A televisão, o cinema, a Internet, os mídia e as demais tecnologias ajudam-nos a realizar o que já fazemos ou o que desejamos. Se somos pessoas abertas, ajudam- nos a nos comunicar de forma mais confiante e carinhosa; se somos fechadas, contribuem para aumentar as formas de controle, se temos propostas inovadoras, facilitam a mudança.
Educar com novas tecnologias é um desafio que até agora não foi enfrentado com profundidade mais relevante. No Brasil, no que diz respeito à Escola pública, tem-se feito apenas adaptações, pequenas mudanças.
Com a ajuda das tecnologias, é sabido que na Escola, no trabalho e em casa, podemos aprender continuamente, de forma mais flexível, reunidos numa sala ou distantes geograficamente, mas conectados por meio de redes de televisão ou Internet. O presencial torna-se mais virtual e a educação à distância torna-se mais presencial. Os encontros em um mesmo espaço físico combinam-se com os encontros virtuais, a distância, por meio dos mídia.
Entretanto, os recursos tecnológicos nada significam em si, nada fazem por si sós. Eles precisam estar ao serviço de um projeto pedagógico claro e definido. Seu uso precisa ser planejado de forma sistêmica e estar aliado a outros recursos. Seu papel é limitado e, afora atividades de curta duração e/ou pequena abrangência conceitual, deve estar aliado ao uso de outros meios. Por isso, é fundamental entender os limites dessa tecnologia. Por fim, cabe dizer que essa tecnologia será útil se estiver alinhada a uma proposta pedagógica de ensino visando uma aprendizagem mais efetiva e servindo para encurtar distâncias e contribuindo para humanizar as relações durante o processo de Ensino / Aprendizagem.
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Nesse novo contexto, estamos aprendendo, fazendo. Os modelos de educação tradicional não nos servem mais. Por isso é importante experimentar algo novo a cada momento. Fazer as experiências possíveis nas nossas condições concretas. É importante perguntar-nos no começo de cada ano O que estou a fazer diferente neste ano do que já fiz anteriormente? O que posso propor e avaliar de forma inovadora? Assim, dessa forma, pouco a pouco iremos avançando e mudando. Podemos começar por formas de utilização das novas tecnologias mais simples e ir assumindo atividades mais complexas. Experimentar, avaliar e experimentar novamente é a chave para a inovação e a mudança desejada e necessária.
Caminhar para uma flexibilização forte de cursos, tempos, espaços, gerenciamento, interação, metodologias, tecnologias, avaliação. Isso nos obriga a experimentar pessoal e institucionalmente a integração de tecnologias audiovisuais, telemáticas (Internet) e impressas.
Vivemos uma época de grandes desafios no ensino focado na aprendizagem. Vale a pena pesquisar novos caminhos de integração do humano e do tecnológico; do sensorial, do emocional, do racional e do ético; do presencial e do virtual; de integração da Escola, do trabalho e da vida.
São muitos esses desafios, no que se diz respeito à renovação do ensino e aprendizagem, segundo um documento da UNESCO (1995), voltado especificamente para a universidade, documento este que vem somente ampliar as prescrições já existentes: “A renovação do ensino e da aprendizagem na educação superior resulta indispensável para melhorar a pertinência e sua qualidade. Para isto é necessário estabelecer programas que fomentem a capacidade intelectual dos estudantes, melhorar o conteúdo interdisciplinar e multidisciplinar dos estudos e aplicar métodos pedagógicos que aumentem a eficiência da experiência da aprendizagem,
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especialmente tendo em conta os rápidos avanços das Tecnologias da Informação e da Comunicação”.
Nesse novo contexto, redefine-se o papel do professor “mais do que ensinar, trata-se de fazer aprender (....), concentrando-se na criação, na gestão e na regulação das situações de aprendizagem”(PERRENOUD, 2000), cuja mediação propicia a aprendizagem significativa aos grupos e a cada aluno.
