O objetivo do estudo empírico realizado foi o de proporcionar informação sobre o grau de
divulgação sobre os riscos financeiros praticado pelas cinco maiores instituições bancárias a
operar no sistema financeiro português, durante o período compreendido entre 2006 a 2012 e
estabelecer uma relação entre este tipo de risco e algumas das características individuais das
instituições analisadas.
Deste modo, pretendeu-se, numa primeira fase do presente estudo, conforme anteriormente
referido no ponto 4.4.2. deste capítulo, analisar a evolução do nível de divulgação de informação
sobre os riscos financeiros (teste à hipótese 1), e de seguida, procurou-se entender a extensão do
nível de divulgação de informação sobre os riscos financeiros durante e após a crise financeira
(teste à hipótese 2).
Posteriormente, numa segunda fase de investigação, e com o intuito de inferir a associação entre
os riscos financeiros e as características individuais das instituições bancárias, pretendeu-se
realizar um estudo que procura-se identificar os fatores determinantes do nível de divulgação de
informação sobre os riscos financeiros (conforme anteriormente referido no ponto 4.4.3. deste
capítulo), através do teste à hipótese 3.
Assim, pretende-se neste ponto através das duas fases de investigação, apresentar as principais
conclusões obtidas relativamente às hipóteses formuladas ao longo deste capítulo, assim como,
estabelecer uma comparação com o tipo e grau de divulgação obtido em investigações similares.
90
1.ª Fase de Investigação
Nesta primeira fase de investigação, pretende-se testar as duas seguintes hipóteses:
H
1― A extensão de divulgação de informação sobre riscos financeiros nos principais bancos em
Portugal, no que concerne às recomendações do CSBB e da IFRS 7, evoluiu positivamente no
período compreendido entre 2006 e 2012.
Para procurar testar a H
1foi construído um índice de divulgação total (IRF) composto por 95 itens
de divulgação, por banco e pelo período da amostra.
Este índice de divulgação foi subdividido em três grupos de informação: um primeiro grupo
referente à informação sobre o risco de crédito (IRC), um segundo grupo destinado à informação
sobre o risco de mercado (IRM) e um terceiro grupo relativo à informação sobre o risco de liquidez
(IRL).
Por sua vez, os itens de divulgação foram agrupados em duas categorias, tendo em consideração
as exigências emanadas pelo CSBB, através dos seus princípios para a gestão e supervisão, e
pelo IASB, através da IFRS 7, conforme o seguinte Quadro 39.
Quadro 39 – Matriz dos itens a divulgar vs itens possíveis por Banco
Categorias
dos itens a divulgar
Itens possíveis para o
período em análise
CSBB IASB Total CSBB IASB Total
Índice de Divulgação Total IRF 53 42 95 371 294 665
Grupos de Informação
(sub-índices de divulgação)
IRC 32 20 52 224 140 364
IRM 12 11 23 84 77 161
IRL 9 11 20 63 77 140
Fonte: Elaboração própria.
Após a identificação das exigências dos itens de divulgação dos bancos da amostra, foram
calculados os valores médios dos anos da amostra para o índice de divulgação total e para os
sub-índices de divulgação.
Dos resultados obtidos, relativamente à análise da evolução no nível de informação sobre os
riscos financeiros, pode-se concluir, através de uma análise longitudinal (período de 7 anos, entre
2006 a 2012), que a divulgação de informação sobre os riscos financeiros (IRF), quer em termos
dos princípios de gestão e supervisão do CSBB, quer em termos das exigências do IASB, é
crescente no período de 2006 a 2009, passando de uma percentagem média de divulgação de
63,37%, em 2006, para 74,32%, em 2009, registando uma ligeira descida nos períodos de 2010 a
2012, passando de 73,68%, em 2010, para 73,05%, em 2012.
Nos sub-índices de divulgação, é de destacar, em termos de análise, o risco de liquidez (IRL) que
apresenta o valor médio mais elevado, atingindo consecutivamente nos períodos de 2009 a 2011,
91
o valor médio de 83,00%. Ao invés, o risco de mercado (IRM) no período de 2006 apresenta o
menor valor médio com 58,26%. Por sua vez, o risco de crédito (IRC) consegue ao contrário dos
restantes riscos, manter os valores médios atingidos em 2009, de 71,92% para o período
subsequente de 2012.
Salienta-se ainda, a similaridade de resultados com as categorias dos itens de divulgação do
CSBB e do IASB, verificando-se, na generalidade, um aumento da divulgação de informação
sobre o índice de divulgação total e sobre os sub-índices no período de 2006 a 2009, registando
uma ligeira descida nos períodos de 2010 a 2012.
