O trabalho realizado permitiu aferir o nível de envolvimento dos sujeitos investidos no funcionamento do curso Técnico em Agropecuária do Campus de Alegre com o empreendedorismo e com uma ideologia educacional empreendedora.
Foi possível atingir os objetivos propostos. Analisou-se a compreensão do público investigado sobre o empreendedorismo; aferiu-se a sua crença na associação positiva do ensino agrícola com o desenvolvimento de comportamentos empreendedores e o porquê dela; aferiu-se a sua crença na responsabilidade da escola por uma educação empreendedora e as formas de viabilizá- la; diagnosticou-se o nível de desânimo dos alunos pelo aprendizado, de descrença na capacidade pessoal e os motivos para tal; compararam-se as opiniões dadas entre os grupos pesquisados; e levantaram-se sugestões de práticas docentes e institucionais destinadas à promoção de uma educação empreendedora. Dessa forma, atingi-se o objetivo geral do trabalho, por meio da análise da importância e da necessidade da implantação de um ensino empreendedor no curso Técnico em Agropecuária do Campus de Alegre.
Foi possível comprovar a quase totalidade das hipóteses, o que figura como importante resultado do estudo.
Comprovou-se que a maioria dos membros da comunidade pesquisada não sabe o que é o empreendedoris mo, com a quase totalidade dos discentes possuindo total desconhecimento sobre o assunto e com os docentes e o corpo técnico-pedagógico possuindo conhecimento razoável ou bom. Esse aspecto demonstra a gravidade do problema, considerando que o conhecimento não é repassado aos alunos e que conhecer o empreendedorismo é fundamental para que se pratiquem propositadamente comportamentos empreendedores, como atestam autores diversos.
Comprovou-se que a maioria daqueles que afirmam ter conhecimento sobre o empreendedorismo, considerando docentes e técnicos, consegue também definir, com coerência, o termo. Isso comprova a real contribuição que podem dar ao enorme quantitativo de discentes insipientes no assunto.
Comprovou-se que a mesma maioria destacada, considerando, sobretudo os docentes e o corpo técnico-pedagógico, acredita na associação positiva do ensino agrícola com a construção de comportamentos empreendedores, como recurso educacional capaz de despertar no aluno o desejo por estudar/aprender e a crença no potencial próprio de conquista e de realização profissional. Tais servidores conseguiram, também, definir, com coerência, por que acreditam no processo. Com esse resultado, questiona-se o fato de acreditarem que a associação descrita propicia contribuição real ao processo de aprendizagem, mas não se mobilizarem no sentido de efetivá- la no curso técnico em agropecuária.
Comprovou-se, outra vez, que a mesma maioria destacada julga que cabe à escola criar condições para o desenvolvimento de comportamentos empreendedores e do estímulo empreendedor nos alunos, apontando, também com coerência, de que forma esse processo pode ser viabilizado. Esse aspecto novamente leva ao questionamento do porquê não se mobilizam no sentido da implementação de um ensino empreendedor no curso em questão.
Comprovou-se que os alunos apresentam elevado nível de desânimo e desinteresse pelo estudo/aprendizado, sendo que os segmentos investigados atribuem a responsabilidade pelo problema sempre a outro segmento e não a si. Contudo, se há consenso quanto ao desânimo e desinteresse dos alunos e há conhecimento dos dirigentes do processo de ensino quanto ao poder do empreendedorismo na educação e, consequentemente, quanto à força do estímulo empreendedor na vida do aluno, torna-se incompreensível o fato de ainda não terem se mobilizado de forma concreta em prol de uma prática docente direcionada à preparação
satisfatória de alunos empreendedores, independente de quem seja responsável pelo problema levantado.
Comprovou-se que os alunos apresentam elevado nível de descrença na sua capacidade de conquista e de realização profissional, porém, dessa vez, não se comprovou a hipótese de que os segmentos investigado atribuem a responsabilidade pelo problema sempre a outro segmento e não a si. Detectou-se, na verdade, que os problemas recaem sobre razões pessoais dos alunos e restrições no mercado de trabalho. Todavia, se há também consenso quanto à descrença sugerida, com o conhecimento que docentes e técnicos demonstraram ter do empreendedorismo e, por conseqüência, do poder que o estímulo empreendedor tem de levar o indivíduo a acreditar que é capaz de fazer, de realizar, de alcançar objetivos e metas, torna-se, outra vez, incompreensível a não inserção satisfatória da citada ideologia empreendedora na prática docente.
Comprovou-se, também, que há diferenças percentuais consideráveis no comparativo de respostas, sobretudo dos discentes em relação aos demais segmentos, com destaque, como já mencionado, para o fato de a quase totalidade dos alunos investigados declarar a sua falta de compreensão sobre o empreendedorismo, contra o percentual satisfatório de docentes e técnicos que declaram possuir conhecimento sobre o assunto.
Com a comprovação das hipóteses descritas e com os resultados do estudo, foi possível concluir que não há uma ideologia educacional empreendedora, aplicada em nível satisfatório, no ensino agrícola do campus, apesar de haver o conhecimento, por parte de docentes e técnicos, da importância da educação empreendedora, sendo necessários, portanto, trabalhos que a promovam nesse nível de ensino.
Essa conclusão vai ao encontro do que pensa a Rede Pitágoras (2005), ao afirmar que o processo educacional necessita ser conjugado ao empreendedorismo, ressaltando que é imperioso que se crie uma educação empreendedora para todas as áreas da atividade humana e que seja expandida pela figura do educador-empreendedor ou do empreendedor-educador.
Soma-se a essa afirmação o entendimento de Werneck (2007, p. 32) ao afirmar que “educar para empreender é o imperativo do momento”.
Werneck (2007, p. 99), acrescenta, ainda, que “[...] Se uma escola não for empreendedora, não poderá afirmar que prepara para a vida”.
Grande mérito do estudo foi aferir, da própria comunidade escolar, o reconhecimento da necessidade de implementação de um ensino empreendedor na instituição e a apresentação de sugestões de ações voltadas à disseminação dos comportamentos empreendedores e do estímulo empreendedor na prática educativa.
Tal manifestação da comunidade escola r comunica-se com o dizer de Zabala (2002), ao afirmar que não se pode aceitar nenhuma forma de aprendizagem que não seja a mais significativa possível.
Como afirma Dolabela (2008b), a ação empreendedora deve oferecer, para a comunidade, melhoria das cond ições de vida, solução de problemas, renda, desenvolvimento, emoção, cooperação, entre outros, devendo ser vista como instrumento de realização de desejos coletivos e sociais e de geração de resultados que apresentem benefícios para todos.
Como grande contribuição do estudo, destaca-se a possibilidade de figurar como instrumento propulsor da implementação da cultura empreendedora na Educação Agrícola do Campus, visto que, os resultados obtidos permitem a tomada de decisões e a organização de trabalhos destinados a minimizar as deficiências apontadas.
A pesquisa demonstrou ser de grande importância também enquanto subsídio para a implementação de uma educação empreendedora em universos educacionais diversos, haja vista o caráter abrangente, transversal e transdisciplinar da temática empreendedora.
Assim, com o intuito de contribuir com o conhecimento para a área de empreendedorismo e educação e para se comparar os resultados, sugere-se que esta pesquisa
seja realizada em outras escolas voltadas para a área de agropecuária, em escolas de outra natureza, de outras regiões e em outros cursos.