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Parte I – Investigação sobre a problemática Indisciplina em Contexto de Sala de

6. Conclusão

O tema central do nosso estudo, trabalhado nesta primeira parte do Relatório Final, incidiu sobre a problemática da indisciplina em contexto de sala de aula, a qual interfere com o normal funcionamento das aulas, perturba as aprendizagens e afecta a interacção professor-aluno-professor.

Sabemos que a indisciplina escolar é uma temática inscrita na ordem do dia e que poucos temas merecem, na actualidade, tanta atenção da opinião pública, sendo exemplos disso o largo destaque que a impressa falada e escrita lhe confere, as medidas pedagógicas e administrativas que são tomadas pelo Ministério da Educação e pelas escolas, os protocolos especiais celebrados entre a Administração Interna e o Ministério da Educação, a policialização das escolas, a frequência com que ocorrem os chamados conselhos disciplinares e, noutro plano, a organização de seminários, conferências, encontros, acções de formação e iniciativas congéneres que se vão realizando um pouco por todo o lado, tendo o tema como referência.

Através da análise da literatura, evidenciámos que a indisciplina é um problema que afecta o sistema educativo, caracterizada pelos comportamentos desviantes dos alunos dirigidos aos professores, colegas e demais agentes educativos. Pudemos constatar, na análise que fizemos à relação que existe entre as correntes pedagógicas e a indisciplina, que existe uma dualidade de interesses e dificuldades: se por um lado, num sistema educativo onde impera o ensino por transmissão, a indisciplina não se verifica tanto, uma vez que os alunos acabam por se acomodar às regras que lhes são impostas, verificando-se a passagem da disciplina imposta à disciplina consentida, por outro, realçou-se a percepção que na escola onde impera uma “educação nova”, os alunos acabam por conceber a ideia de que tudo lhes é permitido e, desta feita, a liberdade e autonomia que vinga nestes sistemas acabam por se confundir com uma certa libertinagem e comportamentos desviantes.

Verificámos, ainda, que são vários os factores desencadeadores de indisciplina, podendo ter origem na escola e na sociedade, no aluno ou no professor. Constatámos também que, segundo as linhas de investigação mais recentes, existem três níveis de indisciplina: no primeiro, centram-se os aspectos relativos às regras de sala de aula; no segundo estão centrados os aspectos relativos à indisciplina na relação entre pares e o terceiro nível incide nos aspectos relativos aos conflitos entre professores e alunos.

No entanto, como em qualquer estudo desta natureza, existiram algumas limitações. Entendem-se como limitações de qualquer estudo os factores que o condicionam e as condições desfavoráveis que o poderão afectar na sua estrutura e nos seus resultados.

Segundo Almeida e Pinto, citado por Mateus (2008), o trabalho científico, como

se sabe, é agenciador de um processo de produção que desemboca num produto (p. 18) e o produto pretendido com este estudo não consegue libertar-se da subjectividade inerente a todos os processos de natureza social e local, da não possibilidade de generalização, pela natureza da metodologia utilizada e pela amostra limitada, dos comportamentos específicos e múltiplos de todos os protagonistas envolvidos.

No dizer de Mateus (2008), num trabalho desta índole, para além das dificuldades de natureza científica, surgem outras, pois nem sempre é fácil congregar vontades e disponibilidades de tempo.

Salientamos, ainda, que foi difícil a aplicação dos inquéritos por questionário, devido a problemas levantados pelos órgãos de direcção da escola onde os mesmos foram aplicados, pois nem sempre a nossa vontade de fazer coincide com a disponibilidade dos agentes sem os quais não é possível a concretização do trabalho.

Muitas das dificuldades estão em

(…) mobilizar as dimensões pessoais nos espaços institucionais, de equacionar a profissão à luz da pessoa (…), de aceitar que por detrás de uma logia (uma razão) há sempre uma filia (um sentimento), que o auto e o hetero são dificilmente separáveis, que (…) o homem define-se pelo que consegue fazer com o que os outros fizeram dele. (Nóvoa, 1992, p.25).

Todas estas dificuldades apontadas constituíram barreiras a vencer, com maior ou menor dificuldade, mas visando sempre a concretização real do estudo em causa.

Vencidas essas dificuldades, a meta a alcançar tornava-se mais viável. Contudo, por considerarmos que a questão da indisciplina não pode ser analisada à luz de uma leitura que a interprete como a expressão de comportamentos individuais desviantes ou de desenvolvimento de tendências anti-sociais inscritas no material genético dos indivíduos, ponderámos encetar esta investigação de modo a tentar compreender quais as verdadeiras causas da indisciplina em contexto de sala de aula, no que respeita à turma em concreto que serviu de alvo da nossa investigação.

Assim, para compreender se a indisciplina nas aulas de Matemática era causada devido a insatisfação para com a escola, insatisfação na sala de aula, desinteresse para com os temas/conteúdos programáticos abordados nas aulas, desagrado para com o professor da disciplina, problemas de natureza pessoal, relacional, entre outras questões, analisámos os dados recolhidos no inquérito por questionário e chegámos às seguintes conclusões gerais:

 Uma parte significativa da amostra considerou que se sente muito satisfeita com a escola onde estuda;

 A maioria dos inquiridos admitiu que a escola disponibiliza de espaços físicos muito bem equipados, permitindo-lhes trabalhar de forma confortável e rentável e metade da amostra referiu que as salas de aula estão muito bem equipadas;

 A opinião dos inquiridos divide-se quanto à ocorrência de casos de indisciplina nas aulas de Matemática, sendo que a parte mais significativa admite que ocorre algumas vezes, pelo facto de a matéria ser dada em horas em que os alunos já estão cansados e sentem fome;  Mais de metade da amostra considera os temas/conteúdos programáticos

abordados nas aulas de Matemática ou interessantes ou muito interessantes;

 Uma parte significativa da amostra admite que o professor de Matemática cria empatia com os alunos, comunica de forma que todos o compreendam e ajuda os alunos com mais dificuldades de aprendizagem;  As causas mais dominantes que os alunos apontam para a existência de casos de indisciplina nas aulas de Matemática são problemas de natureza pessoal e problemas de relacionamento com os colegas, embora em nenhum dos casos o número da amostra a responder seja significativo.

Constatámos que os dados obtidos neste inquérito por questionário aparentam ser contraditórios pois, embora os alunos se sintam satisfeitos com a escola onde estudam e admitam que as salas de aula estão bem equipadas, que sentem empatia pelo professor de Matemática, que gostam dos temas/conteúdos programáticos desta disciplina, acabam por concordar que nas aulas de Matemática existem casos de

Podemos, assim, de forma sucinta, concluir que a indisciplina nas aulas de Matemática não tem a ver com:

 Descontentamento com a escola;

 Descontentamento com os espaços físicos da escola;  Descontentamento com o equipamento das salas de aula;  Desinteresse para com os temas/conteúdos programáticos;  Descontentamento com o professor da disciplina.

Embora não de forma muito significativa, os dados do inquérito por questionário permitem-nos concluir que a indisciplina nas aulas de Matemática poderá estar relacionada com:

 Brincar com os colegas às escondidas do professor;

 A matéria ser dada em horas que os alunos já estão cansados e com fome;  Problemas de natureza pessoal;

 Problemas de relacionamento com os colegas;  Problemas de natureza familiar.

Sentimo-nos, pois, em condições de afirmar que a problemática desta investigação foi devidamente trabalhada e os objectivos traçados foram alcançados.

Parte II – Experiências de Ensino/aprendizagem realizadas

No documento Luís Paulo Fernandes dos Reis (páginas 54-58)

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