Observou-se que as cinco empresas líderes de controle nacional atuam no mercado em média há mais de 47 anos. Todavia, a análise do ciclo de vida tecnológico indicou um crescimento recente da indústria, uma vez que a fase emergente iniciou somente em 1988, com duração de 10 anos, principiando a fase de crescimento, há 17 anos, a qual perdura até hoje.
Tendo em vista o volume de receita caracterizado em termos de vendas e lucro para as principais empresas ao longo dos últimos anos, o setor vem se configurando, sobretudo, como lucrativo, com as companhias que predominam no mercado brasileiro ocupando constantemente as mesmas posições, estruturando-se um típico oligopólio.
As empresas pesquisadas depositam, majoritariamente, patentes de invenção, demonstrando o investimento preferencial em desenvolvimentos tecnológicos inovadores e, não, no aprimoramento funcional de produtos já existentes.
Na distribuição de patentes por área de doença, prevaleceu o tratamento de doenças inflamatórias. Todavia, percebeu-se que a Hypermarcas investe mais em patentes voltadas para a área odontológica, a EMS para doenças infecciosas e inflamatórias, a Eurofarma para inflamatórias e veterinárias, a Aché essencialmente em inflamatórias e a União Química em veterinárias e oncológicas.
Os resultados também mostraram que as áreas oncológica e alérgica constituem possíveis nichos de mercado para futuros investimentos das empresas brasileiras no campo farmacêutico, por abrangerem necessidades de saúde da população ainda não atendidas.
A constatação do baixo número de depósitos de patentes, principalmente em comparação aos depósitos de entidades basileiras de pesquisa farmacêutica que efetuaram requerimentos no mesmo intevalo de tempo, pressupõe uma realidade da indústria farmacêutica nacional, a qual envolve um conjunto de fatores, como: o período longo de tempo para a geração dos produtos do setor, intrínseco a seu próprio processo de PD&I, o qual também se apresenta oneroso e de risco; o recente processo de desenvolvimento da indústria nacional, pós marco regulatório brasileiro; necessidade de maior investimento no citado processo pelas empresas farmacêuticas brasileiras.
Os indicadores econômicos e de patentes demonstraram que a indústria farmacêutica nacional constitui um segmento em ascensão, principalmente após a implantação das Leis de Propriedade Industrial e dos Genéricos que impulsionaram o setor a investir em PD&I,
patentear os medicamentos inovadores e a produzir localmente os genéricos, estimulando a competitividade entre as empresas e o acesso aos remédios pela população.
A análise de patentes resultantes de parcerias com instituição de ensino/pesquisa indicou que esta prática ainda não configura uma realidade firmada na indústria farmacêutica, haja vista o restrito número de instituições de ensino e pesquisa coparceiras nos depósitos de patentes pesquisados, inferindo que o setor precisa evoluir nesse aspecto. Denota-se que os resultados de PD&I poderiam ser ampliados com maior investimento em parcerias entre o setor farmacêutico e as universidades e os centros de pesquisa, instituições potencialmente geradores de tecnologia e conhecimento. Nessa perspectiva, poder-se-ia fomentar o intercâmbio de informações e agilizar o processo de produção de novos produtos e consequentemente ampliar a atividade de patenteamento do setor nacional.
O índice limitado de concessões das patentes nas empresas pesquisadas indicou que é necessário não apenas o fomento das parcerias com entidades de ensino e pesquisa em prol da intensificação nacional em PD&I, mas também uma reestruturação no INPI, sobretudo, para a avaliação dos pedidos de patentes, devido ao extenso tempo médio que o referido instituto leva para conceder uma patente.
O backlog de patentes no INPI demonstra o quanto o país necessita avançar na celeridade de seu processo de concessão, principalmente quando se toma como parâmetro outros escritórios de propriedade intelectual do mundo, o que dentre outros aspectos perpassa essencialmente pela elevação do quantitativo de examinadores no país, os quais se encontram com sobrecarga de trabalho.
Esta morosidade para a concessão das patentes pode estimular as empresas brasileiras a depositar fora do país, tornando os dados sobre os depósitos apresentados neste trabalho irreais, uma vez que os pedidos de patentes do setor farmacêutico no Brasil indicam que apenas 8% são decorrentes de empresas brasileiras e 92% de não residentes no país, sugerindo maior atenção à questão.
O aumento dos recursos humanos no INPI também pode contribuir para a alimentação da base de dados, evitando dificuldades como as enfrentadas neste trabalho acerca da não digitalização de documento completo de patente e disponibilização de CIP em processos que não estão mais em período de sigilo. Assim, o acesso completo às informações pode favorecer as pesquisas e as prospecções tecnológicas tanto das empresas quanto dos pesquisadores.
As empresas líderes se caracterizam por comportamentos estratégicos diferenciados: 40% prospector, 40% analítico e 20% defensivo. No entanto, a maioria das companhias tem
apresentado perfil investidor em inovações radicais e não em inovações incrementais, por não apresentarem conhecimento prévio de patentes anteriores, embora seus depósitos de patentes não sejam considerados relevantes tecnologicamente, nem valiosos economicamente por não serem citados por patentes subsequentes.
Apesar da maioria das empresas líderes do setor farmacêutico no país adotar estratégias que demonstram capacidade de liderança tecnológica, há um ínfimo número total de depósitos de patentes, numa trajetória de 26 anos.
Novas pesquisas poderão ser empreendidas com novos indicadores para avaliação da atividade de patenteamento das inovações da indústria farmacêutica brasileira sob novos ângulos, bem como para a análise de outras modalidades de propriedade intelectual utilizadas pelo setor, de forma a viabilizar novos resultados, contribuindo para a ampliação do panorama contemporâneo dessa indústria no Brasil.
Sugere-se, sobretudo, nova aplicação do ciclo de vida tecnológico, daqui a algum tempo, para analisar se a referida indústria adentrou ou não na fase de maturidade, bem como pesquisa para comprovar ou não a migração dos depósitos de patentes das empresas farmacêuticas brasileiras para países estrangeiros.
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