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CAPÍTULO I – AS MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS E O COMPORTAMENTO HUMANO

1.2 As principais Concepções da Administração e o comportamento humano nas organizações

1.2.5 Concepção Comportamental da Administração

A Concepção do Comportamento, muito influenciada pelos ideais behavioristas, quebrou o padrão de todas as anteriores, trazendo novas concepções e principalmente um enfoque inovador. A diferença principal desta concepção não se limita apenas ao conteúdo, mas, sim, à sua forma de construção, que deixou de ser realizada no estilo prescritivo e normativo, para o estilo explicativo e descritivo, deixou de ser pesquisada apenas em experimentos estatísticos para a análise aplicada. Por esse fato também é conhecida como Concepção Behaviorista, pois, além da forma que é realizada, apresentou em seu conteúdo a cognição humana e os padrões do comportamento.

Apesar de ser direcionada para a área privada, também influenciou de forma significativa a concepção dos serviços públicos e as perspectivas de seus servidores. A Concepção do Comportamento traz em grande parte de seu conteúdo as ideias da Concepção Humanística, com o foco no comportamento humano, porém, apresenta uma visão mais ampliada na dimensão da organização, observando o impacto desse comportamento na organização e as expectativas e anseios de seus empregados.

Cronologicamente foi desenvolvida após as Abordagens Neoclássica e Estruturalista, no início da segunda metade do século XX, nos EUA, baseada principalmente no desenvolvimento da Psicologia Organizacional3 e nos estudos do comportamento social realizados pela Sociologia.

A visão do homem transcende o homo economicus, da Concepção Clássica e o homo social, da Concepção Humanística, pois, além de ser visto como pessoa dotada de necessidades que vão além do objetivo apenas financeiro e social, para uma pessoa possuidora de cognição e de percepções aos eventos e fatos que ocorrem em seu ambiente e seu local de trabalho.

Nessa perspectiva, o homem passa a ser analisado como um ser passível de aprendizado e mudança em seu comportamento, suas atitudes e decisões. Além disso, a Concepção do Comportamento integra em sua estrutura o trabalho de Peter Drucker, no qual os empregados são orientados para a realização de determinados objetivos, podendo interagir e cooperar com os outros indivíduos em equipes, a fim de resolver determinada situação ou alcançar metas e objetivos coletivos.

A Concepção do Comportamento também aborda preceitos da Concepção Estruturalista, pois, sua visão transcende os elementos internos das organizações, o homem não é analisado apenas como

3 A Psicologia Organizacional estuda os fenômenos psicológicos provenientes do ambiente das organizações, visando solucionar os problemas relativos à gestão de pessoas para, dessa forma, manter a qualidade do clima organizacional, oferecer condições favoráveis ao trabalho e desenvolvimento do capital humano e, consequentemente, ao alcance de metas e lucros. http://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching-e- psicologia/como-a-psicologia-organizacional-pode-afetar-meu-ambiente-de-trabalho. Pesquisado em 30 de Junho de 2017.

empregado, como é na Concepção Humanística, mas como um ser humano dotado de anseios e necessidades pessoais e profissionais.

O princípio dessa concepção é analisar o comportamento individual, com o intuito de aprimorar o campo da motivação humana, e, assim, conhecer os anseios e as necessidades humanas, para desenvolver mudanças e melhorias na qualidade do trabalho, usando a motivação como elemento chave e essencial nas organizações. Dentro dessa perspectiva, surgiram diversos trabalhos sobre motivação humana.

Abraham Maslow, psicólogo americano, fez um dos trabalhos mais importantes e que transformou os estudos e abordagens da Administração. Sua principal obra foi a Hierarquia das Necessidades Humanas, na qual é demonstrado que a motivação nasce de um conjunto de necessidades que estão selecionadas em níveis de importância, essas necessidades são dispostas na forma de uma hierarquia vertical, e podem ser observadas como uma pirâmide.

