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O modal ferroviário é essencial à sustentação de um preço competitivo às commodities exportadas brasileiras. Ao longo do século XX, observou-se um abandono deste modal no transporte interno de cargas, caracterizada por uma série de fatores históricos, de escolhas políticas e econômicas e que resultaram na solidificação dos entraves ao desenvolvimento e a melhora do desempenho desse modal.

Após 28 anos do início das operações ferroviárias na Inglaterra, iniciaram em 1853 as operações ferroviárias no estado do Rio de Janeiro. O fato de não haver técnicos ferroviários brasileiros necessitou o governo de importar esse pessoal na estruturação das ferrovias no Brasil. Até o período de 1870 verificou-se parco crescimento em sua extensão, contrariamente ao período de 1870 até 1930, aonde grande parte das ferrovias conhecidas hoje foram instaladas.

A crise econômica a partir de 1929 e a entrada no Governo de Getúlio Vargas reuniram as condições necessárias para a mudança na economia brasileira, dando maior espaço ao florescimento das indústrias e ao crescimento do mercado interno, desencadeando, assim, a decadência do modal ferroviário e aquaviário, e a promoção rodoviária.

O sucateamento das ferrovias brasileiras ensejou a criação da Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA) em 1957, a qual foi utilizada para unificar as diversas ferrovias em poucas sedes regionais, reorganizando administrativamente; prevenir o desemprego e recuperar as linhas e matérias rodantes.

O insucesso do governo em praticamente toda a segunda metade do século XX em gerir as ferrovias, adicionado ao início das privatizações na década de 90, permitiram, em 1996, iniciar o processo de concessões das linhas férreas para o setor privado. A transferência das ferrovias da propriedade estatal para a privada resultou em um progresso econômico, no aumento de carga transportada e de locomotivas ativas, na eliminação de déficits operacionais, entre outros.

Atualmente, a malha ferroviária de cargas é composta por, aproximadamente, 29 mil km, estando em 10º no ranking dos onze países com maiores extensões ferroviárias. Nesse mesmo ranking, a densidade ferroviária no território brasileiro, no entanto, se localiza em último lugar.

As cargas transportadas pelas ferrovias variam de cada país, mas de modo geral, as commodities são seu principal produto. No Brasil, o minério de ferro é encarregado pela maior parte do volume carregado nesse transporte, seguido pelos produtos agrícolas. Diferentemente dos Estados Unidos, onde há uma pauta mais diversificada e balanceada, o carvão predomina subsequente aos produtos químicos e minerais não metálicos.

No tocante aos principais entraves para o desenvolvimento do modal no Brasil observamos as distintas bitolas instaladas ao longo da história no País e a não unificação das mesmas para integração do modal; as invasões de faixas de domínio que reduzem a velocidade dos trens e põe em risco os moradores fronteiriços; o entrave governamental da corrupção e dos interesses político-econômicos de uma minoria para se manter no poder; o descaso com o dinheiro dos impostos gerados nos investimentos a melhorar a infraestrutura brasileira e; o atraso nas obras ligadas à infraestrutura que prejudicam o empresariado brasileiro, tendo que achar rotas não tão vantajosas para a transporte das suas mercadorias.

A pretensão do governo até 2025 com os investimentos nos modais de transporte, o chamado Programa de Investimento em Logística (PIL), é investir em infraestrutura para balancear o transporte interno de cargas por modal, elevando a proporção dos modais ferroviários e aquaviário, e uma redução sobre o predominante modal rodoviário.

Aos futuros estudos nesta área, sugere-se a pesquisa no aprofundamento do estudo na seção das bitolas, dos custos numéricos dos entraves e, também, uma comparação internacional dos diferentes produtos transportados pelas ferrovias.

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No documento Logística e o comércio exterior (páginas 71-78)

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