4. Revisão de Literatura 1 Trabalhos correlatos
4.2. O Modelo de Shannon e Weaver
4.2.5. Conclusão sobre o Modelo de Shannon e Weaver
Em seu trabalho para determinar o limite de informação que poderia transitar por um canal físico, Shannon partiu de uma unidade de informação adequada ao escopo que estudava, o dígito binário (bit). Ele chegou à capacidade do canal a partir do cálculo da entropia da fonte de informação, obtida considerando suas propriedades estatísticas (como a distribuição das frequências das letras na formação das palavras) e as características da codificação – a formatação da informação (uma sequência de bits) em sinal adequado ao canal.
O fluxo informacional na auditoria pública foi estudado a partir de uma analogia com aquele trabalho. O canal por onde a informação vai transitar depende de cada situação. Pode ser, por exemplo, o conjunto de pessoas que têm que ler os documentos e dar destino a eles (dirigentes de uma unidade de auditoria, por exemplo, que precisem tomar decisões a partir das informações contidas nos relatórios que recebem). Genericamente, o canal é a ligação entre o criador de um documento e seu usuário. O processo de codificação abrange as regras gramaticais, a linguagem própria da área de estudo (que nesta pesquisa é a auditoria), com os
conceitos que lhe sejam peculiares, e a concatenação das ideias. Quanto mais precisa a linguagem, melhor a codificação e o uso do canal de comunicação.
Como já visto, há informação excedente que é útil (permite conviver com o erro, corrigindo-o até certa medida), e há também a redundância inútil, que é simplesmente desperdício do canal. A cultura organizacional pode ser determinante na quantidade de redundância inútil produzida, e para testar esse pressuposto há que se analisar também os aspectos sociais de todo o processo. A Figura 05 ilustra essas inter-relações.
Figura 5: Relacionamento entre necessidade informacional, cultura e teoria da comunicação.
Fonte: elaborado pelo autor.
E qual seria o propósito de se estudar o ciclo de informação a partir de uma teoria matemática? A Ciência da Informação, que tem característica multidisciplinar e interdisciplinar e histórico de aliar atividades práticas com estudos teóricos, oferece aos pesquisadores possibilidades de buscar em outras áreas de conhecimento elementos que possam contribuir para sua evolução.
Assim, tanto a partir de um ponto de vista teórico quanto prático, cientistas da informação estão interessados na estrutura de seus objetos de estudo – informação. Mas, como os exemplos acima indicam, muitos cientistas sociais e comportamentais estão interessados em estruturas subjacentes também. Muitos engenheiros, baseados no trabalho de Shannon e Weaver, dentre outros, estão interessados em informações. O que, então, é distintivo sobre a teoria da ciência da informação? Estamos interessados em informação como um fenômeno social e psicológico. A informação que nós estudamos geralmente se origina de uma ação humana, de
Cultura – aspecto social
Estado burocrático, tendência ao acúmulo de dados, ineficiência,
desperdício --> excesso de informação a transmitir e armazenar
Necessidades informacionais da auditoria pública
Teoria Matemática da Comunicação
Unidade de informação – ruído – redundância – canal – codificação
principal, mas não único, é em informação registrada e relacionamento das pessoas com ela. (BATES, 1999, p. 1047-1048). O estudo teórico do ciclo informacional associado a uma aplicação já foi defendido por pesquisadores em Ciência da Informação:
Ciência da Informação é a ciência de sistemas de informação. Estuda a informação (como um processo, como produto ou como um estado de consciência), assim como seus cinco subprocessos básicos – geração, processamento, comunicação, armazenamento e uso – a fim de otimizá-los (note que todos esses processos são dependentes do tempo e de recursos). O seu objetivo é o de facilitar a transmissão do conhecimento de uma pessoa para outra e de uma geração para a outra, de modo a acelerar o progresso da humanidade. (DRAGULANESCU, N. apud ZINS, 2008, p. 337). Os principais conceitos tratados no modelo de Shannon e Weaver estão presentes na comunicação humana e é possível aproveitar muito do que foi desenvolvido na Teoria Matemática da Comunicação para estudar o fluxo informacional. As mensagens humanas, as interpretações e os significados estão sujeitos aos mesmos fenômenos – ruído, redundância, restrição de canal. Há elementos essenciais (as unidades básicas de informação a serem transmitidas), há codificação e decodificação.
Um tópico relevante tanto para a engenharia quanto para o sistema ora estudado é a eficiência da codificação, assim definida por Shannon: “A razão entre a taxa real de transmissão e a capacidade C12 pode ser chamada de eficiência do sistema de codificação.” (SHANNON, 1948, p. 18). Weaver também tratou dessa questão:
Em termos dessas ideias, é agora possível caracterizar precisamente o tipo mais eficiente de codificação. O melhor transmissor, de fato, é aquele que codifica a mensagem de modo tal que o sinal tenha as características estatísticas mais adequadas ao canal a ser usado – o que de fato maximiza a entropia do sinal (ou, pode-se dizer, do canal) e a faz igual à capacidade C do canal. (WEAVER, 1949, p. 8). Isso implica dizer que ao se transpor ideias para um texto ou uma apresentação, por exemplo, há que se respeitar as características do canal de comunicação – o conjunto de capacidades que viabilizam a comunicação tanto na emissão quanto na recepção da informação. A mensagem deve ser adequada ao
suporte ou à forma da transmissão (texto, imagens, sons) e ao tempo disponível para ser comunicada. A linguagem escolhida deve ser precisa, com o mínimo de redundâncias, sem ambiguidades, e os conceitos devem ser bem empregados. A propósito, é fundamental que emissor e destinatário dominem o mesmo idioma, incluindo os conceitos peculiares ao assunto tratado, a fim de se evitar ruídos por interpretação divergente.
Conclui-se, portanto, que com as devidas adaptações o modelo é aplicável e pode servir de referencial teórico para o estudo do fluxo informacional do ciclo de auditoria pública.
4.3. Busca e recuperação da informação na auditoria pública federal