Maslow (1973) descreve diversos modos subjetivos para medir o nível de necessidade, porém, dá mais ênfase às queixas apresentadas pelos indivíduos, visto que elas são indicadoras de seus desejos. A análise das necessidades da pirâmide de Maslow são interrelacionadas e interdependentes, pois os indivíduos apenas terão certa necessidade satisfeita se for satisfeita sua necessidade antecessora. Maslow identificou as necessidades humanas, selecionou-as e organizou-as de acordo com suas importâncias e interdependências. Assim, compondo uma pirâmide, alocou em sua base as necessidades mais primárias dos seres humanos: alimentação, repouso, moradia, entre outras, e nomeou-as de necessidades fisiológicas.

Posteriormente, montou o miolo da pirâmide com as necessidades secundárias: estabilidade no emprego, família, saúde, e nomeou-as de necessidades de segurança, após alocou no terceiro nível as necessidades sociais: família, amigos, intimidades sexuais e, no quarto nível, as necessidades de estima: confiança, respeito e autoestima, no topo da pirâmide Maslow inseriu as necessidades mais elevadas, chamadas de necessidades de auto realização: moralidade, solução de problemas, criatividade e realização pessoal e profissional. Abaixo, Figura 01, baseada na pirâmide de Maslow.

Figura 1: Pirâmide das Necessidades

Fonte: Adaptado de Maslow (1973)

Frederick Herzberg, professor americano, formulou a teoria dos dois fatores para explicar o comportamento das pessoas em situação de trabalho. Ele verificou a existência de dois fatores que devem ser analisados na motivação e satisfação dos funcionários dentro do seu cargo: os fatores higiênicos e os fatores motivacionais.

Os fatores higiênicos são aqueles que representam o ambiente e o modo como os funcionários estão inseridos dentro da organização, eles são de responsabilidade específica da organização e estão diretamente ligados à cultura da empresa. Esses fatores apresentam as condições mínimas para que os empregados estejam satisfeitos ao desenvolverem suas atividades, como exemplo: o salário, benefícios, relação interpessoal, ambiente de trabalho adequado, entre outras. Dessa forma, eles apenas satisfazem as necessidades dos trabalhadores, mas não os motivam em longo prazo, pois, na falta desses fatores, os funcionários serão levados à insatisfação.

Já os fatores motivacionais são aqueles referentes ao trabalhador e que o motivam para realizar suas atividades de forma eficiente, são eles: desenvolvimento profissional, crescimento na hierarquia da organização, atribuições e responsabilidades, auto realização, confiança e reconhecimento pela equipe e superiores.

Douglas McGregor, economista e professor americano, desenvolveu a Teoria de Motivação X e Y. Essa teoria aborda que X e Y são linhas de pensamentos opostas e que discorrem sobre as relações entre os empregados e o seu comportamento dentro das organizações.

A teoria X apresenta uma visão em que os trabalhadores são preguiçosos, com pouca ambição, têm o trabalho como forma de ganhar dinheiro, por isso precisam ser supervisionados e controlados de perto, de modo semelhante à visão da Concepção Clássica. Na teoria Y, os funcionários estão motivados, enxergam o trabalho com naturalidade, e gostam do que fazem, são criativos, responsáveis e competentes.

McGregor define que os gerentes de Teoria Y são mais predispostos para desenvolverem o clima de confiança mútua com seus subordinados, elemento fundamental para motivação e desenvolvimento dos funcionários.

Victor Vroom, professor canadense, desenvolveu uma importante teoria que é estudada até os dias atuais, a Teoria da Expectativa. Ela explica como a expectativa de uma recompensa leva a determinados comportamentos, focalizando estados cognitivos interiores que provocam a motivação. As pessoas são motivadas quando acreditam que seu comportamento resultará em recompensas ou resultados que elas desejam, caso contrário, não se sentem motivadas a adotar esse comportamento. Dessa forma, essa teoria sustenta-se em três conceitos básicos: a valência, forma de percepção e atração que um determinado resultado exerce positivamente sobre um indivíduo; Instrumentalidade, representa a convicção que o trabalhador possui da relação entre executar uma ação e usufruir de seu resultado; Expectativa, são convicções relativas ao vínculo entre fazer um esforço e realmente desempenhar de forma efetiva.