O lugar que o teu corpo habita está inscrito na tua imaginação, no teu subconsciente, como um espaço de possível êxtase. Ou ameaça. E se fosses forçado a abandonar as tuas produções espaciais imaginárias? A tortura procura-te, como vítima, que regresses, porque quer menosprezar a sua presa, fazer- te perder a tua identidade como sujeito. De repente não tens escolha; fugir é impossível. Os quartos são demasiado pequenos ou demasiado grandes, as caves demasiado baixas ou altas. A violência exercida pelo [espaço] e através do espaço é a tortura espacial.174
Israel tem-se afirmado como “Estado que ainda não apagou a ‘violência fundadora’
das suas origens”175, desde a expulsão dos palestinianos do seu território em 1948 até à
construção do Muro de Separação nos Territórios Ocupados, atos que incorporaram o urbanismo como arma física e social. Como disse Aldo Van Eyck num discurso na
Universidade de Columbia “a democracia não significa a liberdade para o fascismo”176,
referindo-se ao discurso de ódio transmitido pela arquitetura do pós-guerra e de um novo mundo supostamente mais democrático e livre. Este referia-se ainda à crise no domínio público da disciplina, que deveria produzir elementos comuns, mas que nos deu, desde então, uma cidade “violenta” e sectária, paralela a uma sociedade com os mesmos valores.
No caso particular do conflito Israelo-Palestiniano, as tecnologias de controlo que permitiram a colonização contínua dos palestinianos na Cisjordânia e Faixa de Gaza representam o fim de uma cadeia evolutiva de técnicas e processos de colonização, ocupação e administração desenvolvidos ao longo da história. Todas as alterações conferidas à paisagem são cumpridas através de técnicas e tecnologias do seu tempo e são decisões mutáveis a par da evolução global. Apesar das diferenças nos processos de colonização entre os impérios modernos e o Estado Sionista de Israel, os pressupostos que
174 Bernard Tschumi in AVERMAETE&HAVIK&TEERDS, Tom, Klaske, Hans. Architectural Positions, SUN, Amsterdam, 2009 p. 342
175 ZIZEK, Slavoj. Violência, Relógio D’Água, Lisboa, 2009 p. 107 176 SORKIN, Michael. All Over the Map, Verso Books, London, 2010 p. 58
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visaram o domínio de uma população e a sua redução a homo sacer, tal como, a tentativa de o “domesticar” através do redesenho do seu espaço e da sua cultura, são comuns. Neste caso muito singular, a religião joga um papel de grande importância, já que, houve sempre uma vontade desde a época de administração britânica em redesenhar o território através da destruição e a tentativa de eliminar o sujeito que habitava um lugar de incalculável importância para judeus e cristãos.
Assim, ao contrário dos impérios modernos, que viam a colónia como uma espécie de continuação da cidade-mãe, a metrópolis, exercendo o poder administrativo sobre esta e desenhando o espaço à imagem do seu território, como uma espécie de espelho do colonizador, procurando “educar” o nativo não-moderno através de um controlo legal, cultural e espacial, onde a arquitetura tinha um papel de grande importância por alterar a paisagem visual permanentemente, o Estado de Israel como “nação-lar” do novo homem judeu, recriado após o Holocausto, nutria um sentimento de pertença por um território que contém as origens do seu povo, mas que, séculos depois da sua partida, era habitado por uma outra etnia. “Uma terra sem pessoas para as pessoas sem terra”, foi a frase mais repetida pelos responsáveis desta ocupação e marca claramente a atitude sionista de anexação, separação e expulsão violenta. Esta crença foi uma realidade criada, de modo a esvaziar um território e uma cultura, a islâmica, de sentido. Os árabes eram, neste caso, projetados por Israel como os verdadeiros ocupadores de um território com raízes judaicas e esta lacuna introduzida na história, permitia aos sionistas reocupar um território, que lhes pertenceu na era bíblica, de modo “legítimo” e expulsar um “outro”. Desde o início da ocupação, nunca existiu uma vontade de conviver com este “outro”, de o incorporar num processo de colonização cultural e espacial, existiu sim uma constante tentativa de não- reconhecimento e de expulsão. Israel via a Palestina como um território sem população e como uma tabula rasa onde poderia por em prática a construção de uma nova nação moderna, a partir do zero, conjugando esta criação de uma nova identidade à história secular do povo judeu.
