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Mapa 15 – Empreendimentos imobiliários

5 CONCLUSÃO

Para compreender o Projeto Vila do Mar, o início do seu processo de construção, seu desenvolvimento e a condição em que se encontra, foi necessário reconhecer em primeiro lugar todo o processo histórico do aglomerado Grande Pirambu: sua origem, sua ocupação, seus conflitos. Escutar homens e mulheres perseverantes, saber das suas lutas e esperanças.

Buscou-se então identificar elementos do passado do Grande Pirambu que se assemelham aos acontecimentos contemporâneos, descrever como o Projeto Vila do Mar encontrou apoio para o seu estabelecimento, considerando a atuação dos movimentos sociais na área, e apontar os avanços e os retrocessos do mesmo, tendo em vista, as contradições entre o discurso produzido pela gestão municipal que está incumbida da realização da obra, e a realidade encontrada no local.

Considerando o exposto acima, foram levantados alguns conceitos, entre eles: movimentos e ativismos sociais, território, desterritorialização, reterritorialização e segregação urbana.

De posse de referências teóricas como: Queiroz (1937), Neves (2000), Rios (2001), Cavalcante (2016), Dantas (2011), Amora (1994). Silva (1992; 1994; 2009), Barreira (1992), Jucà (2000), Souza (2009), Freitas (2004), Gonh (1991), Rolnik (2003; 2015) Haesbaert (2011), Villaça (2001). Corrêa (2000), Rocha (2001) Maricato (2011), Saule Junior e Cardoso (2005), foi possível chegar a algumas conclusões: durante toda a produção do espaço do Grande Pirambu, houve muitas batalhas pelo direito à moradia e por uma vida digna; mesmo com muitas articulações sociais o Grande Pirambu não deixou de ser prejudicado por projetos urbanos contraditórios; a igreja católica foi fundamental na distribuição e organização das comunidades que compõem o Grande Pirambu; o Projeto Vila do Mar procurou inicialmente respeitar os direitos dos habitantes do aglomerado, mas, infelizmente, jamais terá o desfecho idealizado na sua concepção, uma vez que se encontra totalmente modificado, e pior, tem reproduzido as mesmas práticas de desterritorialização, reterritorialização e exclusão social que tanto prejudicou os moradores no passado.

Ao fim dessa pesquisa se pode constatar que um projeto bem intencionado, respeitando os direitos, e os valores, de uma população que

historicamente tem sido alvo do poder perverso do estado, não poderia ter dado certo, pelo menos, não, nesse modelo de sistema econômico e social vigente.

Lamentavelmente, todas as metas, toda a sensibilidade e o respeito às Leis municipais e federais que faziam parte do Projeto Vila do Mar, não se efetivaram. Mandatos acabam e intensões se vão, mas uma grande certeza alivia a inconclusão: houve um avanço, ou pelo menos um desejo de avançar, de alcançar algo, um objetivo para o devir, uma virtualidade, como diria Lefebvre.

O Vila do Mar no Grande Pirambu representa em 2018 um recuo à luta empenhada para a melhoria da qualidade de vida dos moradores do aglomerado. O presente cenário denuncia a falta de intensão da gestão municipal em conduzir o projeto considerando as necessidades dos habitantes daquela área.

A inserção da ZEIS do Pirambu no Plano Diretor Participativo, sem regulamentação até hoje, as modificações físico-estruturais do projeto, a falta de manutenção do mesmo e, por fim, as remoções, tornam impossíveis de se mascarar a realidade do retrocesso. Os desafios enfrentados pelos moradores do Grande Pirambu atualmente são recorrências do passado, isto é, as sucessivas investidas do estado para afastar a população carente de uma área cercada por infraestruturas, a saber, o centro da cidade e adjacências, comprovando como o mesmo atua, ou seja, em oposição aos menos favorecidos.

O protagonismo que se materializou no início da construção socioespacial do Grande Pirambu, na Luta pela desapropriação da área na marcha do Pirambu e na transmutação do Projeto Costa Oeste pelo Vila do Mar precisa ressurgir, e unir forças para combater a retirada de direitos duramente conquistados e seguir alcançando outros.

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