A exceção, regista-se na categoria do CSBB, para o sub-índice de risco de crédito (IRC), em que
se verifica no período de 2012 (71,25%) um aumento da divulgação face ao período de 2009
(70,63%).
Os valores obtidos revelam que durante o período da crise financeira (2006-2008) e no início do
pós-crise financeira (2009) as instituições bancárias tiverem a preocupação de aumentar
substancialmente o nível de divulgação sobre riscos financeiros, tendo nos períodos posteriores
conseguido manter em geral, esse mesmo nível de divulgação.
Para complementar o estudo da evolução no nível de divulgação, foram ainda realizados
procedimentos no sentido de analisar os bancos da amostra que cumpriram a maior quantidade de
exigências do IASB e dos princípios de gestão e supervisão do CSBB. Para tal, foi elaborado um
ranking dos bancos com maiores quantidades de itens atendidos.
Deste modo, verifica-se que o banco com maior quantidade de itens atendidos para o índice de
divulgação global dos riscos financeiros, é o BPI, com 520 itens cumpridos, em 665 possíveis,
seguido pelo BES, com 507 itens, pelo MBCP, com 503 itens, pela CGD, com 430 itens, e pelo
BST, com 420 itens. Em termos globais, para os sub-índices, verifica-se que o BPI apresenta a
maior quantidade de itens para o risco de crédito (284) e para o risco de liquidez (124), enquanto o
MBCP apresenta a maior quantidade de itens para o risco de mercado (125).
Estes resultados acabam por ser semelhantes para as categorias dos itens de divulgação do
CSBB e do IASB, uma vez que não se verifica qualquer alteração no ranking dos bancos.
Importa, contudo, destacar que sendo o BPI a apresentar maiores quantidades de itens
divulgados, apenas é vencido pelo MBCP nas exigências do IASB para o risco de crédito com 114
itens, contra 103 itens do BPI e nos princípios de gestão e supervisão do CSBB para o risco de
mercado com 70 itens, contra 54 do BPI.
Conclui-se ainda que, em termos globais, ao longo do período analisado, o normativo do IASB
apresenta um maior nível de cumprimento de divulgação de informação, com um grau de
concretização de 72,86% (1071 itens cumpridos, em 1470 itens possíveis). Assim, permite-se
92
concluir que a adoção de um novo padrão de divulgação de informação de caráter obrigatório
(IFRS 7 do IASB), a partir de 2005, teve influência no nível e divulgação de informação sobre os
riscos financeiros. Contudo, as recomendações do CSBB apesar de servirem apenas como
orientação para as boas práticas da gestão e supervisão dos riscos financeiros indicam também
um nível de divulgação elevado, apresentando um grau de concretização de divulgação de
70,57% (1309 itens cumpridos, em 1855 possíveis).
Por último, pode concluir-se que o nível de divulgação praticado é alto, uma vez que no período
em análise, em média, as instituições bancárias analisadas divulgam, em matéria de risco de
crédito (IRC), cerca de 69,99%, em matéria de risco de mercado (IRM), cerca de 68,44% e em
matéria de risco de liquidez (IRL), cerca de 79,28%. Na sua globalidade, o nível de divulgação de
informação sobre os riscos financeiros (IRF) das cinco instituições bancárias é, em termos médios,
de 71,57%.
Este resultado vai ao encontro dos vários estudos realizados, tanto a nível internacional pelos
autores, Adamu (2013), Rahmam et al. (2013), Lipunga (2014) como a nível nacional pelas
autoras Alves e Graça (2013), mas é contrário à maior parte dos estudos analisados na presente
investigação, tanto a nível internacional pelos autores Yong et al. (2005), Beneditto e Silva (2008),
Dantas et al. (2010), Bastianello et al. (2011), Martins et al. (2012), Britto et al. (2013),
Probohudono et al. (2013) como a nível nacional pelas autoras Lemos et al. (2012) e Pinto e
Lemos (2013), que concluíram um baixo índice de divulgação praticado.
H
2― A extensão de informação divulgada é maior no período pós crise financeira de 2008.
No que concerne a H
2do presente estudo, pretende-se testar se, após a crise financeira de 2008,
os bancos em análise alteraram a sua extensão de divulgação sobre os riscos financeiros. Para
tal, foi utilizada uma variável independente dicotómica (dummy) para distinguir os diferentes
períodos da crise financeira (cfr. Quadro 40).
