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Conclusão: Educar e planejar hoje com o estilo do acompanhamento

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Michal Vojtáš

3. Conclusão: Educar e planejar hoje com o estilo do acompanhamento

A análise fenomenológico-narrativa das experiências do Fundador da Família Salesiana permitiu-nos chegar ao seu estilo de acompanhamento em sete etapas. Esse estilo encontra correspondência na teoria e na práxis da mudança transformadora e na ação em três planos de acompanhamento interpessoal, de grupo e do ambiente. A intervenção do educador enraíza-se na experiência de, por sua vez, ter sido acompanhado, e a credibilidade dos seus gestos fundamenta-se na profunda identidade do educador-acompanhador por ser discípulo. Creio que as sete etapas e o estilo salesiano são válidos ainda hoje, mas devem ser consideradas algumas variáveis do contexto que mudou.

Indico brevemente alguns instrumentos atuais que podem iluminar a prática no acompanhamento educativo dos jovens para opções de vida.

3.1. O projeto de vida como instrumento prático do acompanhamento

Visto o contexto pós-moderno sem referências fortes e compartilhadas, não basta apelar para os “valores”, as “virtudes” ou os “deveres de estado” como antes, numa sociedade em que a maior parte da população era educada por valores e por um imaginário cristão compartilhado. O educador deve trabalhar esclarecendo com o jovem a visão, os valores, e acompanhar a colocação em prática de estratégias personalizadas. Instrumento útil é o “projeto de vida” redigido e criado junto com o educador, que está sobretudo no papel de facilitador. O projeto não é apenas um documento linear de valores, objetivos, atividades e indicadores, mas está na dinâmica do discernimento transformador que envolve, como nas narrações de Dom Bosco, desafios, crises, decisões e saltos de qualidade. O Quadro Referencial da Pastoral Juvenil Salesiana diz sobre isso: “Como cristãos, lemos nesta lógica o projeto de vida sob o sinal da vocação, chamado de Deus que suscita, sustenta e reforça a liberdade do jovem, tornando-a capaz de corresponder com liberdade e alegria à própria identidade e missão.

[...] É nesse espaço que se coloca também a proposta da fé e a resposta do projeto de vida.26 O projeto de vida pode ser construído analisando com o jovem os seus objetivos, perguntando-se o porquê desperguntando-se objetivo para descobrir racional e emotivamente perguntando-se é uma finalidade verdadeira ou apenas um meio para chegar a outro objetivo. A finalidade da sequência de perguntas é chegar ao último desejo intrínseco que pode ser a base do horizonte-vocação e é uma finalidade em si.

Outro itinerário pode ser percorrido com os jovens visualizando o futuro, imaginando os diversos aniversários da vida, a aposentadoria ou o funeral, numa espécie de “exercício da boa-morte”

propositivo.

25 P. Stella, Don Bosco nella storia della religiosità cattolica, vol. 1: Vita, LAS, Roma 1979, pp. 161-162.

26 Dicastério para a Pastoral Juvenil, A pastoral juvenil salesiana. Quadro referencial fundamental, EDB, Brasília 2014, p. 53.

Em seguida, visualizam-se os conteúdos da imaginação descrevendo a narração, as pessoas de referência, os desejos para os vários papéis da vida atual. De aqui pode ter início um trabalho sobre objetivos e estratégias na vida do jovem.27

3.2. O estilo organizativo isomórfico de acompanhamento

Se o acompanhamento for para o educador uma tarefa a realizar, pode levar a bons resultados.

Creio que o processo dificilmente chegará aos efeitos presentes nas biografias dos jovens exemplares, devido à falta da força do testemunho e do conhecimento do educador, que deve estar “adiante”

no conhecimento de si, das próprias motivações, para trabalhar construtivamente com as dinâmicas de transferência - contratransferência. É preciso que o acompanhamento se torne uma “forma”

que estrutura em diversos níveis a organização dos processos e dos ambientes educativos. Por isso, pode-se falar de um estilo organizativo isomórfico.

