O cuidado a ser tomado no caso das redes é que o estabelecimento de seus limites é difícil de compreender (HALINEN e TÖRNROOS, 2005). Isso porque ao contextualizar o grau de complexidades das formações de alianças estratégicas entre as organizações tem-se a partir disso as redes como um conjunto de alianças mais amplo. Castells (1999) consegue através de suas idéias retomar as abordagens já discutidas aqui alegando que as redes são instrumentos provenientes da economia capitalista que se baseiam em aspectos das inovações, da globalização e da concentração descentralizada em agregados organizacionais.
Neste contexto, as definições de rede apresentam duas abordagens. A primeira, parte da idéia de que as redes são formadas a fim de se buscar um objetivo comum entre todos os
seus participantes. Alvarez et alli (2002, p.2), baseando-se num estudo sobre diversos autores, as definem como sendo:
“um conjunto de organizações independentes ligadas entre si por laços mútuos não estritamente contratuais/formais de longo prazo, que comungam de objetivos/interesses comuns e desenvolvem ações coordenadas/conjuntas que se repetem e evoluem ao longo do tempo, compartilhando riscos e recursos e efetuando ‘apostas coletivas’ ”
Entretanto, por outro lado, Whetten (1981) alega que as ações empresariais tomadas sob um objetivo conjunto são um sub-grupo das relações existentes de uma rede maior de relacionamentos inter-organizacionais.
Portanto, consideram-se numa segunda abordagem conceitual mais complexa, todos aqueles envolvidos direta ou indiretamente. Assim, Normann e Ramirez (1993) trazem um conceito mais ampliado dizendo que redes são um conjunto de arranjos organizacionais que giram em torno dos recursos e capacidades disponíveis no mercado, configurando às organizações papéis e relacionamentos dentro de uma constelação de agentes com o objetivo de se criar valor e novos relacionamentos de interesse estratégico. Portanto, nesta visão, a união de várias relações estratégicas entre organizações forma uma rede de relacionamentos vista como uma constelação. Essa idéia é compartilhada por Nassimbeni (1998) que diz que o conceito de redes está geralmente ligado às diversas uniões de alianças estratégicas entre empresas e por Whetten (1981) que defende que as redes são interações organizacionais dentro de uma população, independente de como estão organizadas as sub-relações desta população. Nesta linha de pensamento, Doz e Hamel (2000, p. 27) dizem que “uma (...) característica distinta de muitas alianças contemporâneas é que elas não podem ser compreendidas a não ser como parte de uma teia de relacionamentos”.
Diante disso, as redes organizacionais podem apresentar diversas características e, portanto, serem classificadas de acordo com atributos específicos. Grandori e Soda (1995) classificam as redes de empresas de acordo com o grau de formalidade entre as organizações envolvidas. Para os autores, existem em três tipos: redes sociais; redes burocráticas; redes proprietárias. Podendo elas ser simétricas ou assimétricas, resultando assim em seis tipos diferentes de redes, assim como representado na figura a seguir.
Fonte: Grandori e Soda (1995).
Figura 2.3. Tipos de redes de empresas segundo Grandori e Soda (1995)
Visto que Grandori e Soda (1995) definem cada um destes tipos de redes, destacando- os pelo seu grau de formalidade e relacionamento social entre as organizações, denota-se a seguir a visão dos autores para cada tipo de rede:
• Redes Sociais: neste estilo, não há nenhum tipo de contrato formal entre as organizações e os relacionamentos entre as organizações são regidos por seus laços sociais estabelecidos entre funcionários.
o Redes Sociais Simétricas: neste estilo, todas as organizações participantes têm o mesmo poder de influência. Este estilo de rede é aconselhável para o desenvolvimento de produtos e / ou serviços, visto que apresenta informações de alto potencial, mas com pouco valor econômico.
o Redes Sociais Assimétricas: a principal evidência deste tipo de rede é a existência de um elemento central, podendo haver até formalização de contratos entre as organizações, entretanto, estas estão ligadas às especificações e não ao relacionamento delas propriamente dito.
• Redes Burocráticas: existe um contrato formal para a regulamentação de especificações, tal como a própria organização da rede e suas intra-relações.
o Redes Burocráticas Simétricas: neste tipo de rede, há relacionamentos formais entre empresas da mesma indústria, eliminando os interesses individuais delas e arranjando um acordo coletivo entre estas firmas.
o Redes Burocráticas Assimétricas: existe aqui a formalização de relação entre as empresas, tal como em relações de licenciamento e venda de direitos de fabricação / distribuição.
REDES DE EMPRESAS
Redes Sociais Redes Burocráticas Redes Proprietárias
• Redes Proprietárias: há instrumentos formais e legais que defendem, além da organização da própria rede, os acordos coletivos e os direitos de propriedade de acionistas e proprietários das organizações, assim, a alocação de recursos e a divisão de propriedades são claramente formalizadas.
o Redes Proprietárias Simétricas: o principal exemplo deste tipo de rede são os joint ventures, em que existe a formalização das regulamentações, principalmente, para as atividades de pesquisa e desenvolvimento (com ênfase para inovação tecnológica).
o Redes Proprietárias Assimétricas: normalmente, encontra-se este tipo de rede em relações de capital venture, em que se tem a relação entre um investidor e a organização parceira dele.
Vale aqui denotar que este modelo de Grandori e Soda (1995) vai de encontro com as idéias de Rosenfeld (1996) que concorda que as divisão de tipologias de redes deve ser baseada no grau de formalidade quer elas detêm. Sobre isso, Rosenfeld (1996) diz que pode haver redes rígidas (com acordos formais) e redes suaves (com relações informais).
Não obstante a isso, existem autores que classificam as redes considerando outros aspectos. Corrêa (1999), por exemplo, caracteriza os tipos de redes existentes através do estilo de relacionamento existente entre as organizações da rede. A representação gráfica dos tipos de redes propostas por Corrêa (1999) pode ser demonstrada de acordo com a figura a seguir, em que as circunferências representam organizações e as retas demonstram ligações e relações entre elas:
Rede estratégica Rede Linear Rede Dinâmica Fonte: Corrêa (1999).
Corrêa (1999) alega que a diferença entre elas é que a rede estratégica está direcionada aos interesses do mercado, tendo uma organização central como coordenadora das ações das outras empresas envolvidas neste processo. A rede linear se adapta especificamente conforme a cadeia de valores em questão, trata-se de uma rede que se inicia, geralmente, com o produtor de um lado e vai até o distribuidor final, por isso uma representação gráfica horizontal que demonstra essa participação em todos os processos. Por último, a rede dinâmica representa um relacionamento contínuo e intenso entre as todas as organizações envolvidas na rede, esta comunicação, muitas vezes, é permitida através da tecnologia de informação existente entre as firmas.
Sobre esta consideração de classificação, pode-se acrescentar que há uma relação entre o número de relacionamentos dentro da rede e algumas propriedades da mesma, como propensão das organizações a se unirem em rede, força dos laços existentes entre as firmas e o prestígio da rede como um todo (BARNIR e SMITH, 2002).