Portanto, ensinar é organizar situações de aprendizagem, criando condições que favoreçam a compreensão da complexidade do mundo, do contexto, do grupo, do ser humano e da própria identidade. Diz então respeito a levantar ou incentivar a identificação de temas ou problemas de investigação, discutir a importância, possibilitar a articulação entre diferentes pontos de vista, reconhecer distintos caminhos a seguir na busca de sua compreensão ou solução, negociar redefinições, incentivar a busca de distintas fontes de informações ou fornecer informações relevantes, favorecer a elaboração de conteúdos e a formalização de conceitos que propiciem enfim uma aprendizagem significativa.
Criar ambientes de aprendizagem com a presença da TIC significa utilizá-la para a representação, a articulação entre pensamentos, a realização de ações, o desenvolvimento de reflexões que questionam constantemente as ações e as submetem a uma avaliação contínua.
Dessa forma, o professor que associa as TIC aos métodos ativos de aprendizagem desenvolve a habilidade técnica relacionada com o domínio da tecnologia e, sobretudo, articula esse domínio com a prática pedagógica e com as teorias educacionais que o auxiliem a refletir sobre a própria prática e a transformá-la, visando explorar as potencialidades pedagógicas das TIC em relação à aprendizagem e à consequente constituição de redes de conhecimentos.
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Sabe-se que a aprendizagem é um processo de construção do aluno, sendo este autor de sua aprendizagem, mas que, nesse processo o professor, além de criar ambientes que favoreçam a participação, a comunicação, a interação e o confronto de ideias dos alunos, também tem sua autoria. Cabe então ao professor, promover o desenvolvimento de atividades que provoquem o envolvimento e a livre participação do aluno, assim como a interação que gera a coautoria e a articulação entre informações e conhecimentos, com vistas a construir novos conhecimentos que levem à compreensão do mundo e à atuação crítica do contexto.
Conclui-se que o professor deverá atuar como mediador, facilitador, incentivador, desafiador, investigador do conhecimento da própria prática e da aprendizagem individual e grupal. Exercendo sua autoria, o professor deverá se colocar como parceiro dos alunos, respeitando-lhes o estilo de trabalho, a coautoria e os caminhos que serão adotados por cada um no seu processo evolutivo e de crescimento. Os alunos irão construir o conhecimento por meio da exploração, da navegação, da comunicação, da troca, da representação, da criação/recriacão, organização/reorganização, ligação/religação, transformação e elaboração de seus trabalhos.
Através dessa nova forma de atuar no processo de ensino / aprendizagem, o professor irá evitar ou pelo menos minimizar ao máximo o triste resultado da pesquisa realizada pela fundação Lemann, feita no Brasil em 2013, onde40 jovens foram entrevistados. O resultado dessa pesquisa diz quea falta de motivação para frequentar a Escola é uma realidade vivenciada por parte dos jovens, devido principalmente à distância entre o que é ensinado e a vida do aluno. “Os estudantes têm muita dificuldade em entender porque tem que aprender determinados conteúdos. Alguém tem que explicar para o jovem porque ele está aprendendo aquilo, contextualizando o
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conteúdo é fundamental”, afirma o economista e coordenador responsável pela pesquisa, Haroldo Torres (2002).
Alguns recursos para tornar a experiência escolar mais atraente para os alunos, segundo Torres (2002),poderiam incluir uma maior exploração das novas tecnologias em sala de aula e ter mais atividades práticas, tornando o conjunto de conteúdos mais relevantes para a vida cotidiana.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), vigente desde 1996, o Ensino Médio deve conter 13 disciplinas obrigatórias, abrangendo as quatro áreas do conhecimento. Atualmente, o Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) estão discutindo a Base Nacional Comum, exigência do Plano Nacional de Educação (PNE) cujo prazo vence no ano que vem.
