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ANEXO 08 – Fluxograma das Atividades de Capacitação e Desenvolvimento

3.4 Conceitos que sustentam a proposta de estudo

A seguir, apresenta-se uma breve exposição dos principais conceitos que sustentam este estudo, tendo como base os pensamentos de Freire (1996, 1998, 1999), Backes et al. (2002), Salum (2000), Schmidt (2002), Vázquez (1990), entre outros.

Ser Humano: é um ser singular e complexo, um espírito que possui um corpo físico e por meio do diálogo interage com outros seres humanos, tendo a capacidade de ensinar e aprender, fortalecer e ser fortalecido, raciocinar, refletir e decidir pelo bem-estar pessoal e coletivo no contexto de suas vivências e experiências, fazendo-se crítico e reflexivo, responsável por seus atos perante si e para com os outros, conquistando com isto autonomia e liberdade, construindo uma história de vida, pois seu processo de desenvolvimento é dialógico e histórico. Apresenta, ainda, uma dimensão emocional capaz de sentir, uma dimensão social e ecológica com necessidade de se relacionar, configurando-se como um ser de relações, não conseguindo viver isolado, buscando constantemente aperfeiçoar-se para crescer e se desenvolver, compreendendo-se como um ser inacabado.

Trabalhadores(as) da Saúde: são seres humanos que desenvolvem suas atividades nos mais diferentes setores da área da saúde, tendo o tratamento e o cuidado como objetos de trabalho, na busca coletiva e solidária da reabilitação, bem- estar e promoção da saúde dos sujeitos-cidadãos do cuidado, por meio do conhecimento teórico-prático, da ética, do amor, do compromisso e do respeito por seus semelhantes, ou seja, os trabalhadores da saúde configuram-se como sujeitos cuidadores que compõem a equipe interdisciplinar em uma instituição ou organização.

Processo Educativo: segundo Reibnitz (2004, p. 23), “[...] o processo educativo deve assegurar condições para humanização do homem, valorizando uma postura crítica com liberdade e criatividade, contribuindo desta forma para a inserção do profissional reflexivo no mundo do trabalho”.

Assim, compreende-se o processo educativo como um processo contínuo de ensino-aprendizagem do ser humano, no qual o(a) educador(a), ao compartilhar conhecimentos, busca a formação do(a) educando(a), por meio do desenvolvimento de uma consciência crítica, criativa e reflexiva dos fatos, instigando-o a ser sujeito de sua educação e não o objeto dela, construindo sua história de vida com autonomia, responsabilidade, coerência, ética, compromisso, bom senso, humildade e amor, respeitando os seres humanos, ora compreendidos nesse processo, como educandos(as), ora como educadores(as), em constante troca de saberes e experiências por meio do diálogo.

Relação Educando(a)-educador(a): o(a) educador(a) é um(a) profissional que tem a função de educar, porém percebendo que o processo educativo é dialógico e ontológico, fundamentado na práxis do(a) educando(a). Segundo Salum (2000, p. 50), “[...] o(a) educador(a) é um(a) criador(a) de oportunidades para as situações de ensino aprendizagem no trabalho”, sendo que, na visão pedagógica crítica, o(a) educador(a) ensina aprendendo e o(a) educando(a) aprende ensinando (FREIRE, 1999). Compreende-se o(a) educador(a) como os(as) trabalhadores(as) da saúde e o(a) educando(a) como sendo os sujeitos-cidadãos do cuidado e familiares, ou também, em alguns momentos, os(as) próprios(as) trabalhadores(as) da saúde, uma vez que o processo educativo fundamenta-se no compartilhar de experiências e vivências para o crescimento e desenvolvimento dos seres humanos, que, segundo Freire (1998), como seres inacabados, estão em constante transformação na busca de “ser mais”.

Educação Permanente/Continuada: a concepção adotada foi desenvolvida pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Enfermagem e Saúde – GEPES/UFSM, na Linha de Pesquisa Educação, Enfermagem e Saúde e posteriormente publicada por Backes et al. (2002, p. 201), para a qual a

Educação Continuada refere-se a um processo educativo formal ou informal, dinâmico, dialógico e contínuo, de revitalização pessoal e profissional, de modo individual e coletivo, buscando qualificação, postura ética, exercício da cidadania, conscientização, reafirmação ou reformulação de valores, construindo relações integradoras entre os sujeitos envolvidos, para uma práxis crítica e criadora.