O desenho do espaço israelita teve sempre uma componente laboratorial de experimentação, conjugada com o reflexo das correntes globais de construção espacial. Tal como nos é introduzida por Michel Foucault, a continuidade histórica dos processos hegemónicos de ocupação e controlo urbano, também são notórios nos Territórios Ocupados, pelas diferentes ferramentas e processos postos em prática ao longo das décadas. O modo como o espaço condiciona e é condicionado pelas ações dos sucessivos governos do Estado de Israel, tem de ser analisado na sua mutação histórica constante.
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Desde a fundação de Israel, na era de David Ben-Gurion, a ideologia sionista ligada ao socialismo, fez uso da corrente modernista europeia, que via na arquitetura e urbanismo a criação de um novo tipo de cidade e sociedade para um novo homem, fundido com a máquina e com a tecnologia, para iniciar um processo de criação espacial de um estado moderno e capaz de se reinventar. Mas este aproveitamento era reciproco, já que, grandes nomes dessa corrente usaram cidades como Telavive e Haifa para experimentarem no limite, um novo tipo de cidade, aproveitando um recomeço tão marcante para porem em prática as suas ideias. O mesmo aconteceu na fase de revisão crítica do modernismo e na sua transição estética para o pós-modernismo. Esse período de recriação arquitetónica, que via no renascer historicista uma mais-valia, aproveitou a vontade do judeu em criar uma identidade visual nova que conjugasse o seu passado bíblico com um presente próspero, de modo a quase anular a cultura palestiniana como cultura descendente da tradição judaica e como cultura não-genuína daquele lugar. Grande parte do debate pós-moderno foi feito à volta de Jerusalém, uma cidade que concentrava o passado histórico das três principais religiões monoteístas e que serviu de laboratório para experiências estéticas que fundiam um passado desenterrado com os novos métodos e conhecimentos adquiridos.
Este caráter experimental sempre correu o risco e efetivamente alterou a paisagem de modo irreversível, expulsando, destruindo, física e simbolicamente, povoados palestinianos já consolidados para os transformar em cenários irreconhecíveis para quem lá habitava, querendo assim apaga-los da memória coletiva de um povo na tentativa de abalar a sua vontade de um regresso a casa. Já a época áurea de colonização, que despoletou nos anos 80, na Cisjordânia, coincidiu com a presidência de Ronald Reagan nos EUA e de Margaret Tatcher no Reino Unido e com o nascer das gated communities, procuradas e desenhadas para uma classe média em ascensão, que se refugiava nestes espaços, da violência e da pobreza que eles mesmos ajudaram a produzir. Os colonatos israelitas nasceram da iniciativa do governo, que pretendia criar um determinado ambiente para a população palestiniana. A imagem destes colonatos e subúrbios, com as cercas em arame farpado e as patrulhas com soldados em vigilância constante, entram em contraste com os estilos da arquitetura nativa e com as suas formas de vida, numa política que relembra a sectorização e guetização existentes no mundo ocidental e transmite uma mensagem de impossibilidade quanto à partilha de um espaço único para duas classes de civis e duas culturas diferentes. Os espaços compartilhados transformam-se assim em campos de batalha cujo aumento da violência é paralelo ao crescimento do ódio entre judeus e árabes, um ódio criado precisamente pelas políticas de expulsão e segregação espacial, que têm
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como consequência a revolta e a rejeição do “outro”, sentimentos que incitaram o nascimento de fundamentalismos de ordem étnica e religiosa.