Para Torres (2002), os parâmetros curriculares usados hoje para o Ensino Médio são extremamente intensos do ponto de vista de conteúdos e na prática as pessoas aprendem muito pouco: “Existe um precedente do ponto de vista lógico que não estamos conseguir observar. Não quero dizer que aprender filosofia não é importante, mas não é possível aprender filosofia se eu não sei ler”. Sobre as novas propostas curriculares, Torres defende maior flexibilidade, menos conteúdo e mais prática.
Depois de tudo que foi visto, pesquisado e lido pode-se concluir que para incorporar de forma mais efetiva e produtiva as TIC na Escola é preciso ousar, vencer desafios, articular saberes, tecer continuamente a rede, criando e desatando novos nós conceituais que se inter-relacionam com a integração de diferentes tecnologias, com a linguagem hipermídia, as teorias educacionais, a aprendizagem do aluno, a prática do educador e a construção da mudança em sua prática, na escolar e na sociedade. Essa mudança torna-se possível ao propiciar ao educador o domínio das TIC e o uso destas
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para inserir-se no contexto e no mundo, representar, interagir, refletir, compreender e atuar na melhoria de processos e produções, transformando-se e transformando-os.
74 6.2 TRABALHO FUTURO
Já fez 40 anos que Marshall McLuhan (veja-se, por exemplo, uma página sobre a sua vida e obra em https://pt.wikipedia.org/wiki/Marshall_McLuhan) lançou seu famoso desafio “O meio é a mensagem” e, desde então, muitos especialistas têm procurado compreender como e o quê se aprende por intermédio das “mídias”. Com sua frase lapidar, o pensador canadense, que muitos consideravam visionário e catastrofista, queria refutar a tese, muito em voga na época, da neutralidade do meio tecnológico: ao transmitir a mensagem, afirmava ele, o meio também transmite algo mais que lhe é inerente e que age sobre o conteúdo, transformando-o. Este algo mais é o que chamamos hoje de “linguagens” das mídias eletrônicas.
O impacto desse avanço tecnológico sobre os processos e instituições sociais (educação, comunicação, trabalho, lazer, relações pessoais e familiares, cultura, etc.) tem sido muito forte, embora percebido de modos diversos e estudado a partir de diferentes abordagens e pontos de vista.
O trabalho presente realizou uma análise reflexiva sobre a integração e a utilização das TIC como facilitadora no processo de ensino e aprendizagem para os adolescentes brasileiros. Diante de tudo que foi pesquisado e apresentado nesse trabalho, vimos que são imensos os desafios que essas constatações colocaram para o campo da educação, tanto do ponto de vista da intervenção, isto é, da definição e implementação das políticas públicas, quanto do ponto de vista da reflexão, ou seja, da construção de conhecimento apropriado à utilização adequada das mídias com fins educativos.
Como a instituição escolar vai lidar com este novo desafio? Como poderá a escola contribuir para que todos os adolescentes brasileiros se tornem utilizadores
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(usuários) criativos e críticos dessas novas ferramentas e não meros consumidores compulsivos de representações novas de velhos clichês? Essa é uma primeira questão crucial que pretendo responder nos meus trabalhos futuros, acrescentando a esta outra pergunta ainda mais crucial: “como pode a escola pública assegurar a inclusão de todos na sociedade do conhecimento e não contribuir para a exclusão de futuros ciber analfabetos”? Lembrando que existe uma linha tênue perigosa que separa o poder educativo e o (des)educativo da cultura mediática, e que nós entendemos como um dos maiores desafios da teoria de educação contemporânea, na qual pretendo também focar minhas pesquisas nos meus trabalhos futuros.
Tecnologias e conhecimentos devem-se integrar para produzir novos conhecimentos que permitam os nossos adolescentes compreender as problemáticas atuais e desenvolver projetos, soluções, em busca de alternativas para a transformação do cotidiano e da construção da cidadania.
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