Buscou-se, por meio deste trabalho, contribuir com o País com um estudo sobre as dificuldades do Brasil em desenvolver um satélite nacional de sensoriamento remoto. Estabeleceu-se, como objetivo geral, analisar a política espacial implantada no Brasil, desde a década de 1970, particularmente no que se refere à tentativa de desenvolvimento de satélites de sensoriamento remoto nacionais. Para se atingir este objetivo, levantou-se o seguinte problema: quais as possibilidades e as principais dificuldades do Brasil em se desenvolver um satélite nacional de observação da Terra? Como hipótese, foi proposta que a inexistência de um satélite de sensoriamento remoto nacional está associada à baixa prioridade que o Programa Espacial Brasileiro tem recebido, nos últimos anos, por parte do Poder Executivo, no que tange ao investimento em ciência e tecnologia, particularmente pesquisa, desenvolvimento e inovação. A principal contribuição deste trabalho é a possibilidade de se explorar importantes aspectos sobre os quais se poderão agir, no sentido de melhor fomentar o desenvolvimento de satélites de sensoriamento remoto nacionais.
O trabalho abordou, inicialmente, um breve histórico do programa espacial brasileiro, trazendo à luz a documentação que embasa e orienta o assunto. No capítulo seguinte, foram mostrados os sistemas sensores orbitais e as aplicações das imagens de sensoriamento remoto, onde se verificou a variada gama de possibilidades para o uso das imagens orbitais.
Em seguida, foram analisadas as respostas à pesquisa de campo realizada por meio da coleta de dados dos principais anseios dos usuários de imagens de satélites de sensoriamento remoto, através de levantamento de campo dirigido. Neste contexto, constatou-se que os principais sistemas sensores utilizados por profissionais de sensoriamento remoto no País são eletro-ópticos, de baixa e média resolução espacial, ricos em resolução espectral, porém pobres em resolução geométrica (espacial), em detrimento de imagens hiperespectrais ou de radar. Verificou-se, também, que há demanda por imagens de alta resolução espacial, quando se constata que a maioria dos usuários as utiliza para mapeamento temático, mapeamento cartográfico e atividade de inteligência. Neste diapasão, quando questionados a respeito dos resultados do CBERS, apesar de a grande maioria utilizar suas imagens, os pesquisados alegaram que este sistema sensor
não tem atendido às suas expectativas e necessidades, seja pela qualidade das imagens, pois as câmeras apresentaram problemas no espaço, em diversas oportunidades, seja pelas características técnicas dos sensores. Por fim, quando questionados sobre suas percepções quanto às dificuldades do Brasil para desenvolver seu satélite nacional de sensoriamento remoto, a grande maioria respondeu que o principal motivo é a falta de fomento à pesquisa espacial, seguido da dependência de investimentos governamentais em ciência e tecnologia.
Percepção esta que coaduna com o que foi levantado durante a pesquisa no decorrer do presente trabalho. A despeito do sucesso das conquistas e das possibilidades referentes aos sistemas sensores orbitais nacionais, no capítulo 4 foram abordadas quatro grandes dificuldades que o Brasil enfrenta para desenvolver seu próprio satélite nacional de observação da Terra, voltado para o sensoriamento remoto, e que são: o parco montante de recursos destinado ao programa espacial brasileiro, que dificulta o desenvolvimento de pesquisas científicas; a forte barreira tecnológica imposta pelos países desenvolvidos com relação à importação de produtos e equipamentos da área espacial, que impede de haver transferência de tecnologia na área espacial, daí a necessidade de se investir em ciência, tecnologia e inovação; a falta de recursos humanos, decorrente de aposentadorias precoces e de demissões por problemas salariais, em particular, na década de 1990; e o limitado saldo industrial da MECB, devido às empresas do ramo espacial existentes não possuírem uma escala de negócios que garanta sua sustentabilidade, tendo no Governo seu único cliente, numa situação de total dependência e sem capacidade de investimento próprio.
Com isto, este trabalho de pesquisa confirma a hipótese levantada de que a inexistência de um satélite de sensoriamento remoto nacional está associada à baixa prioridade que o Programa Espacial Brasileiro tem recebido, nos últimos anos, por parte do Poder Executivo, no que tange ao investimento em ciência e tecnologia, particularmente pesquisa, desenvolvimento e inovação, e a complementa, apontando outros óbices que, uma vez sanados, permitirão ao Brasil cumprir as metas e objetivos estabelecidos pela Missão Espacial Completa Brasileira, no final da década de 1970.
