENTOS DA MEDIAÇÃO

2 A MEDIAÇÃO DE CONFLITOS

2.2 CONCEITOS, OBJETIVOS E ELEMENTOS DA MEDIAÇÃO

Vários são os autores que conceituam mediação na literatura mundial.

Dentre tantos autores, escolheu-se aqueles que melhor caracterizam as duas principais correntes de pensamento sobre mediação: a acordista e a transformadora. Essas duas correntes

de pensamento possuem orientações distintas, divergindo em relação ao objetivo principal da mediação.

Na corrente de orientação acordista, o principal objetivo da mediação, segundo Warat (2001:84), é o acordo, ou seja, a solução, pois considera “o conflito como um problema a ser resolvido nos termos do acordo”. Nessa corrente estão filiados os autores:

Moore, Azevedo e Liebman, e Vezzulla.

Na visão de Moore (1998:22), a mediação é conceituada como:

um prolongamento ou aperfeiçoamento do processo de negociação que envolve a interferência de uma aceitável terceira parte, que tem um poder de tomada de decisão limitado ou não autoritário. Esta pessoa ajuda as partes principais a chegarem de forma voluntária a um acordo mutuamente aceitável das questões em disputa. Da mesma forma que ocorre com a negociação, a mediação deixa que as pessoas envolvidas no conflito tomem as decisões.

Azevedo e Liebman (2001:12) conceituam mediação como:

um processo pelo qual um terceiro imparcial facilita a negociação entre pessoas em conflito, as habilita a assumir controle de suas vidas e a encontrar soluções que compatibilizem-se aos seus interesses e necessidades.

A mediação é um processo privado, voluntário, informal no qual o mediador, ou mediadores, ajudam as partes a resolver sua disputa de um modo aceitável a todos.

Na visão de Vezzulla (1998:18) a mediação é uma:

técnica de resolução de conflitos não adversarial, que, sem imposições de sentenças ou de laudos e com um profissional devidamente formado, auxilia as partes a acharem seus verdadeiros interesses e a preservá-los num acordo criativo onde as duas partes ganhem.

Verifica-se que os autores da corrente acordista incluem na mediação a figura de um terceiro, como facilitador do processo; este auxilia as partes na tomada de decisão, que deverá culminar num acordo. O foco principal é o acordo e não as relações, ou os vínculos entre as partes envolvidas.

A segunda corrente, que de acordo com Warat (2001:84), é chamada de transformadora, visualiza o conflito como uma oportunidade de “melhora na qualidade de vida, para o encontro consigo mesmo e para a melhora na satisfação dos vínculos”, não tendo por finalidade o acordo e sim a administração do conflito. Essa corrente está representada neste estudo por Warrat e Six.

Para Warrat (2001:75) a mediação é:

um procedimento indisciplinado de auto-eco-composição assistida (ou terceirizada) dos vínculos conflitivos com o outro em suas diversas modalidades. Indisciplinado por sua heteroxia já que do mediador se requer a sabedoria necessária para poder se mover, sem a obrigação de defender teorias consagradas, um feudo intelectual ou a ortodoxia de uma capela de classes ou do saber. A autocomposição dos procedimento de mediação é assistida ou terceirizada, porquanto se requer sempre a presença de um terceiro imparcial, porém implicado, que ajude as partes em seu processo de assumir os riscos de sua auto-decisão transformadora do conflito.

Na visão de Six (2001:257) a mediação consiste:

em estabelecer ligações onde elas ainda não foram feitas, suscitar o agir comunicacional onde não existe. [...] Trata-se, então, na mediação de estabelecer constantemente novas relações entre uns e outros, numa verdadeira criatividade; ou ainda de reparar laços que se distenderam ou foram submetidos a qualquer dano; ou ainda gerencia rupturas de ligações, desavenças.

Os autores da corrente transformadora, apesar de também incluírem a figura de um terceiro, apresenta uma outra visão de mediação. Warrat e Six destacam os vínculos e as relações das partes como foco principal da mediação. Já o mediador além de assistir as partes está implicado no processo, na medida que gerencia os vínculos, promove a reparação desses vínculos e educa a partes para assumirem as decisões tomadas.

Apesar da divergência com relação ao objetivo principal da mediação, em todos os conceitos acima citados há um ponto comum: o diálogo entre as partes, suscitado pelo mediador. O diálogo é o meio pelo qual ocorre a administração e solução pacífica do conflito, estabelecendo novos relacionamentos que possibilitam uma boa convivência futura,

a prevenção de novos conflitos e também a inclusão social, pois possibilita reflexão dos direitos e deveres de cada parte.

Outro ponto convergente das duas correntes diz respeito à distinção entre a mediação e o litígio. “A mediação não se preocupa com o litígio, ou seja, com a verdade formal contida nos autos”, mas visa auxiliar as partes para que realizem uma confrontação construtiva do conflito, no seu campo temporal. Isto é, o oposto do litígio, visto que este, além de possuir uma visão negativa do conflito, congela-o no tempo para demarcá-lo e controlar as variáveis que são necessárias para a tomada de decisão, reduzindo-o a questões de direito ou patrimônio (WARAT, 2001:80).

Há, ainda, outros objetivos abraçados pelas duas correntes que tratam da mediação, como: resolução das diferenças entre as partes, redução dos obstáculos de comunicação, consideração das necessidades envolvidas, maximização do uso de alternativas, preparação dos participantes para que possam aceitar as conseqüências de suas decisões, redução dos efeitos negativos do conflito e a produção de um plano de ação para o futuro (SERPA, 1999).

Em todos os conceitos mencionados encontra-se a presença dos seguintes elementos na mediação: as partes, o conflito e o mediador. O primeiro elemento diz respeito a toda e qualquer pessoa, natural ou jurídica, pública ou privada, nacional ou internacional, ou grupo de pessoas. O segundo elemento, o conflito, que pode englobar diversos tipos de conflitos, deve ser trabalhado na sua dimensão construtiva. Por último, o mediador, é o terceiro neutro que facilita a comunicação das partes.

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