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A descoberta de uma nova ocorrência mineral em uma área de contexto incerto proporcionou o estudo e caracterização geológica de um novo domínio geológico aflorante entre Goianésia e Jaraguá. A caracterização feita com base em mapeamento geológico, petrografia, análises geoquímicas e geocronologia Sm-Nd e U-Pb resultou na individualização de uma nova unidade geotectônica.

A Sequência Vulcanossedimentar de Artulândia e rochas intrusivas associadas, de idade Paleoproterozóica é uma extensão do Arco Magmático Campinorte. Os dados obtidos permitem dessa forma tecer importantes considerações a respeito do papel deste terreno na evolução e gênese crustal Riaciana e implicações para a formação da Faixa de Dobramentos Neoproterozóica Brasília. Além disso, esta unidade é hospedeira de mineralizações que também foram alvo de estudo.

O depósito de Artulândia, associado a rochas de Arco Magmático Paleoproterozóico, é polimetálico de origem vulcanogênica não usual em sequência vulcanossedimentar de back-arc continental.

4.1 Sequência Vulcanossedimentar Artulândia e rochas intrusivas associadas

Estas rochas representam um evento acrescionário correlacionável a um episódio orogênico de escala mundial, responsável por geração de crosta juvenil que apresenta registros em todos os continentes.

A sequência vulcanossedimentar compreende sucessão de rochas vulcânicas félsicas e máficas, com intercalações lenticulares de rochas metassedimentares detríticas e químicas, o que sugere a formação em ambiente marinho, próximo a um centro vulcânico. Tais rochas foram submetidas a deformação em pelo menos dois eventos, atingindo facies anfibolito e retrometamorfismo em facies xisto verde. Análises geoquímicas indicam que estas rochas se formaram em ambiente intracontinental em cerca de 2.142 Ma, porém, análises isotópicas Sm- Nd e associação direta com rochas intrusivas de arco magmático reforçam a hipótese de serem rochas geradas em bacia de back-arc em um arco continental.

As rochas intrusivas associadas à sequência incluem metatonalitos e metagranodioritos pouco deformados. Análises geoquímicas indicam origem em arco vulcânico em contexto similar à geração de rochas adakiticas. Idades U-Pb em zircão variam entre 2.130 e 2.156 Ma para estas rochas. Assinatura isotópica Sm-Nd, por sua vez, aponta o caráter juvenil com valores positivos de εNd e TDM em torno de 2.3 Ga. Esses dados sugerem que tais intrusões estão

relacionadas diretamente à gênese da sequência vulcanossedimentar.

Terrenos Paleoproterozóicos encontram-se expostos em segmentos da Faixa Brasília, tais como o Arco Silvânia a sul, o Arco Campinorte a Noroeste e as rochas do Terreno Almas- Conceição do Tocantins a Nordeste. A correlação do Domínio de Artulândia com o Arco Campinorte é muito nítida, tanto petrográfica, quanto geoquímica e geocrológica. Assim, o Domínio Artulândia é considerado uma extensão alóctone do Arco Magmático Campinorte.

Demais ocorrências Paleoproterozóicas no Brasil são descritas nos crátons São Francisco, são Luís e Amazônico e na Província Borborema. Ainda é possível fazer uma analogia destes terrenos da plataforma sul-americana com os Cráton do Congo e Oeste Africano.

Nesse sentido, futuramente estudos de palomagnetismo dos terrenos Paleoproterozóicos na Faixa Brasília poderiam avançar o conhecimento e correlação entre estas rochas. Além disso, muitas rochas Paleoproterozóicas, consideradas embasamento da Faixa Brasília, foram descobertas em atualizações de mapeamento em áreas anteriormente consideradas de coberturas metassedimentares. Porém, ainda é extensa a área de ocorrência destas rochas sedimentares (Fig. 1.5) e provavelmente ainda existem rochas de embasamento não descobertas nesta região. Espera-se que com o avanço do mapeamento geológico no Brasil novos terrenos Paleoproterozóicos sejam identificados agregando informação para o entendimento da evolução e formação da Faixa Brasília e Paleocontinentes Proterozóicos. Com relação ao Domínio Artulândia, rochas máficas seriam alvos interessantes para uma abordagem geoquímica e geocronológica mais detalha apesar de existirem raras ocorrências de afloramentos preservados.

4.2 Depósito Polimetálico Artulândia

Este trabalho representa a tentativa de contextualizar ocorrência mineral recém descoberta em um domínio geológico Paleoproterozóico. O depósito Artulândia está hospedado em uma sucessão vulcânica dominada por rochas félsicas, pertencente a Sequência Metavulcanossedimentar de Artulândia, de idade Paleoproterozóica.

O depósito é composto por lentes de sulfeto maciço a semi-maciço rico em pirita, esfalerita e calcopirita. Estes minerais apresentam substituições de galena, carbonatos de Fe, Zn, Pb e bismuto nativo. A zona mineralizada mostra intercrescimento com alterações do tipo magnesianas-manganesíferas composta por tremolita, espessartita, clinocloro e carbonato. Ainda são observadas alterações distais compostas de biotita, sericita, granada e clorita.

A associação metálica e o tipo de alteração observado indicam que a mineralização é do tipo vulcanogênica metamorfisadas em facies anfibolito. Aliada às informações das rochas hospedeiras, a mineralização de Artulândia tem origem em uma bacia subaquosa de back-arc em arco magmático continental Paleoproterozóico (Fig. 4.1).

Apesar de ser uma mineralização restrita, o depósito Artulândia tem um papel prospectivo importante em novos alvos em rochas Paleoproterozóicas na Faixa Brasília. Depósitos vulcanogênicos originados em back-arc dominado por rochas félsicas (Fig. 4.1) têm grande importância econômica em diversos continentes, tanto em expressão quantitativa quanto qualitativa. No Brasil e na Faixa Brasília, o evento de crescimento crustal Riaciano relacionado a formação da mineralização de Artulândia é economicamente pouco conhecido, os depósitos mais conhecidos estão relacionados ao evento Neoproterozóico ou a eventos Arqueanos. O depósito Artulândia inicia o preenchimento de lacunas no entendimento de eventos metalogenéticos na plataforma Sul-Americana (Fig. 4.2).

Figura 4.2 – Ciclo metalogenético Paleoproterozóico da Plataforma Sul-Americana. Em cinza período de crescimento crustal rápido compreendendo a formação de Atlantica. (Teixeira et al. (2007)).

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