Convém ressaltar que, na atual Política de Educação e Desenvolvimento para o SUS: caminhos para a educação permanente em saúde, de fevereiro de 2004 (BRASIL, 2004a), o termo utilizado para designar o que o conceito anterior explicita

é educação permanente. Sendo assim, neste trabalho, utiliza-se a terminologia educação permanente/continuada para abordar essa compreensão mais ampla sobre a temática.

Educação Permanente/Continuada no Trabalho: utiliza-se neste momento o conceito de Salum (2000, p. 51), que a compreende como sendo um

[...] processo permanente de educação que tem como objetivo desenvolver o ser humano-trabalhador(a) (...) no cotidiano do seu trabalho, facilitando o desenvolvimento de suas potencialidades individuais e profissionais, tornando-o(a) criativo(a) e participativo(a) no processo de trabalho (...) É um conjunto de práticas educacionais críticas, planejadas no sentido ação- reflexão-ação para promover oportunidades de desenvolvimento do ser- humano trabalhador(a) (...) de forma contínua e sistemática, com a finalidade de mantê-lo atualizado(a) e favorecer questões relativas à satisfação e desenvolvimento das dimensões pessoais, profissionais e institucionais, reconhecendo o caráter de sua totalidade.

Política Institucional Transformadora: reitera-se o concebido por Schmidt (2002, p. 42), quando conceitua como sendo

[...] um conjunto de estratégias, normas, habilidades necessárias para o desenvolvimento de uma determinada proposta, vislumbrando a perspectiva de criação de uma nova realidade, que, necessariamente, não elimina a anterior, mas obrigatoriamente a transcende. Isto significa que deva acontecer um trabalho interdisciplinar na construção de um processo educativo contínuo de superação pessoal e profissional, de exercício efetivo da cidadania e valorização pessoal, bem como compromisso profissional de todos trabalhadores e dirigentes, na perspectiva de melhor qualidade dos serviços e de atenção à saúde da população nesta instituição. Uma política que defenda a vida, a ética e a solidariedade enquanto pressupostos humanísticos e o avanço tecnológico como meio e suporte para tal intento.

Práxis: segundo Vázquez (1990), a práxis criadora ou

inovadora/transformadora é concebida como uma ação que cria algo novo por meio da intervenção da consciência e da prática humana. Neste nível de práxis, o grau de consciência é alto, e busca-se a reflexão e a criação do modo de criar. Logo, compreende-se que, para a ação puramente prática tornar-se verdadeiramente práxis, é necessário que, a partir da ação, seja realizada uma reflexão consciente para compreendê-la, sendo que, por meio da reflexão e compreensão da ação, seja possível modificar a realidade a partir da ação, configurando-se em uma ação transformadora, ou seja, práxis é pensar/refletir/compreender o fazer, para que a ação transforme a realidade de modo consciente.

Assim, considerando a complexidade do “processo de formação” do ser humano nos aspectos físico, psico-afetivo e sociocultural; e também considerando a

formação do(a) trabalhador(a) da saúde, inseridos num contexto que reconhece o ser humano a ser cuidado e o ser humano cuidador é que se pretende aliar o conhecimento adquirido e a ética ao estudo desenvolvido, num processo contínuo de renovação e mudança, fazendo da práxis o agente transformador da realidade, norteada pela pedagogia da pergunta.

4 REFERENCIAL METODOLÓGICO “ “ÉÉ aapprreennddeennddoo qquuee ssee aapprreennddee,, q quuee aaiinnddaa fafallttaa mmuuiittaa ccooiissaa ppaarraa ssee aapprreennddeerr...”” W Wiilllliiaamm SShhaakkeessppeeaarree

Neste capítulo, apresenta-se o percurso metodológico desenvolvido no presente estudo, que possibilitou a concretização dos objetivos propostos, por meio da sistematização e rigor necessários para caracterização de um trabalho científico.

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