Quadro 40 – Variável independente dicotómica
Anos Períodos Variável Binária
2006-2008 Durante a crise financeira Igual a 0
2009-2012 Após a crise financeira Igual a 1
Fonte: Elaboração própria.
Após a identificação das exigências dos itens de divulgação dos bancos em análise, procedeu-se
à agregação dos cálculos dos valores médios pelos diferentes períodos da crise financeira, quer
para o índice de divulgação total, quer para os sub-índices de divulgação.
De seguida, foi analisada a extensão de divulgação, medida pela variação entre cada um dos
períodos da crise, para cada um dos bancos da análise e para cada índice de divulgação sobre os
riscos.
93
Os resultados obtidos permitem concluir que, a partir de 2009, portanto no período após a crise
financeira, se verifica, na generalidade dos bancos da amostra, um aumento da média da
divulgação dos riscos financeiros, sendo de destacar o grupo bancário MBCP que apresenta a
maior evolução na extensão de divulgação sobre riscos financeiros, indicando um aumento no
IRF, de +10.2 pp, no IRL, de +20.8 pp, no IRM, de +11.6 pp e no IRC, de +5.5 pp.
Tendo em consideração as análises efetuadas, permite-se concluir que provavelmente esta
situação poderá dever-se a uma maior preocupação por parte dos cinco maiores bancos a operar
no sistema financeiro português em divulgar os seus riscos financeiros no período que se seguiu à
crise financeira. Foi ainda realizado o teste paramétrico da distribuição t-Student, que para além
de confirmar os resultados obtidos, também concluiu que o risco de liquidez influenciou o aumento
do índice de divulgação sobre os riscos financeiros no período pós crise financeira (2009-2012).
Estes resultados são concordantes com outros estudos realizados por autores internacionais,
como Beneditto e Silva (2008), Bischof (2009), Dantas et al. (2010), Bastianello et al. (2011), Britto
et al. (2013), Cucinelli (2013) e Probohudono et al. (2013), que analisaram a extensão do nível de
divulgação da informação, comprovando-se que o nível de divulgação aumenta de forma
constante e paulatina quando enquadrado num determinado espaço temporal. Dos estudos
referidos, destaca-se o da autora Cucinelli (2013), que, tal como o estudo da presente
investigação, utilizou no período em análise uma variável binária para distinguir os diferentes
períodos da crise financeira, permitindo assim, entender as mudanças de liquidez das instituições
bancárias nos diferentes períodos da crise financeira.
2.ª Fase de Investigação
Na segunda fase de investigação, pretende-se testar a seguinte hipótese:
H
3― A extensão de divulgação sobre riscos financeiros nos principais bancos em Portugal, no
período analisado, é influenciada por determinadas características associadas às entidades
bancárias.
Para procurar testar a H
3foi necessário testar a existência de associação entre algumas
características específicas dos bancos analisados e o tipo de riscos financeiros a que estão
sujeitas aquelas entidades. Assim, tendo como base os estudos de outros autores, procurou-se
identificar os fatores determinantes (variáveis independentes) da divulgação de informação sobre
os riscos financeiros (variáveis dependentes) para a atividade do setor bancário, tendo sido
indicado um conjunto de nove variáveis independentes que se traduziram em sete hipóteses
formuladas a serem testadas, conforme adiante comentadas.
Deste modo, para se realizarem os testes às hipóteses formuladas foram realizados dois
procedimentos de análise de caráter complementar: em primeiro lugar, a análise univarida; e, em
segundo lugar, a análise multivariada.
94
O procedimento de análise univariada tem como propósito evidenciar a existência de relações
entre as variáveis dependentes e as variáveis independentes.
Assim, foram realizados testes de correlação para as variáveis independentes através da
aplicação do teste de coeficiente de correlação linear de ρ – Pearson.
Por sua vez, o procedimento da análise multivariada, composto por quatro regressões lineares
múltiplas, tem como finalidade demonstrar o poder explicativo das variáveis independentes sobre
as variáveis dependentes definidas.
Os resultados obtidos para o procedimento de análise univariada, permitiram concluir a existência
de associações entre as variáveis dependentes (IRF, IRM e IRL) e as variáveis independentes
(ROA, ROE, QCRED, LIQ, EFIOP), para um nível de significância de 0.05.