Nessa direção, mas com um corte específico, move-se o estudo do Salesiano alemão Reinhard Gesing, especialista no campo da formação salesiana. Num de seus escritos, ele compara a função do colóquio com o diretor na tradição salesiana e o diálogo de supervisão do empregado com o seu superior numa determinada empresa multinacional.28 Através da comparação dos dois modos de dialogar, o autor chega à possibilidade de aprendizagem para as duas organizações: os Salesianos poderiam valorizar mais o colóquio (e voltar à sua prática), graças também aos estudos recentes de natureza gerencial aplicados na esfera empresarial; o papel do diretor poderia alargar-se incluindo algumas funções do coach de dar e receber feedback; poder-se-ia ressaltar a importante metodologia do colóquio; e, enfim, poder-se-ia alargar a práxis do colóquio também aos leigos nas obras salesianas como instrumento de coordenação e formação contínua. O estilo salesiano, certamente, deve estar muito além de uma supervisão empresarial, que, como dado de fato às vezes nem existe. Por um falso respeito da autonomia dos educadores e pelas heranças históricas de gerações muitas vezes já passadas, não se pratica o colóquio salesiano que tem um potencial educativo e de coordenação organizativa não indiferente.

3.3. O planejamento transformativo das estruturas educativas

Se o acompanhamento salesiano é o princípio realmente isomórfico no interior da estrutura educativa, deveria incidir não só na comunicação e nos processos interpessoais de supervisão, empowerment, facilitação, etc., mas também em nível de “cultura organizativa” e de identidade da instituição. Dito com termos mais concretos, o acompanhamento deve entrar também como lógica de fundo para o planejamento estratégico. Dos estudos feitos anteriormente, pode-se concluir que o modelo do homem que está na base do planejamento educativo-pastoral salesiano é o homem racional-voluntarista ligado ao planejamento por objetivos. No interior da lógica transacional, como primeiro passo, analisa-se a realidade, depois de planejar os objetivos e as atividades seguintes e, enfim, faz-se a revisão. De per si, se o planejador tem bastante consenso para fazer aprovar o projeto, não precisa da colaboração de outros, mas só de portadores de informações e/ou executores.

Na lógica transformativa, entretanto, o planejamento pode ser concebido sobretudo como instrumento formativo da comunidade educativo-pastoral e só secundariamente como instrumento gerencial. Durante o processo de planejamento dever-se-ia acompanhar os processos de confronto sobre aspectos mais profundos da ação educativa: a identidade interior do educador, as virtudes e as atitudes a ter, os paradigmas, as expectativas, os temores, as esperanças e os aspectos vocacionais

27 Cf. M. VojtáŠ, Reviving Don Bosco’s Oratory: Salesian Youth Ministry, Leadership and Innovative Project Management, STS Publications, Jerusalém 2017, 324 pp. 228-232. Versão italiana: ID., Progettare e discernere.

Progettazione educativo-pastorale salesiana tra storia, teorie e proposte innovative, LAS, Roma 2015, pp. 263-266.

28 Cf. R. Gesing, Das Mitbrudergespräch in einer Ordensgemeinschaft und das Mitarbeitergespräch im Unternehmen.

Ein vergleichende Darstellung unter besonderer Bezugnahme auf das Mitbrudergespräch bei den SDB und das

Mitarbeitergespräch bei RWE, Manuscrito da série “Benediktbeurer Schriftenreihe zur Lebensgestaltung im Geiste Don Boscos”, Benedikbeuern 2004.

mais profundos.

Para garantir peso adequado à transformação, a sequência dos momentos do planejamento poderia consistir em cinco etapas. Parte-se da descrição prevalentemente racional da situação e da revisão dos ciclos anteriores de planejamento que apresentam uma variedade de estímulos e sintomas. No segundo momento, a comunidade desce à parte mais emotiva; elabora uma meta-análise dos paradigmas relacionados com os modos habituais de pensar e sentir, relacionados com as experiências e a história pessoal ou de grupo, para compartilhar em pôr em discussão paradigmas paralisantes e/ou ideologias que se contrastam. No terceiro momento, a comunidade discerne a presença do Espírito que fala na realidade para acolher uma vocação que é dada e que tem o potencial de mudar a perspectivas educativo-pastoral de fundo. O chamado é explicitado narrativamente num horizonte no quarto momento do planejamento: nele é também oportuno fazer experimentar o horizonte em pequenos protótipos para já ter os primeiros feedbacks da práxis. Dessa forma, recupera-se a modalidade típica de “planejar” de Dom Bosco, que narrando propõe aos seus jovens e educadores as histórias educativas dos jovens-modelo ou de situações paradigmáticas. Só, então, se chega ao quinto momento do planejamento operativo, que leva a termo a visão da realidade, estabelece objetivos e estratégias no esforço de alinhar todos os sistemas na direção do horizonte, também com o instrumento da regulamentação, típica de Dom Bosco.29

29 Cf. VojtáŠ, Reviving Don Bosco’s Oratory, pp. 258-283 oppure ID., Progettare e discernere, pp. 283-314.

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Jornadas de

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