Ao longo desta pesquisa, procurou-se demonstrar a relevância do desenvolvimento e da avaliação dos conteúdos atitudinais no CCEM da ECEME, na recente conjuntura educacional do EB, estruturada dentro da metodologia do ensino por competências. Do estudo realizado, pôde-se inferir que a ECEME, no contexto atual, está organizada dentro dos parâmetros pedagógicos estabelecidos pelo ensino por competências. Nesse sentido, verificou-se que a construção dos conteúdos atitudinais junto aos discentes desta Escola de Alto Estudos Militares vai muito mais além do que simplesmente a adequação da ECEME às normas da área atitudinal do escalão superior, como as NDACA. Os mencionados conteúdos atitudinais mostrados ao longo desta pesquisa foram desenvolvidos, em alguma medida, ao longo da história da ECEME. No passado, a preocupação com o domínio afetivo contribuiu para a construção e consolidação dos símbolos desta Escola, ensejando a identidade e a cultura organizacional deste Estb Ens do EB. Hoje, percebe-se um processo de ensino-aprendizagem fortemente voltado para a incorporação dos conteúdos atitudes inerentes ao Oficial do QEMA, contribuindo, seguramente, para o sucesso e o reconhecimento dos militares formados na ECEME, dentro e fora do país. Observou-se que os antecedentes do ensino por competências, como os AAA, foram importantes para a adoção de uma prática no EB voltada para a dimensão atitudinal nos discentes. Os antigos AAA sinalizaram a necessidade de se trabalhar os aspectos afetivos nas escolas militares. Por outro lado, atestou-se que a concepção atual do ensino por competências preconiza um espectro de possibilidades pedagógicas muito maior para o desenvolvimento e a avaliação dos conteúdos atitudinais a ser melhor explorado, permitindo uma qualificação militar adequada aos cenários desafiadores do mundo contemporâneo. Confirmou-se que a concepção das competências no EB está em perfeita sintonia com as teorias aceitas na atualidade. Nesse diapasão, mostrou-se que os documentos do EB que tratam das competências estão alinhados com os pressupostos teóricos de grandes pensadores, como Perrenoud, bem como Zabala e Laia. Logo, constatou-se que a abordagem por competências é uma ferramenta precisa e valiosa para nortear os rumos do desenvolvimento e da avaliação atitudinal, sendo, pois, uma realidade concretizada nas escolas do DECEx por determinação do Comandante do EB, de modo que não cabe retrocesso e sim aperfeiçoamento dessa sistemática. Percebeu-se, nesta pesquisa, que a ECEME tem sua missão, objetivos e projeto pedagógico muito bem definidos. Desde a origem da Escola, os integrantes deste Estb Ens, a estrutura, bem como os processos estiveram voltados, desde cedo, para o desenvolvimento de competências, especialmente atitudinais, nos discentes. Tal responsabilidade está ligada ao fato de que a ECEME sempre teve o encargo de formar os assessores de alto nível e os futuros líderes do EB, capacitando-os para planejar e conceber estratégias de segurança e defesa em prol do país. Nesse sentido, constatou-se que os conteúdos atitudinais do CCEM atendem ao perfil do assessor e líder que a Escola precisa formar. Verificou-se que o discente do CCEM é estimulado à resolução de problemas militares complexos, mobilizando conhecimentos, habilidades, atitudes, valores e experiências, para solucionar situações-problema. Os discentes devem ser capazes de solucionar desafios que lhe são impostos no contexto de operações militares de guerra e não guerra. Diante disso, observou-se que os conteúdos atitudinais são indispensáveis ao êxito do CCEM, visto que compõem o caráter dos homens que conduziram os rumos da Força Terrestre, seja em situação de normalidade ou não normalidade. Apurou-se que o desenvolvimento atitudinal na ECEME faz parte de uma metodologia muito bem organizada. Verificou-se que o desenvolvimento atitudinal ocorre por meio de práticas escolares próprias da ECEME, como os exercícios de comando, o trabalho de estado-maior por meio de GT e por meio do exemplo técnico-profissional dos instrutores da Escola, além de outras possibilidades. Observou-se, ainda, que a Seç Pscpdg tem papel fundamental na operacionalização dos conteúdos atitudinais nos discentes da ECEME. De igual forma, os agentes diretos de ensino, como os instrutores, têm grande peso nesse processo de desenvolvimento atitudinal dos discentes, fazendo com que os alunos retifiquem ou ratifiquem os conteúdos atitudinais previstos para o curso. No que tange aos mecanismos de apoio