A estratégia israelita de anexar território sem a presença humana foi imposta aos palestinianos através de um complexo sistema compartimentado de exclusão espacial. Mas se inicialmente as políticas de separação eram mascaradas como fórmula para uma colonização “pacífica”, depois dos acordos assinados em Oslo a tomada de decisões unilateral acelerou a fragmentação do território, deixando o exército de Israel no controlo de um “arquipélago” formado por mais de 200 zonas separadas e com autonomia limitada. O poder militar administra hoje estas áreas através de uma filtragem e controlo de fluxos, transformando as fronteiras em mecanismos de controlo. Os checkpoints militares e o Muro de Separação foram introduzidos numa geografia por si só complexa, como armas de segregação e sensores, numa rede de vigilância à escala territorial. Se inicialmente Israel preparou um domínio baseado na expulsão e presença territorial, sob a forma de governação direta das populações ocupadas, atualmente o controlo é pensado por detrás destes espaços amuralhados, através da abertura e encerramento seletivos de diferentes válvulas urbanas. Este processo assemelha-se a uma espécie de globalização política por parte de Israel, que aplica os mesmos instrumentos dos EUA na área fronteiriça com o México, que de algum modo se assemelham ao maior dispositivo de controlo à escala global, o aeroporto. Este checkpoint internacional controla através de sistemas de vigilância e registro de informação os fluxos entre diferentes estados, fazendo o mapeamento do fluxo de capitais através da circulação dos corpos, este dispositivo é uma representação teórica da cidade capitalista, com os seus espaços comuns, os seus espaços comerciais de consumo e o seu esquema que separa o cidadão comum da ameaça.
Este estímulo das políticas de medo, separação e controlo visual são o último gesto na consolidação de “enclaves” e na propagação física e virtual de fronteiras no contexto mais recente da guerra contra o terrorismo, impulsionada com os ataques contra as Torres Gémeas de Nova Iorque, a 11 de Setembro de 2001. A arquitetura da ocupação pode ser aqui vista como um acelerador de outros processos da política global, como um caso extremo da globalização capitalista e consequentemente da sua política espacial. Aqui, a expressão laboratório é retratada pelas técnicas de domínio, bem como pelas técnicas de
resistência que se multiplicaram neste “presente colonial”177, com repercussões num
contexto global, de que nos fala Derek Gregory. Os Territórios Ocupados constituíram uma espécie de descrição esquemática de um sistema conceptual cujas propriedades servem
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para compreendermos outros problemas territoriais. Um caso flagrante está na grande semelhança entre a fase mais recente deste conflito e a invasão norte-americana nos territórios do Afeganistão e do Iraque, onde é clara a aplicação dos mesmos padrões e mecanismos violentos, do ponto de vista militar e urbano, num renascer do sentimento orientalista e das políticas de colonização económica.
Nesta reflexão a linha cronológica que Foucault tenta compreender espacialmente, pelo exercício do poder através do conhecimento, é iniciada com a destruição e expulsão da população árabe, seguida da ocupação territorial através da construção de uma rede de pontos geográficos estratégicos conhecidos como colonatos, que incapazes de garantirem a segurança dos seus habitantes contra ataques da “guerrilha” palestiniana foram mais tarde cercados por um elemento de separação e controlo trazendo-nos à espacialidade fragmentada e tridimensionalmente complexa de hoje, como o estado final e utópico da separação espacial entre israelitas e palestinianos, que demonstra a impossibilidade de qualquer resolução, quer de divisão, quer de partilha. A separação vertical, com cada um dos países a ocupar diferentes camadas espaciais, consiste num processo experimental de distanciamento, onde as várias fronteiras do conflito se manifestam em diferentes latitudes
topográficas. Esta solução, inicialmente sugerida pelo arquiteto israelita Tuvia Sagiv178 visou
conectar os diferentes colonatos por linhas infraestruturais desenhadas num espaço tridimensional como solução unilateral. Esta solução surge como a corporalização do falhanço que foram as várias tentativas de partição e até encarceramento dos palestinianos no seu próprio território. Esta ocupação teve sempre tremendos efeitos no tecido urbano porque operou sempre de modo espacial, multiplicando a divisão de soberanias pelo território. A sobreposição de duas geografias políticas que tentam habitar um mesmo espaço fragmentado foi o fruto de intervenções de planeamento que estiveram sempre dependentes de decisões políticas.
