5. Conclusões e Trabalhos Futuros
5.1 Conclusões
O problema de controlo automático de pressão arterial é um tema de extrema importância social e diversas estratégias são reportadas na literatura. A estratégia MMAC é uma delas, e uma das vantagens de sua utilização é o fato de não precisar estimar parâmetros para identificar o paciente. Na revisão da literatura, observa-se que estratégias de controlo preditivo são ferramentas de grande utilidade para sistemas com grandes atrasos, como é o caso do controlo de pressão arterial. Nesta tese, pretende-se dar uma contribuição aprofundada na solução do problema de controlo automático de pressão arterial, utilizando as estratégias de controlo preditivo e MMAC, no desenvolvimento de um Controlador Preditivo Multi-Modelo Adaptativo (MMAPC).
A seguir são listados as principais contribuições e conclusões desta tese:
• A partir da revisão da literatura, percebe-se que todos os trabalhos propuseram uma metodologia de controlo da pressão arterial utilizando o modelo proposto por Slate (Slate, 1980) e, nesse modelo, os parâmetros da função de transferência associados a um paciente particular são variantes no tempo, e restrições clínicas aplicadas sobre a taxa de infusão e da PAM devem ser consideradas. Estas considerações levam à incorporação de um controlador adaptativo, em vez de um com parâmetros constantes, para um desempenho satisfatório. E que o controlador deve ser suficientemente robusto para respeitar as restrições clínicas ao mesmo tempo e que possa manter o desempenho desejado, na presença de perturbações externas e ruídos de medição. Nesta tese, foi desenvolvido o MMAPC, mostrando que é interessante combinar a estratégia MMAC com o controlo
preditivo para sistemas com grandes atrasos e variações paramétricas, como é o caso do sistema de controlo de pressão arterial.
• Os resultados mostram o potencial e a robustez do algoritmo MMAC para o controlo automático da pressão arterial, mesmo na presença de uma ampla gama de características dos pacientes e de ruído significativo (variação de até 4 mmHg). Onde foi possível verificar que o algoritmo de controlo é capaz de conduzir a pressão arterial até o valor desejado, com variação suave da pressão arterial e da infusão do medicamento. A eficiência do algoritmo MMAC depende da convergência dos fatores de peso, e nesse sentido a análise de sensibilidade do parâmetro V que controla a sua convergência torna-se interessante. Os resultados de simulação mostram que mudanças pequenas em V podem induzir grandes mudanças no tempo de estabilização (𝑇#). Onde, para o paciente 3 (ver Tabela 4-2), foi obtido 𝑇# = 195 s usando V = 0,05 e, 𝑇# = 510 s usando V = 0,4, com a Raiz do Erro Médio Quadrático (RMSE) variando menos de 1% e pequena alteração na RMSU. Além disso, a análise de sensibilidade mostra que para valores altos de V, houve uma convergência mais lenta dos fatores de peso, portanto, um aumento de 𝑇#. No entanto, para valores baixos de
V, por exemplo V = 0,05, tem-se uma convergência mais rápida, reduzindo 𝑇#, na maioria dos casos, com pequena alteração na RMSU e RMSE. Embora uma convergência excessivamente mais rápida, por exemplo V ≤ 0,01, prejudique o controlo, pois leva ao incremento dos valores de 𝑇#, RMSE e RMSU.
• Na estratégia MMAC, em alguns casos, podem ocorrer grandes overshoots/undershoots,
principalmente quando se tenta controlar uma planta com alto ganho. Isso ocorre pois inicialmente, antes da convergência dos fatores de peso, modelos com baixo ganho podem assumir o controlo e produzir um sinal de controlo elevado. Desta forma, faz-se necessário uma ponderação do sinal de controlo inicialmente. O ajuste do parâmetro, fator de ponderação (𝜑), é de grande importância para o desempenho do MMAC. O valor de 𝜑 deve colocar a variável de controlo inicial perto da entrada de controlo de estado estável requerido pela planta com o maior ganho esperado. Desta forma, com o objetivo de analisar a influência de 𝜑 no controlo, foi realizada uma análise de sensibilidade variando 𝜑 e verificando sua influência nos índices de desempenho: 𝑇# e undershoot. Os resultados mostram, a medida que se aumenta a ponderação no sinal de controlo, ocorrem diminuições nos undershoots e aumento no 𝑇#. E para 𝜑 = 0,2, obteve-se os menores undershoots e 𝑇# ≤ 300s. Porém uma ponderação excessiva no início do controlo, pode fazer o erro alto
persistir, assim a parte integrativa do algoritmo de controlo pode ser responsável por calcular doses muito elevadas, aumentando assim os undershoots.
• A etapa de validação dos modelos mostrou, em todos os casos simulados, que as características de desempenho desejadas (tempo de acomodação < 400 s e undershoot < 10%) foram alcançadas, ao mesmo tempo em que as restrições clínicas (𝑇# < 900s,
undershoot < 20 mmHg e 𝛥𝑃W\]< 10 mmHg/10 s) foram respeitadas. Mostrando com isso
a robustez do sistema desenvolvido a variações paramétricas e perturbações externas, aumentando a segurança a saúde do paciente.
• Foi possível também realizar uma análise comparativa de três soluções distintas (MM-PI, MM-GPC e MM-SPGPC). E em 51 pacientes simulados com diferentes níveis de sensibilidade ao medicamento (0,25 ≤ 𝐾 ≤ 9) e diferentes atrasos (20 s ≤𝑇N≤60 s), e com isso cobrindo o subespaço de pacientes possíveis, a estratégia MM-SPGPC obteve um 𝑇# médio de 288 s (375 s máximo e 150 s mínimo) e um undershoot médio de 2,0 mmHg (máximo 10,37 mmHg e mínimo 0,0). Com esses resultados ficou demostrada a melhoria causada pelo adição do preditor de Smith ao GPC, embora tenha sido identificado que para altos níveis de perturbações externas, o sinal de controlo para a solução SPGPC tenha apresentado mais oscilações. Isso acontece, pois a perturbação gera um erro muito grande entre a saída real e a saída predita. Esse comportamento poderia ser minimizado adicionando, ao preditor smith, um filtro passa baixa (atuando entre a saída real e a saída predita), formando assim o Preditor de Smith Filtrado (FSP) (Torrico, 2007). Embora essa situação, na prática, seja minimizada pelo fato dos atuais sensores de medição disponíveis no mercado, já possuírem excelentes filtros, que eliminam ruídos com bastante precisão.