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Conclusões e Perspetivas de Trabalho Futuro

A gestão de energia é muitas vezes negligenciada, gerando significativos desperdícios de energia que contribui para a redução da competitividade do país. Continua presente, na mente de alguns decisores de topo, a ideia de que o crescimento económico conduz necessariamente um aumento dos consumos de energia.

O conceito de Utilização Racional de Energia, que teve uma maior relevância no seguimento dos chamados choques petrolíferos, veio alterar a forma como a energia é encarada, revelando que é possível crescer sem aumentar os consumos ou prejudicar a qualidade e conforto das pessoas. A energia deve ser gerida de uma forma contínua e eficiente, como qualquer outro fator da atividade económica.

A necessidade de utilizar a energia de forma eficiente, muito devido à crescente pressão ambiental, faz com que exista uma obrigação em cumprir os requisitos ambientais como forma de acesso a sistemas de apoio ou mesmo por uma questão de imagem ou pressão da opinião pública. Cada vez mais, a eficiência energética está na ordem do dia, existindo uma aceitação por parte da opinião pública a política do princípio do poluidor pagador, penalizando fortemente as empresas ou instituições menos eficientes.

A realização de uma auditoria energética a um edifício não deve ser motivada por razões de cumprimento da legislação ou mesmo para evitar taxas ou impostos ambientais, esta deve ser incentivada com vista a um desenvolvimento sustentável.

Nesta dissertação as soluções energéticas propostas teve em consideração as atuais obrigações ambientais estabelecidas, proporcionando assim, que o edifício dos Paços do Concelho de Matosinhos reduza o consumo de energia, adotando uma política sustentável.

A auditoria realizada ao edifício em estudo, teve como objetivo conhecer a atual situação energética da instalação. Com o levantamento energético avaliou-se a quantidade e o modo como a energia é consumida no edifício, identificando-se quais os equipamentos prioritários sujeitos a intervenção. Esta tarefa não foi facilitada pois existe apenas, um histórico de valores mensais do contador global da instalação, ou seja, as faturas de eletricidade. Existindo uma dificuldade em detalhar de forma precisa a desagregação de consumos por equipamento ou por zonas do edifício.

Verificou-se que os sistemas de iluminação são uma área onde a utilização de equipamentos mais eficientes traduz reduções significativas de consumos energéticos.

Procurou-se selecionar equipamentos que proporcionem os níveis de iluminação adequados ao desempenho das atividades reduzido tanto o consumo de energia elétrica como os custos de manutenção e modificação do atual sistema.

É de evidenciar que a fonte luminosa mais económica é a luz natural, que é normalmente desprezada ao longo do edifício, por vários fatores, tais como, carência de formação dos utilizadores, inexistência de sistemas automáticos de controlo da iluminação e sistema de precianas das janelas desadequadas. Nas várias medidas propostas ao longo desta dissertação é sugerido a rentabilização máxima da iluminação natural, utilizando a iluminação artificial como forma de complemento da iluminação natural. Assim sendo, a redução dos custos energéticos associados ao sistema de iluminação passa necessariamente pela utilização de equipamentos mais eficientes, utilização de sistemas automáticos de controlo e comando da iluminação, assim como pela valorização da luz natural.

A utilização de equipamentos mais eficientes do ponto de vista energético traduz-se num aumento do investimento inicial, mesmo assim o acréscimo do custo de aquisição ou substituição dos equipamentos mais eficientes é recuperado, em tempos bastante aceitáveis, pelas economias de energia que proporcionam. Além disto, sabendo que uma boa parte do consumo elétrico dos sistemas de iluminação coincide com o período tarifário fora de vazio, é percetível que quanto mais eficiente for o equipamento instalado, maior é a redução da fatura de energia elétrica.

Quanto ao atual sistema de aquecimento do edifício, que representa uma parte significativa no consumo de energia, é aconselhada a remodelação para um sistema de climatização mais eficiente, que otimize o conforto do edifício.

A instalação de acumuladores de calor, em alternativa aos convencionais aquecedores elétricos de convecção, permite um melhor controlo da temperatura do espaço onde está inserido, aumentando o conforto dos utilizadores. Estes equipamentos capazes de armazenar energia calorifica são elementos adequados para o aquecimento do ambiente, dado que são concebidos para manterem um espaço a uma determinada temperatura constante, estando em carga apenas durante as horas de vazio.

Com a instalação dos acumuladores de calor consegue-se uma melhor racionalização da energia, pois estes permitem uma redução das pontas de consumo, que influenciará a redução da potência contratada.

O que se verificou ao longo desta dissertação é que com os atuais consumos de energia elétrica a opção tarifária existente não é a mais aconselhada, pois se a Câmara Municipal de Matosinhos dispusesse de um posto de transformação privativo, passando a adquirir a energia em média tensão num regime de longas utilizações em regime tetra-horário, permitiria uma redução do preço efetivo de aquisição da energia elétrica. Com esta modificação de tarifário, aplicável aos consumos referentes ao ano de 2011, permitiria reduzir a fatura de eletricidade em 22% (cerca de 18400€).

O mesmo acontece com a compensação do fator de potência, este investimento em bateria de condensadores é normalmente amortizado em menos de um ano, com a economia de encargos em energia reativa. Para além de conduzir a melhorias apreciáveis nas condições de exploração da instalação elétrica.

Julga-se importante reafirmar que as medidas propostas ao longo desta dissertação promovem uma redução do consumo de energia no edifício, assim como comportamentos e escolhas de boas práticas para a eficiência energética. Estas medidas podem servir de um plano estratégico para a redução dos custos operacionais e otimização da prestação de

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serviços, podendo ser adotadas em outros edifícios semelhantes e explorados pela mesma autarquia.