REFERÊNCIAS
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SOMMERLATTE, Antônio Eliseu Dias. Programa Espacial Brasileiro: política e estratégia. 2001. 37 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso de Política,
Estratégia e Alta Administração do Exército)–Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Rio de Janeiro, 2001.
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<http://www.ucsusa.org/nuclear_weapons_and_global_security/solutions/space-weapons/ucs-satellite-database.html#.VbQRQvlVjyA>. Acesso em: 11 jun. 2015.
ANEXO A – PESQUISA DE CAMPO
Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE-2015)
Orientador: Cel Eng R/1 CARLOS ALBERTO GONÇALVES ARAÚJO Estagiário: Cel Eng IVAN CARLOS SOARES DE OLIVEIRA
PESQUISA DE CAMPO
O presente questionário destina-se a subsidiar trabalho de conclusão do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), da Escola Superior de Guerra (ESG).
A monografia trata sobre o Programa Espacial Brasileiro e, neste contexto, o(a) convido para participar de uma pesquisa de campo simples, que não levará mais de quatro minutos.
A indústria espacial brasileira já domina cerca de 80% da produção de um satélite, segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi. O último grande gargalo do programa espacial, segundo ele, é o domínio completo do sistema de controle de altitude (orientação no espaço) e órbita de satélites.
(Valor Econômico, NOV 2014)
1) Há quanto tempo o(a) senhor(a) é usuário de imagens de sensoriamento remoto? (a) 1 ano
(b) entre 1 e 5 anos (c) entre 5 e 10 anos (d) entre 10 e 15 anos (e) mais de 15 anos
2) Quais os sistemas sensores (satélites) que o(a) senhor(a) tem utilizado, nos últimos 5 anos? (marque quantas opções desejar)
(a) DEIMOS ... (s) FORMOSAT (ROCSAT)
(b) ENVISAT (t) GEOEYE
(c) ERS (u) IKONOS
(d) SIMOS (v) KOMPSAT
(e) UK DMC (w) NIGERIASAT
(f) China DMC (Beijing) (x) ORBVIEW
(g) COSMO SkyMed (y) PLEIADES
(h) IRS (Resourcesat) (z) QUICKBIRD
(i) LANDSAT (aa) RISAT
(j) MAPSAR (ab) SPOT
(k) RADARSAT (ac) TERRA SAR
(l) RAPIDEYE (ad) THEOS
(m) TERRA (ae) TOPSAT
(n) YAOGAN (af) WORLDVIEW
(o) ALOS (ag) SHIYAN
(p) CARTOSAT (ah) SHIJIAN
(q) CBERS (ai) CHUANGXIN
(r) EROS
3) Qual a aplicabilidade do uso das imagens de sensoriamento remoto que o(a) senhor(a) faz? (marque quantas opções desejar)
(a) Mapeamento cartográfico (b) Mapeamento temático
(c) Estudo e análise de queimadas
(d) Estudo e análise de desflorestamento (e) Estudo de desenvolvimento urbano (f) Manejo de solos (g) Geomarketing (h) Atividade de Inteligência (i) Agronegócio (j) Monitoramento ambiental (k) Outros ____________________
4) Que tipos de sensores o(a) senhor(a) costuma trabalhar? (a) Baixa resolução espacial (maior de 20 metros)
(b) Média resolução espacial (entre 3 e 20 metros) (c) Alta resolução espacial (menor de 3 metros) (d) Hiperespectral
(e) Radar
5) O Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS) tem atendido às suas expectativas e necessidades?
