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O turismo representa nos dias de hoje um segmento essencial para o desenvolvimento económico e social da maioria dos países. Esta atividade apresenta-se como complexa pois compreende o aproveitamento de recursos, interação com outras pessoas, economias e locais (Zhang et al., 2006). Pelo facto de ser uma atividade de grande impulso económico a nível mundial, tem-se verificado uma grande concorrência a nível internacional, tornando-se os destinos cada vez mais competitivos.

A crescente competitividade dos destinos concorrentes, leva a que os locais turísticos tenham de promover constantemente uma imagem positiva, bem como investir em medidas de melhoria constante na qualidade do destino, pois estas serão cruciais para o processo de escolha dos destinos, por parte dos turistas e futuros visitantes (Baloglu and McCleary, 1999). Por este motivo, os atributos do destino tais como a qualidade dos alojamentos, dos meios de transporte, dos espaços, dos serviços oferecidos e hospitalidade, apresentam-se como fatores críticos para a manutenção de destinos competitivos.

Conhecer a opinião do turista em relação à qualidade e imagem de um destino é importante, pois este será um dos principais responsáveis pelo estímulo económico nas regiões, através da sua utilização e promoção dos bens e serviços turísticos. No entanto, a perspetiva por parte da população local apresenta-se como crucial ao desenvolvimento do turismo, pois este “vive” o local turístico, tendo uma visão mais aproximada e complexa do mesmo (Andereck e Nyaupane, 2011).

A perceção dos habitantes com a qualidade e imagem da região onde vivem é fundamental por diversos motivos. Estes usufruem de todas as instalações de um destino,

formando uma opinião relativamente às mesmas, algo que leva os potenciais visitantes a procurá-los como referência no processo de seleção dos locais a visitar, atuando, portanto, a população local, como geradores de comunicação relativa à região (Choo et al., 2011; Fodness e Murray 1997). Da mesma forma, estes poderão ser levados a realizar mais atividades de lazer dentro da própria cidade ou país, contribuindo para o consumo interno da mesma, levando a um maior desenvolvimento económico (Schroeder, 1996).

Com este trabalho objetivou-se descobrir qual a opinião dos residentes quanto à qualidade do destino Açores, bem como as condicionantes da formação desta opinião. A aplicação do modelo estatístico probit ordenado revelou quais os fatores determinantes na perceção dos Açorianos quanto à qualidade dos atributos em estudo. Foi possível observar que no caso do clima, reservas florestais, locais de estacionamento, postos de informação, trilhos pedestres, observação de cetáceos, estâncias termais, excursões, atividades em montanha e mar, património histórico e cultural, limpeza e sossego, o facto dos indivíduos serem do género masculino leva a que estes tenham um maior nível de probabilidade de considerar como excelentes estes atributos e menor probabilidade de considera-los como muito maus.

A idade tem influência na apreciação da qualidade de atributos como vida selvagem, clima, praias e piscinas, conservação dos espaços e hospitalidade, no sentido em que é maior a probabilidade dos indivíduos considerarem como excelentes estes atributos e menor probabilidade de considera-los como muito maus. Por outro lado, a idade tem influência na apreciação da qualidade de atributos como restauração, alojamento, postos de informação, trilhos pedestres, estâncias termais, parques de campismo, lagoas e cascatas, excursões, atividades em montanha e mar e transportes aéreos e marítimos, pois os indivíduos terão uma maior probabilidade de classificar estes atributos como muito mau, e menor probabilidade de classifica-los como excelentes.

O nível de escolaridade apresenta-se como fator determinante na apreciação da qualidade por parte dos residentes, em atributos como as reservas florestais, restauração, meios de transporte, atividades em montanha e mar, segurança, conservação dos espaços, animação noturna, hospitalidade, transportes aéreos, marítimos e terrestres, onde a probabilidade de considerar os mesmos como muito maus é elevada, e a probabilidade de considerá-los como excelente, é menor.

A situação profissional, por sua vez, tem impacto na opinião dos habitantes dos Açores em atributos como as reservas florestais, meios de transporte, locais de estacionamento, animação noturna, segurança e limpeza, sendo maior a probabilidade dos indivíduos considerarem estes como excelentes e menor a probabilidade de os considerar como muito maus.

O estado civil também apresenta influência na opinião dos moradores Açorianos, pois, para atributos como o clima e praias e piscinas, é mais elevada a probabilidade dos mesmos classificarem estas vertentes como muito más e menor a probabilidade de as classificarem como excelentes. Por outro lado, em atributos como postos de informação, excursões e transportes aéreos, o estado civil dos inquiridos leva a que a probabilidade dos indivíduos considerarem os mesmos como excelentes é superior e é menor a probabilidade de considerarem como muito maus.

O presente trabalho procurou descobrir e analisar a perspetiva dos Açorianos em relação ao arquipélago dos Açores. Os dados revelam que de um modo geral a população está satisfeita com a qualidade e imagem transmitida pelo mesmo. As caraterísticas naturais e atrações e animação turística foram as vertentes que receberam opiniões mais positivas por parte dos residentes. No entanto, há ainda aspetos a melhorar relativamente ao mesmo, nomeadamente os serviços de apoio, que receberam opiniões mais negativas por parte da população local, especialmente no que concerne aos locais de

estacionamento. De igual forma mostraram-se pouco agradados relativamente às condições de acesso na região, sendo os transportes marítimos os piores classificados pelos habitantes Açorianos.

ANEXOS

Anexo I - Inquérito

Este questionário, desenvolvido no âmbito do Mestrado em Ciências Económicas e Empresariais, pretende avaliar o nível de satisfação da população residente relativamente à qualidade de diversas vertentes dos Açores, como destino turístico.

A informação recolhida é confidencial e destina-se apenas a fins académicos. Muito obrigada pela colaboração no preenchimento do mesmo.

Género Feminino Masculino Idade Menos de 20 anos Entre 20 e 30 anos Entre 30 e 40 anos Entre 40 e 50 anos Entre 50 e 60 anos Mais de 60 anos Habilitações Literárias 6º ano 9º ano

12º ano Licenciatura Pós-Graduação Mestrado Doutoramento Situação Profissional Estudante Trabalhador-Estudante

Empregado por conta de outrem Empregado por conta própria Desempregado Reformado Outra __________________ Estado Civil Solteiro Casado Divorciado Viúvo Outro___________________

Classifique na escala o seu nível de satisfação com a qualidade das seguintes vertentes do destino Açores:

Muito Mau Mau Razoável Bom Muito Bom Excelente

Beleza Natural Vida Selvagem Clima Praias/Piscinas Jardins Reservas Florestais Caraterísticas Naturais

Muito Mau Mau Razoável Bom Muito Bom Excelente

Restauração Alojamento Transporte Locais de Estacionamento Postos de Informação Serviços de Apoio

Muito Mau Mau Razoável Bom Muito Bom Excelente

Trilhos Pedestres Observação de Cetáceos Estâncias Termais Zonas Balneares Parques de Campismo Lagoas e Cascatas Excursões Atividades em Montanha Atividades em Mar

Patrim. Histórico e Cultural Animação Noturna

Atrações e Animação

Muito Mau Mau Razoável Bom Muito Bom Excelente

Segurança Limpeza

Conservação dos Espaços Hospitalidade

Sinalização Sossego

Muito obrigada pela colaboração.

Muito Mau Mau Razoável Bom Muito Bom Excelente

Transportes Aéreos Transportes Marítimos Trasportes Terrestres

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