Para os resultados obtidos no procedimento de análise multivariada, conclui-se que, conforme
anteriormente referido, do conjunto das nove variáveis independentes definidas, sete apresentam
significância estatística (para um nível de significância de 0.01, 0.05 e 0.10) na explicação das
variáveis dependentes, existindo em cinco variáveis (ROA, QCRED, LIQ, EFIOP e PROD) a
evidência de uma associação positiva, que se traduzem na validação de cinco das hipóteses
formuladas, verificando-se nas outras duas variáveis (LOGAT e SOL) a existência de uma
associação negativa, traduzindo-se na não validação das hipóteses formuladas.
As variáveis independentes LOGCO e ROE, não se apresentam estatisticamente significantes.
Em suma, da análise multivariada pode-se concluir que existe relação linear entre as seguintes
variáveis independentes e as variáveis dependentes, conforme quadro 41.
95
Quadro 41 – Fatores explicativos do nível de divulgação – análise multivariada
Fatores Explicativos do
Nível de Divulgação
Evidência
de Relação
Sinal
Esperado
Validação da
Hipótese
LOGAT
LOGCO (*) Dimensão Negativa + Não Validada
IRF; IRC H
3.1ROA
ROE (*) Rendibilidade Positiva (+/-) Validada
IRL H
3.2QCRED Qualidade do Crédito Positiva + Validada
IRL H
3.3SOL Solidez Negativa + Não Validada
IRL H
3.4LIQ Liquidez Positiva + Validada
IRC H
3.5EFIOP Eficiência Operativa Positiva + Validada
IRF; IRC; IRL H
3.6PROD Produtividade Positiva + Validada
IRF; IRC H
3.7(*) Variáveis cujos resultados não foram estatisticamente significantes.
Fonte: Elaboração própria.
De seguida, apresenta-se um resumo dos resultados obtidos através dos modelos de regressão
linear múltipla para as hipóteses formuladas.
H
3.1: Bancos de maior dimensão divulgam mais informação sobre os riscos financeiros.
― Os resultados obtidos apontam no sentido da não validação da hipótese 3.1, que previa
uma associação positiva entre o nível de divulgação e a dimensão das instituições
bancárias, uma vez que se obteve evidência de existência de uma associação negativa
entre aquelas variáveis. Pode-se, portanto, concluir que não é possível afirmar que
instituições bancárias de maior dimensão realizam uma maior divulgação de informação
sobre os riscos financeiros.
O resultado obtido apenas é concordante com o autor Adamu (2013), sendo na
generalidade dos estudos analisados para os autores, Dantas et al. (2010), Lemos et al.
(2012), Cucinelli (2013), Pinto e Lemos (2013), Probohudono et al. (2013) e Rahman et al.
(2013) a variável dimensão um fator de influência positiva no nível da divulgação da
informação.
H
3.2: O índice de divulgação dos riscos financeiros varia com a rendibilidade dos bancos.
― Os resultados demonstram que, dos dois rácios de rendibilidade, o ROA possui
influência positiva sobre o nível de divulgação, enquanto o ROE, apesar de ter uma
associação negativa, não possui influência significativa.
96
Assim, é possível validar a hipótese 3.2, uma vez que se previa uma associação mista
(positiva e negativa) entre aquelas variáveis, considerando-se portanto, que é possível
afirmar que as instituições bancarias em função da variação dos seus rácios de
rendibilidade praticam um maior ou menor nível de divulgação de informação sobre os
riscos financeiros.
Este resultado não vai de encontro aos resultados proporcionados por Lemos et al. (2012),
Pinto e Lemos (2013) e Lipunga (2014), que concluíram que a variável rendibilidade não
tem influência sobre o nível de divulgação de informação praticado sobre os riscos.
Contudo, para Dantas et al. (2010) a variável determinante na apresentação de um maior
grau de divulgação da informação é a rendibilidade do capital próprio – ROE, ao contrário
da evidência existente na presente investigação, que foi a variável ROA.
H
3.3: Bancos com melhor rácio de qualidade de crédito divulgam mais informação de
riscos.
― Os resultados proporcionam informação que permitem validar a hipótese 3.3 em termos
de informação sobre o risco de liquidez (Sig = 0,003). Pode-se, portanto, concluir que as
instituições bancárias com melhor qualidade na sua carteira de crédito realizam uma maior
divulgação de informação sobre a matéria dos riscos financeiros.
Este resultado é concordante com o estudo realizado pela autora Cucinelli (2013), mas é
contrário ao de Rahman et al. (2013), que concluiu que não existe uma evidência da
relação entre a qualidade do crédito e a divulgação da informação sobre os riscos.
H
3.4: Bancos com melhor solidez apresentam maior nível de divulgação sobre os riscos.
