A utilização de materiais alternativos em camadas de base e sub-base de pavimentos possibilita a construção e pavimentação de diversas rodovias ainda não pavimentadas. No Brasil, tem-se abundância de tais materiais, entre eles os solos lateríticos. Quando compactados em determinadas energias e teores de umidades, estes materiais apresentam uma capacidade de suporte considerável, baixa expansão e elevado módulo de resiliência.
Neste contexto, o principal objetivo deste trabalho foi classificar quatro amostras de solos coletadas no noroeste do Rio Grande do Sul através de diferentes metodologias. Utilizou-se a Classificação MCT e o Método das Pastilhas, ambos desenvolvidos para classificação de solos tropicais. Além destas metodologias, utilizaram-se as classificações tradicionais SUCS e HRB, fundamentadas em regiões de clima temperado e frio.
Conforme o Sistema Unificado de Classificação de Solos (SUCS), o solo CA-L é uma argila muito plástica com areia (CH), o IJ-L é uma argila pouco plástica (CL), o solo CA-S é um silte elástico (MH) e o IJ-S é uma argila plástica (CH). Em relação à classificação HRB, mais difundida na área rodoviária, os solos CA-L, CA-S e IJ-S são do grupo A-7-5, ou seja, argilas plásticas ou medianamente plásticas com pouco ou nenhum material grosso e de baixa compressibilidade. O solo IJ-L também é classificado como um solo argiloso, porém no grupo A-7-6. De acordo com esta classificação, todos os materiais são considerados de fraco a pobre comportamento como subleito.
Em ambas as classificações tradicionais foi possível perceber uma inconsistência entre a granulometria dos solos e sua classificação. O solo CA-S, por exemplo, possui um predomínio de silte (61%) e, devido ao seu alto valor de limite de liquidez, foi classificado como um solo argiloso. Isso evidencia as peculiaridades dos solos tropicais e a falha na classificação por parte desses sistemas.
Em relação à classificação MCT, duas amostras apresentaram comportamento laterítico. O solo CA-L é considerado um solo arenoso laterítico (LA’) e o solo IJ-L é considerado argiloso laterítico (LG’). Os outros dois solos foram enquadrados como solos de comportamento não laterítico. Enquanto o CA-S foi classificado como um solo siltoso não laterítico (NS’), o solo IJ-S foi enquadrado como NG’, um solo argiloso não laterítico.
Utilizando o Método das Pastilhas, a amostra CA-L foi classificada como LA’- LG’, enquanto a CA-S foi considerada NS’-NG’. O solo IJ-L foi enquadrado como LG’ e o IJ-S foi classificado como NA’/(NG’-NS’). Comparando as classificações obtidas na MCT com o Método das Pastilhas foi possível identificar uma concordância entre as duas metodologias. Esta concordância confirma que o método é eficiente na identificação expedita de solos tropicais.
Fazendo-se uma comparação entre as classificações obtidas pelos sistemas tradicionais com a MCT, é possível perceber que apenas as amostras CA-L e IJ-L foram enquadradas em grupos de características semelhantes, mas ainda assim com ressalvas.
Conclui-se que, entre os sistemas utilizados para classificar os solos em estudo, a Metodologia MCT e o Método das Pastilhas são os mais eficientes e os que condizem mais com a realidade dos solos tropicais. A utilização dos sistemas tradicionais SUCS e HRB conduz a uma classificação incoerente, classificando solos lateríticos, como dois dos solos estudados, como inadequados para uso em pavimentação.
Por fim, fica evidente a importância da Metodologia MCT na identificação e classificação de materiais alternativos de pavimentação como os solos lateríticos. Dessa forma, a construção de rodovias de baixo custo na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul com utilização de solos de ocorrência local pode propiciar desenvolvimento a áreas necessitadas.
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