Não encontramos relação entre o tempo de aleitamento materno e a manifestação de asma brônquica. No entanto, parece-nos possível que haja um efeito protector no seu aparecimento, principalmente em crianças não alérgicas.
Os resultados da nossa investigação reforçam as conclusões de outros autores, ao admitirem a asma como uma doença multifactorial, em que a prevenção se torna essencial para diminuir a sua incidência. As medidas profilácticas passam pelo incentivo do aleitamento materno, com especial relevância entre as crianças filhos de mães não alérgicas.
9 - Sugestões
Com este trabalho esperamos ter contribuído para a compreensão da relação entre o aleitamento materno e o aparecimento de asma. Estamos conscientes da humilde contribuição perante a imensidão de dúvidas que se levantam.
Do muito que gostaríamos de ver esclarecido num futuro, por nós ou por outros, para uma melhor e mais correcta percepção do problema, realçamos, por exemplo, verificar se existe relação entre o tempo de amamentação e a gravidade da asma.
Gostaríamos de ter realizado este trabalho usando uma metodologia prospectiva no qual iríamos, também, observar a relação do tempo de amamentação com a gravidade da doença.
Fica-nos uma reflexão que poderá continuar a estruturar o caminho da investigação agora encetado:
"O aleitamento materno constitui, não só uma forma nutricional, mas também uma forma de "educar imunologicamente" a criança, ajudando-a no seu desenvolvimento.
Resumos
10 - Resumos
10.1-Resumo
A asma constitui uma das patologias importantes na infância, tomando-se, conjuntamente com outras doenças imunoalérgicas, numa preocupação constante; o aumento da sua prevalência, com principal incidência nos países ocidentais e desenvolvido. Apesar de nos últimos anos se ter verificado um aumento dos conhecimentos da etiopatogenia da asma e dos avanços nas técnicas de biologia molecular e genética, as condições do seu aumento permanecem obscuras.
A multiplicidade de factores que podem coexistir na génese da asma só recentemente começou a ser especificada em diferentes estudos epidemiológicos e anatomopatológicos, permitindo uma exploração mais real e pormenorizada.
É do conhecimento da comunidade científica que o leite materno é o único alimento para a criança nos primeiros meses de vida, não só porque contém os nutrientes necessários ao óptimo crescimento e desenvolvimento, como também contribui de forma acentuada para a prevenção de patologias infecciosas e alérgicas.
O aleitamento materno constitui, também, um dos primeiros actos de comunicação interactiva Mãe- Filho de forma gratificante, pois cria laços de vinculação extremamente fortes, aumentando a estabilidade emocional e afectiva de ambos, contribuindo para um desenvolvimento equilibrado do Filho e da Família.
As propriedades protectoras do leite materno podem ser divididas em factores celulares e factores humorais, no entanto, os dois actuam de forma complementar.
Vários estudos demonstraram que o aleitamento materno exclusivo pode levar à menor incidência de doença atópica e alergias alimentares. Os anticorpos passam para as crianças através do leite materno fazendo parte do que chamamos "sistema imune enteromamário".
Este estudo tem como finalidade estudar a relação entre a duração do aleitamento materno e a manifestação de asma na criança.
A população sobre a qual o nosso estudo incidiu foi o das crianças que frequentam a Consulta de Imuno-Alergologia do Departamento de Pediatria do Hospital de S. João, Consulta de Saúde Infantil do Centro de Saúde da Maia - Administração Regional de Saúde do Norte Sub-Região de Saúde do Porto, o Infantário da Escola do Ensino Básico do Castelo da Maia e o Jardim de Infância da Rua Rodrigo Alvares, entre Setembro e Dezembro de 2000. Seleccionámos sequencialmente de todas as crianças, e em conformidade com critérios pré - determinados, uma amostra de 120 crianças, com idades compreendidas entre 1 e 5 anos. O grupo dos não asmáticos (grupo controlo) foi formado pelas crianças do Centro de Saúde e dos Infantários. O grupo dos asmáticos foram seleccionados da Consulta de Imuno-Alergologia com o diagnóstico de asma, segundo os critérios de diagnóstico da Sociedade Torácica Americana.