do domínio atitudinal, existe o acompanhamento psicológico por meio de especialistas e os feedback realizados pela Seç Pscpdg. Em determinados momentos do curso, os discentes são convidados a comparecerem a Seç Pscpdg, a fim de receberem orientações relacionados ao seu desempenho atitudinal. Dessa forma, estes dispositivos, desenvolvidos por intermédio das intervenções oportunas, revelam-se como recursos imprescindíveis para o desenvolvimento e aperfeiçoamento atitudinal dos alunos deste Estb Ens. Quanto à avaliação atitudinal, entendeu-se que essa atividade é possível, pois decorre de uma observação regular e sistematizada. Esta ferramenta de medição do desempenho escolar ocorre tendo como base a autoavalição, a coavaliação e a heteroavaliação, tal como apresenta as NIDACA e que, por sua vez, está alinhada as NDACA do DECEx. Esse mecanismo certamente favorece uma avaliação mais precisa e efetiva quanto à nota atitudinal, uma vez que se utiliza do conhecido preceito da avaliação gerencial em 360 (trezentos e sessenta) graus. As avaliações dos discentes são realizadas no sistema informatizado da ECEME. Após o lançamento, as informações são convertidas em uma nota atitudinal. Esta, como já foi mencionado, influenciará o grau final do curso e repercutirá ao longo da carreira do Oficial nos processos em que este for submetido. Dessa forma, faz-se necessária, tal como vem sendo feito, uma sensibilização e esclarecimento prévio, no início do ano letivo, aos alunos e à toda a equipe de instrução acerca da relevância destas avalições no CCEM. A partir do questionário aplicado, levantou-se as percepções dos Oficiais já possuidores do CCEM em relação aos conteúdos atitudinais trabalhados na ECEME, a partir da implementação da metodologia do ensino por competências. Tais percepções suscitaram diversas reflexões acerca dos conteúdos atitudinais previstos para o aluno do CCEM, como o conteúdo decisão sendo o mais adequado e o conteúdo criatividade como o menos adequado na formação do futuro Oficial do QEMA. Assim, torna-se imprescindível que a Escola mantenha uma avaliação contínua de toda a sistemática de desenvolvimento atitudinal e envide esforços para identificar, no curso deste processo, os pontos fortes e as oportunidades de melhoria. Conclui-se que os conteúdos atitudinais são primordiais no CCEM, pois permitem uma formação militar condizente com as demandas dos tempos modernos. Depreende-se que o viés atitudinal é imprescindível àqueles que passam pelos bancos escolares da ECEME, os quais deverão demonstrar capacidades para agir eficientemente, seja na guerra ou em tempos de paz, na defesa dos interesses do EB. Do exposto, ao término deste trabalho, pode-se inferir que o desenvolvimento dos conteúdos atitudinais trabalhados na ECEME segue os pressupostos teóricos dos grandes pensadores sobre essa temática e atende aos parâmetros pedagógicos preconizados pelo ensino por competências, uma vez que promove um processo de ensino-aprendizagem fortemente voltado para a dimensão atitudinal. Tal sistemática vem contribuindo para uma formação militar condizente com as demandas dos tempos modernos, permitindo a manutenção e a difusão dos valores e tradições da ECEME, além de fortalecer a imagem da Escola como instituição de ensino de reconhecido prestígio nacional e internacional. Por fim, encerra-se este trabalho com uma citação que representa os militares formados na ECEME e que, em última instância, sintetiza as competências desejadas ao futuro Oficial do QEMA: “O valor dos estudos na Escola de Estado-Maior do Exército não está no muito que o oficial faz como aluno e, sim, no muito que vai realizar depois. O seu diploma só tem valia se valimento houver no desempenho que deve o oficial dar as funções que este documento lhe confere" (Marechal Castello Branco). REFERÊNCIAS BLOOM, Benjamin S. Taxionomia de objetivos educacionais 2, domínio afetivo. Porto Alegre: Globo, 1974. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. 40 ed. São Paulo: Saraiva 2007. BRASIL. Presidência da República. Ministério do Exército. Lei de Ensino do Exército (Decreto nº 9.786). Brasília, DF, 1999. BRASIL. Decreto nº 3.182. Regulamenta a Lei nº 9.786, de 8 de fevereiro de 1999, que dispõe sobre o ensino no Exército Brasileiro, e dá outras providências. 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No documento O ensino por competências na ECEME: reflexões acerca dos conteúdos atitudinais inerentes aos Oficiais do Quadro de Estado-Maior da Ativa (páginas 61-67)