O presente estudo avaliou o comportamento da temperatura em um aquífero costeiro urbano localizado nas margens do Rio Tejo (Lisboa, Portugal) durante a primavera do ano de 2009.
Os valores de temperatura ocorrentes na área de estudo estão compreendidos entre 17,30 ºC e 20,94 ºC. A energia térmica presente nessas águas com essa faixa de valores pode ser aproveitada por meio do uso direto e, principalmente, por meio de bombas de calor geotérmico.
A área analisada possui variação de temperatura de forma irregular, não sendo possível o cálculo de um gradiente térmico único.
Os fatores que influenciam a distribuição da temperatura na área são, principalmente, as estruturas subterrâneas, estratificação litológica, proximidade de afloramentos rochosos e as condições das marés, sendo que este último diminui conforme aumento da profundidade.
A variabilidade espacial indicou que a infraestrutura urbana interfere no comportamento da camada superficial e a geologia (afloramentos de calcário e basalto) influenciam o comportamento da camada de base. A camada intermediária pode ser influenciada por ambos os fatores.
Considerando a litologia, a área próxima aos calcários apresenta valores inferiores de temperatura em relação ao restante da área da mesma camada. Ao contrário, nas regiões próximas aos basaltos, as temperaturas do aquífero são superiores em relação ao restante da área.
A variabilidade temporal, analisada pela variação das marés, permite afirmar que, em contato com as docas, a maré influencia o comportamento termal da zona superior. Na zona de base não é visualizada essa variação, nesta zona, as temperaturas são estáveis para maré alta e maré baixa.
Para aplicação efetiva de meios de aproveitamento da energia térmica no local são necessários estudos complementares que analisem influência da variação da temperatura ambiente e precipitação ao longo do ano na camada superficial e estudos que avaliem a profundidade onde a temperatura é estável ao longo de todo o ano hidrológico.
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