Para obtenção de informação das variáveis em estudo utilizamos um questionário auto-aplicado, anónimo.
Para análise estatística dos resultados usamos os testes estatísticos: Teste Exacto de Fisher e Associação de tendência linear, quando pretendíamos comparar os resultados entre os grupos e os testes Teste de U de Mann-Whitney, Teste T de Student e Qui-quadrado de Pearson para comparação de médias.
Em todas as análises efectuadas considerámos com significado estatístico um valor de/? < 0,05. Os dois grupos não apresentam diferenças estatisticamente significativas, para as diferentes variáveis. No entanto para a variável "Reanimação ao nascimento" este valor é significativo.
No nosso estudo encontramos uma predominância do sexo masculino sobre o feminino, que não segue o padrão comum, em que a relação sexo masculino/feminino é de 2/1.
Verificamos que existe um bom desenvolvimento estato-ponderal, que nos é dado pelo aumento das frequências dos percentis correspondentes a maior peso e estatura, aquando do momento da observação.
Na variável "Reanimação ao nascimento" encontramos significado estatístico, apesar de não ser abundante na literatura estudos sobre o assunto, os resultados vão ao encontro das conclusões de alguns autores, que sugerem que a oxigénioterapia neonatal e ventilação mecânica após o nascimento pode aumentar a susceptibilidade das crianças para a ocorrência de asma.
Encontramos coincidência do início de sintomas, entre os 2 e 4 anos, e os resultados descritos na literatura que sugerem como possível causa a sensibilização através da alimentação materna.
As análises das perguntas sobre a amamentação mostram que não existem diferenças significativas entre os dois grupos de crianças, o que nos é confirmado pela não existência de significado estatístico para as várias questões inter-grupo. Encontramos uma frequência elevada de crianças (91%) que tiveram aleitamento materno, cujo o tempo médio foi de 16 semanas para os asmáticos e 20 semanas para o grupo de não asmáticos. Parece-nos prudente, a partir dos nossos resultados, tirarmos ilações sobre se o aleitamento materno conferiria ou não protecção eficaz no desenvolvimento da doença asmática.
No nosso estudo não encontramos quaisquer dados que difiram dos padrões preconizados pelas principais organizações especializadas em nutrição infantil.
As reacções alérgicas com forte significado estatístico foram ao leite de vaca em que o grupo de asmáticos eram todos alérgicos. O chocolate e o morango, sendo histamino libertadores, também apresentaram elevada frequência.
Encontramos significado estatístico (p<0,05) quando cruzamos a idade de introdução do leite de vaca em natureza e o ser ou não asmático.
Os resultados por nós encontrados apoiam a hipótese de que há uma relação entre a asma dos pais e avós e da criança, em que o valor áep <0,05.
Embora seja referido na literatura como adjuvante do aparecimento de sintomatologia asmática, não encontramos significado estatístico (p>0,05), quer se tratasse da mãe, ou do pai.
No nosso estudo não encontramos significado estatístico (p>0,05) quando cruzamos as condições de humidade, zona rural ou urbana, possuir cão e/ou gato, com os dois grupos (asmáticos e não asmáticos), mas encontramos significado estatístico (p<0,05) para quando existia alcatifas e peluches nos quartos e se usava aspirador e ou vassoura na limpeza da casa.
Não encontramos qualquer significado estatístico (p>0,05) entre o tempo de permanência e idade de início de frequência de infantário e os asmáticos e não asmáticos. Também não encontramos significado estatístico quando procedemos de igual modo, mas para as variáveis: nascimento de irmãos, separação dos pais, morte de ente querido e mudança de casa.
Em conclusão, no nosso estudo não encontramos relação entre o tempo de aleitamento materno e a manifestação de asma brônquica. No entanto, parece-nos possível que haja efeito protector no aparecimento precoce da asma.