Por tudo isto, o título desta conclusão serve quase de provocação à disciplina de arquitetura. Uma vez que, se a arquitetura foi utilizada como instrumento de ocupação, segregação, controlo e divisão, esta dependeu sempre de posições políticas e jurídicas e por isso mesmo, num eventual cenário de resolução do conflito, esta resolução passaria em primeiro lugar por um entendimento entre os dois países e apenas mais tarde por uma pesquisa e identificação de soluções ao nível espacial que possibilitassem um acordo bilateral com um ou dois estados soberanos.
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Figura 99 – Plano com a fragmentação do espaço palestiniano e com a possibilidade de conexão entre os diferentes enclaves.
COLONIALISMO COMO LABORATÓRIO URBANO 131 Figura 100 – Desenho esquemático de Labbeus Woods, com a representação do projeto Metastructure em alçado.
Figura 101 - Desenho esquemático de Labbeus Woods, com a representação do projeto Metastructure em corte.
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Neste ponto é-nos também importante compreender que a arquitetura por si só não gera efeitos espaciais positivos ou negativos, já que, para isso, as intenções do arquiteto têm de coincidir com as práticas de quem irá habitar o espaço projetado por ele e como
nos diz Michel Foucault “a única garantia para a liberdade é a própria liberdade”179. De
qualquer modo, uma solução parece-nos hoje improvável ou mesmo impossível, já que, chegamos a um ponto em que a violência imprimida na paisagem alterou por completo o país que os palestinianos conheciam. Hoje a Palestina não é mais do que um conjunto de espaços separados, ou um território fragmentado, efetivamente administrado por Israel (ver figura 99). Esta descontinuidade espacial impede a construção de um estado soberano, até pela inexistência de uma fronteira que divida os dois países (o que temos é um conjunto de fronteiras impostas, que criam “enclaves” e uma divisão demasiado complexa para poder ser respeitada) e Israel, que apesar da ilegalidade do processo, não está na disposição de negociar uma devolução ou uma retirada dos Territórios Ocupados na Cisjordânia. Mesmo que essa retirada fosse hipoteticamente possível, a Faixa de Gaza, um dos fragmentos territoriais que fazem parte da Palestina, encontra-se demasiado distante do restante território para poder ser parte constituinte de um futuro Estado Palestiniano. Precisamente por não estarmos a falar de um caso comum de colonização, onde o ocupante anexa um todo, mas antes de um caso de pós-colonização onde foi atribuído parte de um território ao povo judeu que, sentindo-se ameaçado pelos países árabes e ao mesmo tempo dono de um território que lhe pertenceu num passado distante, iniciou um processo de anexação e expulsão de todos os elementos pertencentes a uma diferente etnia que resiste e que têm o direito legal ao seu espaço, este processo trouxe-nos um futuro encerrado em impossibilidades e utopias.
No campo utópico, duas propostas para a resolução de casos inseridos no “urbanismo de conflito” foram desenhadas pelo arquiteto e teórico norte-americano Labbeus Woods e por Viktor Ramos, um jovem arquiteto norte-americano. Estes projetos têm a particularidade de propor para casos semelhantes duas resoluções opostas: a divisão e
a conexão. Labbeus Woods, no seu projeto Metastructure180 (ver figura 100, 101 e 102),
propõe para um caso de invasão e ocupação territorial, a construção de um muro. Este não seria construído como uma espécie de fortaleza, de modo a repelir o invasor, mas funcionaria antes como uma esponja que o absorvesse para o seu interior. O muro é um elemento alto, com um vasto labirinto de espaços interiores conectados, criando um sistema estruturalmente indeterminado, extremamente difícil de destruir. Uma vez dentro
179 LEICH, Neil. Rethinking Architecture, Taylor&Francis Ltd., London, 1997 p. 351 180 Labbeus Woods in http://lebbeuswoods.wordpress.com/2009/02/07/metastructure/
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dele, estaríamos perdidos, não poderíamos escapar, morremos aí, ou habitamos o espaço e nos adaptamos a ele, podendo mesmo nascer dele uma cidade. Woods propôs esta construção teórica como uma fantasia, impossível de ser realizada. Contudo, como metáfora e ao mesmo como estratégia arquitetónica, tem interesse, já que, o muro pode ser pensado para a transformação, não apenas como divisor, mas para ser pensado como elemento de união, dependendo apenas do seu desenho.
