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Concluindo sobre o planejamento territorial

No documento Da experimentação social ao (páginas 184-187)

Fase III: Implementação de projetos, avaliação e re-direcionamentos Nesta fase, a intenção era de reforçar as capacidades de articulação institucional

AÇÃO DE AUTO ORGANIZAÇÃO –

6.5. Concluindo sobre o planejamento territorial

No ano de 2005 teve continuidade o processo de formação e várias oficinas ocorreram no decorrer do ano. Contudo, esse ano foi importante no sentido de se estruturar as “instâncias territoriais” de gestão, já criadas desde 2004. Destacam-se dois espaços importantes: o “Fórum Territorial” e os “núcleos” de coordenação e técnico.

Primeiramente, o Fórum passou a ter uma denominação ampla (embora tenha sido definido anteriormente, na “oficina de gestão e planejamento territorial”, conforme quadro 12), ou seja, “Fórum de Desenvolvimento Territorial Sustentável da Borborema”, com o seguinte objetivo: “primar pelo desenvolvimento sustentável do Território da Borborema no fortalecimento e ampliação da agricultura familiar, com base agroecológica, na participação e controle social”.

A plenária do Fórum, por sua vez, constituía a instância máxima do Território da Borborema com as seguintes atribuições: (i) mobilizar, articular, os atores sociais para consolidar a estratégia de desenvolvimento territorial da Borborema; (ii) propor, definir, homologar, articular a construção coletiva e a implementação do PTDRS; (iii) definir prioridades e selecionar projetos; (iv) articular as instituições e parcerias para elaboração e implementação dos projetos; (v) discutir e aprovar o regimento interno; e (vi) possibilitar o fortalecimento da gestão social envolvendo os principais atores e entidades que atuam no desenvolvimento do território rural.

Para melhor coordenar as plenárias, evitando possíveis “manipulações”, o

Fórum, por meio de sua coordenação, enviou uma “carta circular” (conferir

anexo “v”) a todos os integrantes (ou potenciais membros), solicitando a indicação do representante na plenária, formalizando e organizando a participação no Fórum Territorial (conforme quadro 14, abaixo). Evidentemente, que alguns atores eram membros natos do Fórum e, assim, poderiam participar da plenária, desde que formalizassem a situação. Estes atores eram as prefeituras municipais, os sindicatos de trabalhadores rurais e os conselhos municipais de desenvolvimento rural.

QUADRO 14

Composição da Plenária do Território da Borborema169

Prefeituras municipais

Alagoa Nova; Campina Grande; Esperança; Montadas; Puxinanã; Queimadas; Remígio;

e S.S. Lagoa de Roça. 08 GOVERNO Instituições Governamentais EMPASA EMATER 02 Sindicato de trabalhadores Rurais

Arara; Areia; Lagoa Seca;

Matinhas; Montadas; Queimadas; Remígio;

S.S. Lagoa de Roça; e Solânea. 09 Conselhos Municipais

de Desenvolvimento Rural Sustentável

Alagoa Nova; Arara; Montadas; Puxinanã; Queimadas; S.S. Lagoa de Roça; e

Solânea. 07 Organizações Não Governamentais AS-PTA; INCRO – Areial; ARRIBAÇÃ; 03 SOCIEDADE CIVIL Movimentos Sociais e Organizações dos Agricultores FETAG 01 Total Plenária 30

Fonte: Arquivo do Núcleo Técnico do Território da Borborema. Nov. 2005 (com adaptações).

Enfim, o Fórum Territorial, por um lado, era o objeto das oficinas, espaço privilegiado de formação e de interação, diálogo e consensos entre setores sociais e organizações da sociedade civil e governos. Por outro lado, era também o espaço de deliberação e decisão, em última instância, das propostas para os “projetos” territoriais a cada ano e das ações a serem desenvolvidas pelos atores sociais no território.

