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CONCLUSÕES

No documento Lidia 29Setembro Finalissima (páginas 101-105)

Este percurso de investigação permitiu-nos compreender o potencial de utilização clínica de uma subescala do instrumento, orientada para a descrição dos perfis de autocuidado dos clientes.

O valor encontrado pela estatística Alfa de Cronbach, do instrumento utilizado para efeito da recolha de dados, (0,48) recomenda-nos grande cautela na leitura dos resultados deste estudo. No entanto, e porque reconhecemos a sua validade, poderá ser de extrema importância, do ponto de vista clínico, servindo como guia orientador, no processo de colheita de dados. Neste âmbito, o instrumento pode não ser utilizado na sua totalidade, mas os seus diferentes itens poderão permitir ao enfermeiro identificar com maior propriedade a a te ísti asàdefi ido as do perfil de autocuidado dos seus clientes.

Pensamos que o instrumento poderá sofrer adaptações numa vertente transcultural, uma vez que a população utilizada no instrumento primário, para além de serem indivíduos mais velhos (superior a 75 anos), apresentava um nível de formação escolar mais elevado, com o acréscimo das marcadas diferenças entre a população do Norte da Europa e a população portuguesa. Pensamos também que a dimensão da nossa amostra (161) poderá ter contribuído para as nítidas limitações de fidelidade dos resultados.

Tomando por referência os objectivos que nortearam esta investigação, importa salientar que a maioria dos casos estudados podem, à partida, serem categorizados como pessoasà o à u à pe filà deà auto uidadoà i defi ido;à oà ueà t aduzà asso iaç oà deà características oriundas dos quatros perfis teóricos propostos por Backman e Hentinen (1999). Relativamente ao perfil de autocuidado apenas 25% de casos apresentam um perfil de autocuidado, pu o , sendo que 29 casos pertencem ao perfil espo s vel , 8 ao perfil formalmente guiado e 3 reflectem o perfil de a a do o . Cerca de 16,2% de casos

apresentam um perfil de autocuidado predominantemente de um dos tipos:

predominantemente responsável surge com 17 casos, predominantemente formalmente guiado com 6 casos eàoà predominantemente de abandono apresenta 3 casos.

98 O perfil de autocuidado de abandono surge fortemente associado a pessoas do sexo feminino, viúvas e reformadas. Quanto ao perfil responsável são os trabalhadores activos e os casados /união de facto quem apresenta mais características definidoras deste perfil.

Do processo de análise factorial exploratória resultaram 14 factores que reflectem a postura dos participantes, face ao autocuidado, demonstrando que estes se dividem em dois grupos; pessoas com atitudes pró-activas que encaram o envelhecimento como algo positivo e estimulante, capazes de lidar com os seus problemas de saúde, e outro grupo com características de maior passividade, marcados pela resignação/ aceitação, demonstrando sentimentos negativos face ao futuro, manifestados pelo medo da perda de autonomia.

Neste estudo verifica-se uma associação entre o perfil de autocuidado responsável e o nível de dependência, constatando-se que as pessoas com predominância deste perfil apresentam maior nível de independência.

Concluímos que a atitude da pessoa face ao autocuidado é influenciada não apenas pelo seu percurso biográfico (Backman & Hentinen; 1999; 2001), mas, também pela postura da pessoa, que aqui descrevemos como factores, que orientam o sentido que esta toma na procura de comportamentos de saúde e, assim o interesse que atribui à sua autonomia.

Ao longo do percurso de investigação, fomo-nos deparando com algumas dificuldades/limitações que dificultavam a concretização dos nossos objectivos. A primeira dificuldade passou por conseguirmos que todos os enfermeiros/investigadores dos respectivos serviços, se organizassem de forma a aplicar o formulário a todas as pessoas que reunissem os critérios da nossa amostra, reduzindo o mais possível, a fuga àdeà asosà com interesse para o efeito. Outra limitação passou pela existência de questões com dupla interpretação o que pode conduzir a enviesamento de resultados, tomando como exemplo, a questão nº 28, - oàp e isoàdeàsa e àpa aà ueàdoe çasàs oàos medicamentos que tomo, o fioà oà euà di o .àáàpessoaàaoà efe i à o fia à oà di o,àpode-nos indicar um perfil aisà fo al e teàguiado àouàdeà a a do o ,à oàe ta to,àaoà efe i à ueà ue àsa e àpa aà que doenças são os medicamentos sugere-nos mais o perfil espo s vel à ouà

i depe de te .

Perante o exposto, devemos ainda referir que a maior condicionante na realização deste estudo se deveu essencialmente ao reduzido tempo útil, para a concretização do

99 mestrado, que nos confinou o tamanho da amostra. No entanto, cremos, que a validação do instrumento, com um número de casos superior ao do nosso estudo, permitirá alcançar u àαàdeàCronbach superior e mais seguro.

Admitimos que, os resultados alcançados pela presente investigação devem ser utilizados com cautela em futuros estudos no âmbito do autocuidado.

Em síntese:

 O instrumento de avaliação do perfil de autocuidado dos clientes que utilizámos no

estudo, deve ser usado com ponderação e ser, eventualmente, reformulado para a população portuguesa, uma vez que ficou demonstrado que uma grande percentagem de indivíduos da amostra foi categorizada o oà i defi ida , relativamente ao perfil de autocuidado. Todavia, admite-se que muitos dos casos estudados sejam, na realidade, no ueà seà epo taà aoà seuà pe filà deà auto uidado,à pessoasà o à pe fisà i defi idos à ouà u aà mescla de características oriundas dos quatro perfis teóricos definidos por Backman e Hentinen; 1999; 2001.

 O conhecimento do perfil de autocuidado das pessoas ajuda-nos a compreender

muitos aspectos da sua vida, potenciando abordagens terapêuticas mais significativas.

 Existe àfa to esà ueàdeve àse àto adosàe àate ção,à o side adosà o oà easà

i te dias à ueà osàdãoào ie taçãoàdaàpostu aàdaàpessoaàfa eàao autocuidado.

 Este estudo deverá constituir um desfio para o futuro, para efeito da pratica clínica,

quer da própria pessoa face ao perfil de autocuidado, quer da pessoa prestadora de cuidados, relativo ao perfil de autocuidado dos que lhe são significativos, pretendendo-se que se adoptem posturas de promoção da autonomia.

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No documento Lidia 29Setembro Finalissima (páginas 101-105)

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