(a) Sim (b) Não
(c) Em parte ___________________
6) Na sua opinião, um satélite nacional de observação da Terra abarcaria um maior
número de áreas de aplicação se tivesse sensores do tipo: (marque quantas opções
desejar)
(a) Óptico
(b) Baixa resolução espacial (maior de 20 metros) (c) Média resolução espacial (entre 3 e 20 metros) (d) Alta resolução espacial (menor de 3 metros) (e) Hiperespectral
(f) Radar
(g) Baixa resolução radiométrica (até 8 bits)
(h) Média resolução radiométrica (entre 8 e 10 bits) (i) Alta resolução radiométrica (mais de 10 bits)
7) Considerando seu conhecimento sobre o assunto, na sua opinião, quais as principais dificuldades do Brasil para desenvolver seu Satélite Nacional de Observação da Terra (SNOT)? (marque quantas opções desejar)
(a) Capacidade tecnológica (b) Capacidade industrial
(c) Projetos de engenharia espacial (d) Fomento à pesquisa espacial
(e) Dependência de investimentos governamentais em ciência e tecnologia (f) Investimento privado
(g) Articulação do governo federal para direcionar ações difusas dos atores do setor espacial brasileiro
8) O espaço a seguir destina-se a algum comentário ou sugestão que o(a) senhor(a) julgue pertinente para contribuir para a pesquisa em questão.
___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________
Obrigado pela sua participação.
Rio de Janeiro, RJ, 25 de maio de 2015.
___________________________________ Ivan Carlos Soares de Oliveira – Cel Eng
Estagiário CAEPE 2015
https://docs.google.com/forms/d/1QU7ZvJAsU_RxHnQEICV5dzyhEGejmneGdc2pNr ZX7TY/viewform?usp=send_form
ANEXO B – PESQUISA DE CAMPO: RESPOSTAS
Programa Espacial Brasileiro
O presente questionário destina-se a subsidiar trabalho de conclusão do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), da Escola Superior de Guerra (ESG). A monografia trata sobre o Programa Espacial Brasileiro e, neste contexto, o(a) convido para participar de uma pesquisa de campo simples, que não levará mais de quatro minutos.
"A indústria espacial brasileira já domina cerca de 80% da produção de um satélite, segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi. O último grande gargalo do programa espacial, segundo ele, é o domínio completo do sistema de controle de altitude (orientação no espaço) e órbita de satélites" (Valor Econômico, NOV 2014).
ANEXO C – SISTEMAS SENSORES MAIS UTILIZADOS
SATÉLITES DE SENSORIAMENTO REMOTO
SATÉLITE PAÍS LANÇA
MENTO ÓRBITA
INCLINA ÇÃO
DURAÇÃO
DA ÓRBITA REVISITA SENSORES
BANDAS ESPECTRAIS RESOLUÇÃO ESPACIAL FAIXA IMAGEADA RESOLUÇÃO RADIOMÉTRICA ALTITU DE VIDA ÚTIL EMPRESA ou INSTITUIÇÃO LANDSAT-7 EUA 1999 Polar, heliossín crona
98,20⁰ 98,9 min 16 dias ETM+ 8 bandas 30 m 15 m 183 km 8 bits 705 km 5 anos NASA
CBERS-2B Brasil e China 2007 98,5⁰ 100,26 min 130 dias 26 dias 5 dias HRC CCD WFI 1 banda 5 bandas 2 bandas ― 20 m 260 m 2,7 m ― ― 27 km 113 km 890 km 8 bits ― ― 778 km 2 anos INPE
QUICKBIRD-2 EUA 2001 98⁰ 93,4 min 3,5 dias PAN
MS 1 banda 4 bandas ― 2,5 m 0,61 m
― 16,5 km 11 bits 450 km 8 anos Digital Globe
IKONOS-1 EUA 1999 98,10⁰ 98 min 3 dias PAN
MS 1 banda 4 bandas ― 3,2 m 0,82 m
― 13 km 11 bits 681 km 7 anos GeoEye
RAPIDEYE (A - E) Alemanha 2008 97,8⁰ 96,7 min 1 dia REIS 5 bandas 20 m 5 m 78 km 12 bits 630 km 7 anos DLR
GEOEYE-1 EUA 2008 98,2⁰ 98 min 3 dias PAN
MS 1 banda 4 bandas ― 1,65 m 0,41m
― 15,2 km 11 bits 681 km 15 anos GeoEye
SPOT-5 França 2002 98,7⁰ 101,4 min 26 dias
HRG HRS VEGETATIO N-2 1 banda 4 bandas 1 banda ― 10 m 1000 m 2,5 m ― ― 120 km 120 km 2250 km ― 822 km 5 anos CNES