― Os resultados evidenciam que a solidez das instituições bancárias, medido pelo rácio
de solvabilidade – Tier 1, tem uma influência negativa sobre o nível de divulgação. Deste
modo, não foi possível validar a hipótese 3.4, uma vez que se previa uma relação positiva
entre aquelas variáveis. Portanto, os resultados não permitem confirmar que instituições
bancarias com maiores rácios de solvabilidade praticam uma maior divulgação do nível de
informação sobre os riscos financeiros.
O resultado permitiu confirmar o estudo de Dantas et al. (2010) e Pinto e Lemos (2013),
que concluíram que a variável solidez não tem influência sobre o nível da divulgação da
informação sobre os riscos. Porém, para Cucinelli (2013) é possível confirmar a existência
da relação entre a solidez de uma instituição bancária e o nível de divulgação dos riscos.
97
H
3.5: Bancos com melhor liquidez apresentam maior nível de divulgação sobre os riscos.
― Os resultados obtidos permitem validar a hipótese 3.5 em termos do nível de
divulgação de informação sobre o risco de crédito (Sig = 0,064).
Pode-se, portanto, concluir que a liquidez das instituições bancárias quanto à
transformação dos seus recursos em crédito concedido possui influência significativa
sobre a divulgação de informação sobre o risco de crédito.
Este resultado vai de encontro a teoria da agência (Jensen e Meckling, 1976), que revela a
existência de uma associação elevada entre o nível de divulgação e o nível de liquidez.
H
3.6: Bancos com melhor rácio de eficiência divulgam mais informação sobre os riscos.
― Os resultados obtidos permitem validar a hipótese 3.6 em termos do nível de
divulgação da informação sobre o risco financeiro (Sig = 0,036), sobre o risco de crédito
(Sig = 0,041) e ainda sobre o risco de liquidez (Sig = 0,029). Pode-se, portanto, concluir
que a eficiência operativa das instituições bancárias quanto à relação dos gastos
operacionais sobre o produto bancário possui influência significativa sobre a divulgação de
informação sobre as variáveis dependentes como o risco financeiro, risco de crédito e
risco de liquidez.
Este resultado é em parte concordante com a evidência empírica da autora Silva (2012),
que concluiu a existência de uma associação mista entre o rácio de eficiência operativa e
o nível de divulgação de informação sobre os ativos intangíveis gerados internamente
(relação negativa) e sobre os ativos intangíveis adquiridos (relação positiva).
H
3.7: O índice de divulgação dos riscos financeiros varia com a produtividade dos bancos.
― Os resultados obtidos permitem validar a hipótese 3.7 em termos do nível de
divulgação de informação sobre o risco financeiro (Sig = 0,080) e sobre o risco de crédito
(Sig = 0,085). Pode-se, portanto, concluir que a produtividade das instituições bancárias
quanto à relação do produto bancário sobre o número de colaboradores possui influência
significativa sobre a divulgação de informação sobre as variáveis de risco financeiro e do
risco de crédito.
O resultado permitiu confirmar a teoria de sinalização (Morris, 1987), em que as empresas
de qualidade superior tendem a divulgar mais informação, enquanto as empresas de
qualidade menor tendem a ocultar a sua qualidade inferior.
99
CONCLUSÕES, LIMITAÇÕES E SUGESTÕES PARA
INVESTIGAÇÃO FUTURA
Considerações Finais
A atividade bancária, pela sua natureza específica, implica a exposição da instituição financeira a
diversos tipos de riscos bancários. Entre todos estes riscos encontram-se os riscos financeiros que
são compostos pelo risco de crédito, de mercado e de liquidez, e que se definem como os riscos
que estão diretamente relacionados com os ativos e passivos monetários das instituições
bancárias.
Vários estudos se têm debruçado sobre as temáticas dos riscos bancários, contudo, a abordagem
ao tipo de risco bancário tem sido tratada apenas de forma individual. Este trabalho pretende
analisar em conjunto os três tipos de riscos que compõem o risco financeiro (o risco de crédito, de
mercado e de liquidez). Assim, o presente estudo tem como objetivo conhecer o nível de
divulgação sobre os riscos financeiros, de acordo com os requisitos do Comité de Basileia e do
IASB, por parte das cinco maiores instituições financeiras a operar no setor bancário português,
para os períodos de 2006 a 2012.
A escolha dos maiores bancos justifica-se pelo facto de se acreditar que deverão ser estes que
estarão numa fase mais avançada do processo de informação sobre a gestão dos riscos
No documento
DIVULGAÇÃO DE
(páginas 109-123)