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O território composto pelas Malvinas/Falklands e ilhas do Atlântico Sul é extremamente estratégico devido à enorme quantidade de recursos naturais. Algo que britânicos e argentinos não abrem mão, tendo em vista se tratar de uma gigantesca área, rica em pescado, petróleo, água, minérios, etc.

Na contenda, que opõe uma potência econômica e militar a um país emergente da periferia do sistema internacional, o Reino Unido tem obtido vantagem.

Face à postura das autoridades britânicas, que historicamente têm se recusado a abrir espaço para a discussão da soberania sobre as ilhas, os recursos localizados na fronteira marítima argentino-britânica seguirão sendo explorados não apenas por empresas das Falklands como também por empresas de países europeus e asiáticos, autorizadas pelos britânicos a atuar no mar territorial das ilhas. Tais recursos, na ótica do governo argentino, são vitais para as gerações futuras do país. Posição que termina por perpetuar a rivalidade entre Buenos Aires e Londres e as disputas na fronteira marítima.

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Atenção a crianças e adolescentes na região de fronteira: interface com as políticas de drogas

Camila Viviane Lui De Sousa1 Resumo: Esse artigo visa trazer reflexões sobre o cuidado em saúde mental específico para os usuários infantojuvenis de álcool e outras drogas e possíveis apontamentos para uma política em consonância com os direitos das crianças e adolescentes e com a reforma psiquiátrica brasileira. É necessário ampliar os estudos, a partir de dados epidemiológicos e de perfil populacional, com o diálogo entre diversos saberes é possível construir uma política de drogas que não criminalize, mas leve em conta, os direitos das crianças e adolescentes.

Palavras-chave: Saúde mental; Drogas; Crianças; Adolescentes.

Attention to children and adolescents in the border region: interface with drug policies

Abstract: This article aims to bring reflections on mental health care, specific to child and youth users of alcohol and other drugs and possible notes for a policy in line with the rights of children and adolescents and with the Brazilian psychiatric reform. It is necessary to expand the studies, based on epidemiological data and population profile, with the dialogue between different types of knowledge, it is possible to build a drug policy that does not criminalize, but takes into account, the rights of children and adolescents.

Keywords: Mental health; Drugs; Children; Adolescents.

1 Terapeuta Ocupacional, Mestre pelo Programa Interdisciplinar de Estudos Latino-Americanos (UNILA), Doutoranda do Programa Sociedade Cultura e Fronteiras da UNIOESTE. E-mail: [email protected]

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1 Introdução

A realização do debate sobre a questão das políticas de drogas/saúde mental no Brasil e o recorte sobre a atenção às crianças e adolescentes, necessita de uma breve localização histórica do uso das drogas e as primeiras políticas regulamentadoras.

A política internacional hoje tem como principal diretriz a “Guerra contra as Drogas”. Segundo Henrique Carneiro (2002, p. 115): “O século XX foi o momento em que esse consumo alcançou a sua maior extensão mercantil, por um lado, e o maior proibicionismo oficial por outro”. O autor também afirma que embora existiram diversos tipos de regulamentações sociais na história, foi no início do século XX que se institucionalizou o proibicionismo internacional.

A política proibicionista separou a indústria farmacêutica, a indústria do tabaco, a indústria do álcool, entre outras, da indústria clandestina das drogas proibidas (CARNEIRO, 2002). No Brasil, essa política chega em meados da década de 1940 e segue o modelo imposto pelos EUA. Assim, o álcool e o tabaco são as drogas permitidas e pouco controladas, mas outras substâncias são ‘condenadas a erradicação’, como a coca e a maconha.

Carneiro também relaciona o uso da maconha ao racismo, já que sua chegada ao Brasil tem relação com a chegada dos primeiros escravos africanos (CARNEIRO, 2016).

Assim, há uma contradição entre o histórico da construção das políticas que tangem à proibição das drogas com aquelas dirigidas à população que estabelece uma relação de dependência ou uso abusivo de álcool e/ou outras drogas, já que a diretriz fundamental do cuidado na Saúde seria a estratégia de redução de danos que compreende a possibilidade de realizar um uso de forma não danosa à saúde, ou seja, compatível com uma política de drogas que permita o comércio (BRASIL, 2005a). No Brasil, também é importante estabelecer a inter-relação com a história da construção de uma forma alternativa de cuidado em Saúde Mental, a chamada Reforma Psiquiátrica e o cuidado em dependência. A necessidade de ter outro olhar para o sujeito que necessita de atenção em saúde e que respeite seu contexto, que o entenda como parte ativa do tratamento e, principalmente, que não compreenda o isolamento social como cuidado para quem possui transtornos mentais, faz parte dessa política que faz contraponto aos antigos manicômios.

Uma das principais problemáticas hoje no tratamento em álcool e drogas é a volta do tratamento fechado, e não no território onde o indivíduo vive, como estratégia de cuidado, dado que a abstinência é apresentada como solução, a internação aparece como uma das poucas saídas possíveis. A introdução das comunidades terapêuticas ganhou espaço com a entrada das mesmas como serviços que podem fazer parte do tratamento das dependências (BRASIL, 2015).

Dessa forma, secundariza-se a estratégia de redução de danos, que em si avança no sentido de um olhar mais complexo para o cuidado com o dependente. Esta alternativa é mais favorável já que não baliza a intervenção sobre o uso da droga em si, mas sobre a meta de reduzir os possíveis danos à saúde, decorrentes do uso intensivo de diversas drogas, lícitas ou ilícitas. Em suma, não necessariamente se volta para a abstinência como objetivo final.

Além disso, é necessário um olhar específico para o cuidado infanto-juvenil, suas demandas específicas, assim uma abordagem que não compactue com as criminalizações do usuário de drogas, mas que acolha o sofrimento e garanta direitos. O contexto de fronteiras, em específico a cidade de Foz do Iguaçu, é apresentada aqui como um território com diferencial em relação a outros do país. Assim, esse artigo visa trazer reflexões, sobre o cuidado em saúde mental, específico para os usuários infantojuvenis de álcool e outras drogas e possíveis apontamentos para uma política em consonância com os direitos das crianças e adolescentes e com a reforma psiquiátrica brasileira.

No documento Vista do Revista Tempo da Ciência (páginas 136-141)