Já Viktor Ramos, consciente da fragmentação do espaço palestiniano e israelita nos Territórios Ocupados, propõe um desenho para a sua unificação. No caso israelita, temos um conjunto de colonatos dispersos pelo território, como pontos que marcam uma ocupação quase medieval de um território estrangeiro. Mas esses pontos estão conectados através de grandes infraestruturas possibilitadas pelo investimento do Estado Israelita, que financia tanto a vida e desenvolvimento dos colonatos como os seus sistemas de comunicação com Israel. O contrário acontece na parte palestiniana da Cisjordânia, onde o conjunto de “ilhas” ou “enclaves” dispersos no território, estão isolados tanto dos grandes centros urbanos como das zonas de trabalho e educação, impossibilitando, tanto a existência de um Estado Palestiniano e de uma economia produtiva, como de um futuro para o território e para a sua população. No projeto The Continuous Enclave: Strategies in
Bypass Urbanism181 (ver figura 103, 104 e 105), Ramos propõe a ligação dos diferentes
enclaves palestinianos através de um conjunto de megaestruturas, que contêm todos os elementos necessários ao desenvolvimento de uma futura Palestina. Este projeto explora como novas formas de arquitetura habitável poderão conter uma solução para a situação geopolítica do conflito. O resultado é uma especulação espacial, onde um conjunto de edifícios-ponte que contêm ligações viárias, habitação, complexos agrícolas e linhas infraestruturais, passam pelo espaço aéreo israelita para conectarem as “ilhas” dispersas de um território palestiniano e exporem um modo dos dois países viverem separadamente num mesmo espaço.
Apesar destes estudos para situações complexas de conflito internacional serem algo recente, o seu caráter fantástico, e quando digo fantástico refiro-me ao campo da fantasia, impedem a sua aplicação à realidade física. Mesmo se essa aplicação fosse possível, ela estaria sempre dependente de decisões políticas que atuam sem um pensamento conjunto com as disciplinas espaciais, que numa fase final, marcarão o território por vezes de forma irreversível. Por não serem processos operativos e simultâneos, a disciplina em discussão depende sempre de um conjunto de decisões muitas vezes burocráticas para
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entrar em cena e como tem sido demonstrada uma falta de vontade para essas mesmas decisões trazerem um desfecho a esta ocupação, o caminho a percorrer parece-nos infinito. Se de um lado temos um país que procura a sua soberania e autonomia com a definição de limites territoriais, do outro lado temos um Estado Israelita insistente em prolongar os seus mecanismos de ocupação até conseguir eliminar qualquer vestígio físico e humano da Palestina. Esta atitude de Israel trouxe-nos a uma última fase, onde os palestinianos, encarcerados dentro dos seus pedaços de território, resistem e criam anticorpos étnicos contra a população judaica, regredindo na sua vontade de negociar e aceitar uma solução de dois estados e esperando pacientemente regressar a casa e habitar todo o território da Palestina pré-1948. Um sentimento fomentado principalmente dentro dos campos de refugiados, que mantêm a sua situação precária, negando aquele espaço como seu e esperando voltar a um lugar que já não existe tal como o deixaram.
Figura 103 – Esquema representativo da implantação da megaestrutura pensada por Viktor Ramos para os Territórios