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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

7.1. Conclusões gerais da pesquisa

Esta pesquisa se propôs a elaborar e analisar, a partir do ponto de vista da teoria e da prática, o resultado financeiro segundo o Modelo Fleuriet, que foi desenvolvido a partir da realidade da economia e das empresas brasileiras, assim como objetivou elaborar e analisar o resultado econômico frente ao modelo baseado no Valor Econômico Adicionado com origem bastante antiga, mas que teve o seu auge em função das mudanças ocorridas na economia mundial (com a globalização dos mercados, privatizações, fusões, etc) seguidas de um novo enfoque de medição do desempenho das empresas a partir do aumento do valor para o acionista.

Para elaborar e analisar o desempenho financeiro e o desempenho econômico, constituiu-se uma base de dados a partir de dados secundários extraídos do Relatório Econômico-Financeiro da Fecoagro/RS, referente ao período de 2001 a 2003. Posteriormente, foram aplicados os modelos e elaborados testes estatísticos para o estudo do relacionamento das variáveis objeto da pesquisa.

O objetivo geral de analisar o desempenho financeiro e econômico das cooperativas agropecuárias gaúchas a partir da aplicação de modelos alternativos de avaliação, verificando a possível associação entre ambos, foi alcançado através:

¾ Da aplicação do Modelo Fleuriet através da reclassificação das demonstrações financeiras elaboradas pela contabilidade a partir da legislação societária, apurando o valor das variáveis independentes CDG,

NCG e ST e analisando os tipos de estrutura e situação financeira sob o aspecto dinâmico proposto pelo modelo;

¾ Da aplicação do modelo baseado no Valor Econômico Adicionado com cálculo do custo do capital próprio e apuração da variável dependente EVA®, a partir do resultado operacional líquido definido pela legislação societária, analisando a criação ou destruição de valor econômico; e

¾ Da utilização da estatística não-paramétrica baseada na análise de correlação, através do teste Qui-quadrado (χ2) e do teste de Kendall (τ), para avaliar a associação existente entre as variáveis independentes componentes do Modelo Fleuriet (CDG, NCG e ST) e a variável dependente do modelo baseado no Valor Econômico Adicionado (EVA®). O estudo da estrutura financeira das cooperativas agroindustriais, a partir da elaboração da análise dinâmica do desempenho financeiro, proposta pelo Modelo Fleuriet sobre o conjunto de cooperativas objeto da amostra, permite afirmar que, de acordo com a natureza dos componentes patrimoniais, ocorreu um agravamento da situação financeira dessas cooperativas.

Nas observações, o número de cooperativas com CDG positivo apresenta uma diminuição gradativa no período, fato que caracteriza a falta de manutenção de fontes de fundos permanentes. Assim, esta se tornando habitual para as cooperativas financiarem ativos permanentes com recursos de curto prazo. Em decorrência, um número cada vez maior de cooperativas está adotando essa prática. Pode-se constatar, também, que a NCG positiva permaneceu invariável durante todo o período. É importante destacar que essa informação demonstra a manutenção do mesmo nível de atividades nos negócios das cooperativas, apesar de estarem demandando recursos para o desenvolvimento da atividade operacional com uso de recursos onerosos de curto prazo. Através das relações entre os itens do Ativo e Passivo Financeiro, os resultados da variável ST negativo encontrados confirmam que o maior número de cooperativas não está em equilíbrio financeiro. Ainda, na avaliação da capacidade de solvência das cooperativas, conclui-se que há riscos de concordata dessas cooperativas em decorrência do tipo de estrutura e da situação financeira apurada.

A estrutura e situação financeira predominante é a insatisfatória. Com a NCG positiva maior que o CDG positivo, insuficiente para financiar as atividades

operacionais, é necessário, para essas cooperativas, utilizar recursos de curto prazo para o financiamento operacional uma vez que o longo prazo é insuficiente para a manutenção dos negócios. Em decorrência, resulta um ST negativo que representa falta de equilíbrio financeiro, indicando risco de insolvência.

O agravamento da situação financeira torna-se explícita a partir do momento em que a situação insatisfatória decresce no final do período analisado. Pode-se afirmar que as cooperativas estão indicando decadência na situação financeira frente ao aumento de cooperativas enquadradas na situação de alto risco que também cresce gradativamente. Apesar de apresentarem equilíbrio financeiro ST positivo, uma parte das aplicações permanentes são financiadas por fontes de fundos de curto prazo, o que contribui para a formação do ST negativo. A decadência financeira confirma-se quando é constatado crescimento do número de cooperativas em situação péssima. Nesse quadro, as cooperativas lutam pela sobrevivência e tendem a desaparecer ou sobrevivem com a ajuda do Estado.

Os indicadores do modelo dinâmico, que estão ligados diretamente aos ciclos operacional e financeiro e que enfatizam aspectos da política de capital de giro, indicam que o perfil financeiro das cooperativas não é bom e que está piorando. Portanto, a maneira como é realizada a gestão financeira dos valores a receber, dos estoques, das compras junto a fornecedores, dos empréstimos de curto prazo, por exemplo, está conduzindo as cooperativas a uma tendência de enfrentamento de dificuldades financeiras. Pode-se considerar como fator motivador importante para o perfil financeiro das cooperativas, a sazonalidade na produção agropecuária, fator que restringe a padronização das atividades financeiras. As cooperativas com uma situação de plena continuidade nos negócios são minoria.

O desempenho econômico, a partir do modelo de Valor Econômico Adicionado, indicou formação de resultado econômico positivo, EVA® positivo – criação de valor econômico – na maior parte das cooperativas. A criação de valor ocorre sempre que se investe em projetos cujos retornos superam o custo total do capital. Portanto, o capital investido por essas cooperativas está sendo remunerado de forma adequada. O lucro contábil está cobrindo o custo de todo o capital utilizado por essas cooperativas e o desempenho corporativo criou valor para os investidores. Em contrapartida, a formação de resultado econômico negativo no conjunto das cooperativas, EVA® negativo – apresentou a menor destruição de valor ao final do período analisado.

Trata-se, portanto, de dois modelos de análise econômico-financeira que possuem pontos comuns. O modelo Fleuriet consegue indicar o perfil financeiro da empresa e predizer tendências preocupantes e o EVA® verifica se o capital investido pela empresa está sendo remunerado de forma adequada. O relacionamento do EVA® com estratégias financeiras, um dos principais pontos abordados pelo modelo dinâmico, afirma que o indicador do valor econômico adicionado sinaliza se as estratégias financeiras implementadas agregam valor, reforçando sua viabilidade econômica e a continuidade do empreendimento.

Na análise estatística de correlação não-paramétrica, que buscou responder sobre a existência de associação entre o Modelo Fleuriet e o modelo baseado no Valor Econômico Adicionado, constatou-se que a relação entre as variáveis independentes com a variável dependente, que no início do período em análise é descrita como fraca, transforma-se nos exercícios subseqüentes. Ocorre aumento na relação da variável dependente EVA® com as variáveis independentes CDG e NCG, cuja relação passa a se apresentar como moderada, e diminuição na relação com a variável independente ST, na qual a relação passa a ser descrita como bem fraca.

Portanto, é possível que uma má gestão financeira dos valores a receber e/ou dos estoques, por exemplo, possa conduzir a uma desagregação de valor econômico. Por outro lado, uma adequada gestão do ciclo operacional da empresa deverá gerar aumentos de valor econômico agregado. Resumidamente, os prováveis motivos de desagregação de valor econômico podem ter como origem um inadequado dimensionamento das políticas de capital de giro.

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