Embora ele buscasse estabelecer uma certa autonomia, sua dinâmica ficava muito submissa à agenda da SDT e da consultoria territorial instalada na Paraíba. Faltava ao Fórum uma agenda própria que permitisse tomar iniciativas independentes da secretaria ministerial. Além disso, agravava-se ainda mais pelo fato dele não dispor de recursos específicos que pudessem favorecer uma dinâmica própria. Novamente aqui, os recursos disponibilizados pela Secretaria para formação eram exclusivamente para as oficinas. Caso o Fórum optasse por fazer algum tipo de atividade, alguma formação que não estivesse dentro do interesse da SDT (ou seja, dentro das “ofertas” do programa), cada organização membro teria que assumir os custos. Para algumas organizações, isso até era possível, pois muitas delas tinham como estratégia participar desse espaço e

169 Organizações que responderam à carta circular e formalizaram sua participação no “Fórum

disponibilizavam recursos para isso (caso das ONG’s, órgãos de governos, dentre outras). Contudo, para outras organizações, especialmente, organizações da agricultura familiar, assumir custos com deslocamentos, refeições, hospedagens (muitas vezes), dentre outros, seria inviável.

Repetia-se aí o mesmo problema vivenciado, outras tantas vezes, no processo de consolidação dos Conselhos de Desenvolvimento Rural, criados a partir do Pronaf infra-estrutura. Ou seja, os representantes do governo que participavam dos conselhos eram funcionários remunerados para exercer uma função técnica mais ou menos definida, cumprindo esse papel também nesses espaços. Destacavam-se aí os técnicos de empresa de assistência técnica do estado – Emater, que representavam em grande parte o governo municipal. Já os agricultores se engajavam nos conselhos enquanto militantes que, por sua vez, exerciam atividades múltiplas além de seus trabalhos propriamente ditos. A disparidade se agravava ainda mais “em razão das condições de vida freqüentemente precárias dos representantes da agricultura familiar nos conselhos” (MARQUES, 2004, p. 53).

Por outro lado, os canais de acesso dos integrantes do Fórum Territorial às informações necessárias para tomar iniciativa aos processos eram insuficientes – quando essas informações eram disponibilizadas, vale ressaltar (!), uma vez que nem sempre isso acontecia. Havia excessiva centralização das informações em espaços pouco acessíveis, seja na consultoria territorial seja ainda nas organizações contratadas pela SDT para a coordenação das oficinas. De modo que se estabeleceu um enorme gargalo entre o Fórum e a Secretaria de Desenvolvimento Territorial, no tocando às informações necessárias ao “bom diálogo” e ao andamento da estratégia de desenvolvimento com abordagem territorial. O espaço privilegiado para troca dessas informações era justamente o momento das oficinas – e somente aí.

Por sua vez, o núcleo de coordenação, também criado em 2004 (conferir quadro 15) tinha as seguintes atribuições: (i) coordenar ações do Fórum e do núcleo técnico; (ii) articular atores e instituições no processo de desenvolvimento territorial; (iii) realizar e/ou articular ações e estratégias para implementação do PTDRS e decisões do Fórum; e (iv) elaborar proposta de regimento interno a ser apresentada, discutida, analisada e aprovada pelo Fórum.

Já o núcleo técnico (também no quadro 15), por seu turno, tinha como atribuições: (a) apoiar tecnicamente o Fórum e a Coordenação territorial; (b)

elaborar estudos, diagnósticos, planos e projetos; (c) preparar eventos, reuniões, seminários, oficinas; (d) mobilizar atores sociais do território; (e) apoiar entidades executoras do território na elaboração dos planos de trabalho e encaminhamento da documentação junto à Caixa Econômica Federal; e (f) apoiar na gestão de projetos e recursos do Fórum Territorial.

QUADRO 15

Composição dos colegiados territoriais COORDENAÇÃO

TERRITORIAL NÚCLEO TÉCNICO TERRITORIAL

GOVERNO UFPB, EMATER, BNB, Prefeitura 1, Prefeitura 2.

EMATER, INTERPA, EMBRAPA, UEPB, UFPB, UFCG, Banco do Nordeste, Banco do Brasil.

SOCIEDADE

No documento Da experimentação social ao (páginas 184-187)