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8. CONCLUSÕES

8.1. CONCLUSÕES GERAIS DO TRABALHO

O trabalho desenvolvido nesta dissertação permitiu alcançar o seu objetivo principal, cumprindo-se com sucesso todos os objetivos parciais definidos no capítulo 1. De seguida apresentam-se as principais conclusões deste trabalho:

 O programa de simulação EnergyPlus tem à sua disposição três diferentes modelos de transferência de calor e humidade: O modelo CTF, o modelo HAMT e o modelo EMPD. Aplicando os vários modelos foi possível analisar a influência de cada um no desempenho higrotérmico da habitação em estudo;

 O modelo que o EnergyPlus considera por defeito é o modelo CTF, que despreza no seu cálculo o mecanismo de transferência de humidade através dos elementos construtivos. Assim, quando a habitação é simulada com este tipo de modelo, não é admitida qualquer transferência de calor latente, nem qualquer adsorção da humidade do ar, por parte dos materiais existentes. O seu cálculo restringe-se apenas à transferência de calor através dos materiais, exigindo-se para a sua utilização o conhecimento de três propriedades fundamentais: Condutibilidade térmica, a massa volúmica e calor específico;

 O modelo HAMT trata-se de um modelo bastante completo, que tem em conta o efeito conjugado da transferência de calor e humidade através dos elementos construtivos. Neste caso, são admitidas transferências de calor latente e considera-se a adsorção da humidade do ar, por parte dos materiais constituintes da habitação. Para a sua utilização no EnergyPlus, é necessário quantificar para todos os materiais as seguintes propriedades: Condutibilidade térmica, massa volúmica, calor especifico, curva de retenção, teor de humidade inicial, porosidade, coeficiente de transferência de água líquida por sucção (função do teor de humidade), coeficiente de transferência de água líquida de redistribuição (função do teor de humidade), fator de resistência à difusão de vapor (função da humidade relativa) e, por último, a condutibilidade térmica em função do teor de humidade do material;

 O modelo EMPD permite simular a adsorção e desadsorção de vapor de água à superfície das paredes, utilizando para isso apenas uma fina camada de espessura , localizada na superfície mais interior da parede. Para a sua correta utilização, além de ser necessário quantificar a condutibilidade térmica, a massa volúmica e o calor específico dos diversos materiais existentes, é também fundamental caracterizar detalhadamente o material higroscópico considerado à superfície das paredes. Para o caso em estudo, o material

 O processo de cálculo do modelo EMPD é bastante sensível ao valor considerado para a espessura da camada superficial de reboco. Por essa razão, foram consideradas duas situações, E PD1 e E PD2, considerando em cada uma delas valores de iguais a 2,5mm e 4mm, respetivamente.

 Quando se utilizam os modelos CTF e EMPD, registam-se temperaturas interiores na habitação bastante similares. No entanto, quando se admitem transferências de calor latente, como no caso do Modelo HAMT, as temperaturas registadas têm uma alteração sensível.

 Quando se analisa a temperatura ponto de orvalho interior, os valores registados com o Modelo EMPD, admitindo-se uma maior capacidade de adsorção do reboco higroscópico (EMPD2), revelam uma grande proximidade aos resultados obtidos com o Modelo HAMT. Em contrapartida, quando essa capacidade é menor (EMPD1), as temperaturas ponto de orvalho situam-se num intervalo de valores ligeiramente diferente do Modelo HAMT.

 Comparativamente aos outros modelos, quando se utiliza o modelo CTF, os valores registados para a temperatura ponto de orvalho interior situam-se num intervalo bastante mais alargado. Esse comportamento pode ser justificado pelo facto de não ser admitida a adsorção de vapor pelos materiais no respetivo modelo.

 Uma vez que o modelo CTF não considera adsorção de vapor pelos materiais, atingem-se valores de humidade relativa interior bastante elevados, refletindo-se isso no valor da temperatura ponto de orvalho interior. Quando se utilizam os modelos HAMT e EMPD, registam-se humidades relativas interiores mais baixas.

 Numa situação de inverno e de ausência de aquecimento, à medida que se aumenta a taxa de renovação horária no interior da habitação, maior é a influência do ambiente exterior no seu comportamento higrotérmico. Deste modo, torna-se cada vez mais difícil obter condições de conforto interior, especialmente no que diz respeito a temperatura e humidade relativa. Para além disso, importa salientar também que, para uma ventilação crescente no interior da habitação, maior é o risco de desenvolvimento de fungos no seu interior.

Através dos resultados obtidos facilmente se compreende que a ventilação, apesar de melhorar a qualidade do ar interior, pode provocar grandes perdas térmicas e gerar situações de grande desconforto. No entanto, esta situação poderia ser contrariada se existisse aquecimento no período de inverno. Através da sua consideração e do seu efeito conjugado com a ventilação, poderia ser melhorado o conforto interior e minimizada a ocorrência de determinadas patologias.

 Um caudal de ventilação muito reduzido pode implicar um risco de desenvolvimento de fungos elevado.

 No caso em que a habitação é submetida a um regime de ventilação variável, foram analisadas duas situações distintas: uma primeira, que não admite uma mudança brusca das condições de ventilação diárias, e uma segunda, que considera um forte acréscimo de Rph num determinado período do dia.

Para a primeira situação, o comportamento higrotérmico da habitação tende a aproximar-se do comportamento registado para regimes de ventilação constante. No entanto, verificou-se um maior risco de desenvolvimento de fungos no caso variável.

Para a segunda situação, as condições interiores de humidade e temperatura tendem a afastar- se da situação de regime constante.

É de notar que estes resultados apenas ilustram uma tendência de comportamento da habitação face a determinadas condições de ventilação variáveis. De facto, para uma análise mais rigorosa, seria necessário considerar-se uma gama mais diversificada de regimes de ventilação.

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