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CONCLUSÃO

No documento MAYANE KAROLINE BAUMGÄRTNER (páginas 48-56)

A amplitude legislativa brasileira na matéria ambiental, muitas vezes não permite ao particular, ou mesmo aos responsáveis pela sua tutela, seja ela coletiva ou individual, saber qual norma se aplica ao caso concreto. Todavia, isso advém de um contexto histórico muito mais amplo.

Com o “descobrimento” do Brasil vigorou no território nacional a legislação portuguesa. Ela era confusa, esparsa e antiga, o que dificultava sua aplicação. Com tempo, o Brasil criou suas próprias leis. Quando se tornou República promulgou o Código Penal e, posteriormente, o Código Civil. Apesar de estas normas preverem algumas tutelas ambientais elas visavam, primordialmente, resguardar o interesse particular e patrimonial.

Na década de 1960 e 70, com o movimento ecologista, percebeu-se a importância da tutela ambiental e o foco passou a ser outro. O que antes protegia o bem particular, agora visava proteger a um bem coletivo. A cada ano o interesse público se sobrepõe, ainda mais, ao interesse particular. Não é diferente no caso das áreas de preservação permanente.

O Código de Águas, 1934, previa apenas um corredor de passagem (restrição administrativa) às margem dos rios navegáveis, em uma distância de 15 m (quinze metros). Essa restrição passou a ser bem mais rigorosa com o Código Florestal de 1965, transformando a área em local de preservação permanente. Esta norma, por sua vez, passou por diversas alterações no decorrer dos anos e, por fim, foi revogado pelo Novo Código Florestal, em 2012.

Todavia, apesar das leis de vanguarda, as políticas públicas não as acompanham. O particular, que antes da década de 30 (trinta) utilizava livremente seus imóveis, passou a ter resguardar pequena área, apenas para a passagem, mas ainda podendo usá-la. Já por volta dos anos de 1960, com o crescente movimento ecologista, ele passou a ser proibido de edificar benfeitorias ou aproximar seus cultivares das margens dos rios. Esse distanciamento foi aumentando, na medida em que as leis foram tornando-se mais protetivas para com o meio. Culminando, assim, em um grande impasse jurídico.

49 A primeira possibilidade para resolver o conflito seria a aplicação do direito adquirido. Ele permite que as construções finalizadas legalmente na vigência de outro código possam ser mantidas. Todavia, no momento em que a tutela ambiental é ampliada, ela, por tratar-se de direito fundamental, passa a ser um direito coletivo e, em tese, aplicado de forma atemporal. Assim como a doutrina, a jurisprudência também não é pacífica sobre aplicação ou não do direito adquirido ambiental.

Outra possibilidade jurídica seria a aplicação dos conceitos de Área Urbana e Rural Consolidada. A Área Urbana tem como principal objetivo a regularização das situações irreversíveis e só foi possível a partir da emenda constitucional que atribuiu ao direito de moradia o status de garantia fundamental.

Por sua vez Área Rural Consolidada tem como principal finalidade uma mitigação e um perdão àqueles que utilizaram até as margens dos rios para o cultivo agrossilvipastoril ou construção de suas casas. Vincula-se, nesse caso, a área a ser recuperada (APP) ao tamanho da propriedade. Essa prerrogativa objetiva proteger as pequenas propriedades rurais de subsistência. Todavia, as áreas rurais consolidadas são tidas, pela Procuradoria Geral da República, como inconstitucionais, por haver um verdadeiro desrespeito ao princípio do não retrocesso.

Ainda, uma terceira solução para evitar ou minorar os conflitos sobre Área de Preservação Permanente é a possibilidade de intervenção ou supressão parcial nela. A primeira possibilidade é o enquadramento como de utilidade pública, o segundo como de interesse social e o terceiro, e mais amplo, são os casos de eventual ou baixo impacto ambiental. Esse terceiro pode, inclusive, ser ampliado por meio de resolução administrativa.

Deve-se, também, levar em consideração que existem casos extralegais para a intervenção nas APP’s. A jurisprudência, por exemplo, vem se consolidando em busca de uma solução para os casos em que, por meio de laudo pericial, se comprove que o mantimento das benfeitorias não causa dano ambiental ou que é possível o manejo sustentável da propriedade. Nesses casos, deve-se primar pelo princípio da proporcionalidade e ser mantida a atividade ou os bens existentes no local.

50 O conflito existente sobre a terra ainda é muito grande. Em um país de dimensões continentais, como o Brasil, a regulamentação não consegue contemplar todas as realidades. Os Tribunais, muitas vezes, tentam encontrar um meio termo entre a proteção ambiental e o interesse particular.

Importante salientar que, pelo que se denota, a cultura brasileira ainda não absorveu toda mudança Legislativa ou de paradigmas em relação ao direito ambiental e a proteção ecológica.

A temática aqui abordada além de extremamente controversa também é recente. O Código Florestal foi publicado em 2012, há apenas três anos. Também pouco pôde o Superior Tribunal de Justiça se manifestar sobre o assunto, já que os recursos judiciais demoram em chegar ou serem apreciadas por ele.

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