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A Queixa, como expressado na Seção 4.2, define-se similarmente à denúncia. A diferença principal está em que a Queixa é a peça acusatória inicial da ação penal privada. De forma parecida à Denúncia, o inquérito policial é facultativo, ou seja, não é necessário empregá-lo para ofecer uma denúncia.

Importante notar que, para nós, esta fase tem como objetivo, além de oferecer a queixa, a citação de um acusado, afim de que se inicie a ação penal. Consecutivamente, denotamos essa fase no modelo da Figura A.1. Ela mostra os três atores presentes na fase de Queixa, são eles: o Ofendido, o Ministério Público e o Juiz.

A fase de Queixa modelada apenas será iniciada por um Ofendido. Ou seja, os fatos que estarão na queixa apenas poderão por ele serem descritos. O Ministério Público,

primordialmente, receberá a Queixa, e estará incubido de repudiá-la ou oferecê-la ao Juiz competente. Oferecida a queixa, o Juiz prosseguirá em verificar casos de rejeição da queixa. Caso não a rejeite, irá citar o acusado, terminando este processo.

A.1.1 Atividades do Ofendido

O ofendido será o único capaz de dar início ao processo de Queixa. Na Figura A.2, na Página 53, estão as diferentes maneiras de início.

A queixa poderá ser apresentada pelo ofendido (pessoalmente), por representação ou por procurador, de acordo com os artigos 30, 39 e 44:

Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a ação privada.

Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial. ...

Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal.

Estes fatos estão presentes no modelo da Figura A.2 pelas as atividade Exercer a queixa pessoalmente e Representar com procurador.

O ofendido que comprove pobreza, terá um advogado nomeado pelo juiz, de acordo com o artigo 32:

Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado para promover a ação penal. ...

Exibido no diagrama através da atividade Requerer advogado por comprovar pobreza, que seguirá para a raia do Juiz. Este ator terá suas atividades descritas em momento oportuno.

Na ocasião do ofendido ser menor de 18 anos ou apresentar alguma característica específica, requererá ao Ministério Público um curador especial. O Ministério Público em posse do requerimento, o enviará ao Juiz, para que o julgue, conforme artigo 33:

Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 (dezoito) anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste com os daquele, o direito de queixa poderá ser exercido por curador especial, nomeado, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente para o processo penal.

Figura A.1: Queixa

Exposto no modelo pela atividade Apresentar característica do Art. 33, a qual será levado para a raia do Ministério Público, cujas atividades serão analisadas em momento conveniente.

Sendo o ofendido menor de 21 anos ou maior de 18 anos, iniciado o processo, poderá exercer a queixa pessoalmente ou ser representado por um representante legal, como disciplinado pelo artigo 34:

Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 (vinte e um) e maior de 18 (dezoito) anos, o direito de queixa poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal.

Este artigo foi modelado como as atividades Representar por representante legal e Exercer aqueixa pessoalmente. Há um Gateway Exclusivo que representa a decisão que este ofendido – ao apresentar estas características – poderá tomar.

No caso de morte do ofendido, o direito de representação passará ao cônjuge, ascen-dente, descendente ou irmão, conforme artigo 31:

Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

Modelamos este artigo através da atividade Passar direito de representação ao CADI, que possui um Evento de Sinal de Fronteira associado. Tal Evento capturará um sinal, indicando o caso da morte do ofendido, e irá encerrar o processo. Fato modelado de tal maneira para explicitar que, a qualquer momento durante a execução desta fase, ocorrendo esta situação, o processo encerrará imediatamente.

Finalmente o ofendido fará a descrição dos fatos, e enviará ao Ministério Público, conforme artigo 41:

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

A.1.2 Atividades do Ministério Público

O Ministério Público, na Figura A.3 poderá executar a atividade Requerer curador es-pecial ao pedido do Ofendido, conforme artigo 33 já mencionado. Esta atividade seguirá para a raia do Juiz. Além de que receberá os fatos descritos pelo ator da raia anterior.

Como mostra a Figura A.3, caberá ao Ministério Público, optar por aditar a queixa, conforme artigo 45:

Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os termos subseqüentes do processo.

Figura A.2: Queixa - Ofendido

o Ministério Público aditará a queixa dentro do prazo de três dias, caso contrário, passado esses três dias não irá mais aditar a queixa, conforme o artigo 46:

Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. ... § 2o O prazo para o aditamento da queixa será de 3 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos, e, se este não se pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do processo.

Uma dificuldade encontrada ao modelar o artigo 46 é que nada é informado na lei pelo não cumprimento do prazo para oferecimento da denúncia pelo Ministério Público.

Optamos por não representá-lo no diagrama.

O § 2o do artigo 46 foi modelado utilizando-se, como no prazo das Figuras 4.2 e Figura 4.4, de uma combinação dos elementos Gateway Baseado-em-Evento, Evento In-termediário de Captura de Tempo e Evento InIn-termediário de Captura de Sinal. Assim, o processo é suspendido após a execução da Atividade de Receber os fatos. Se findado os três dias para aditar a queixa, é disparado o Evento Intermediário de Captura de tempo

e o processo seguirá. Caso haja um Sinal correspondente para o Evento Intermediário de Captura de Sinal, a queixa será aditada.

Se a queixa for aditada e repudiada, caberá ao Ministério Público oferecer denúncia substitutiva, de acordo com o artigo 29:

Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

Há um Gateway Exclusivo para decidir repudiar ou não. Caso repudie a queixa, é realizada a Atividade de Repudiar e oferecer denúncia substitutiva, alcançando um Evento Final de Erro, encerrando o processo.

O Ministério Público poderá requisitar esclarecimentos, conforme artigo 47:

Art. 47. Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e documentos complementares ou novos elementos de convicção, deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer autoridades ou funcionários que devam ou possam fornecê-los.

A atividade Requisitar esclarecimento somente será executada se a queixa for aditada.

Independentetemente de requisitar esclarecimentos, ou não, oferecerá a queixa.

Figura A.3: Queixa - Ministério Público

A.1.3 Atividades do Juiz

Na Figura A.4 estão as atividades que o Juiz desempenha na fase Queixa. O Juiz poderá indeferir requerimento do ofendido (conforme artigo 32 já exposto) e encerrar o processo.

Caso opte pelo deferimento do requerimento, nomeará advogado para promover a ação

penal. Este tratamento está presente no diagrama pelo Gateway Exclusivo à esquerda, que recebe os fluxos da raia do Ofendido. Em caso de optar por deferimento, o fluxo voltará à raia do Ofendido, para que este descreva os fatos, como visto na Figura A.2.

Estando em posse da queixa, o Juiz verificará os seguintes três casos de rejeição:

inépcia; por falta de condição de exercício penal ou por falta de justa causa para o exercício da ação penal. Esta verificação está de acordo com os incisos I, II e II do artigo 395 transcrito:

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Redação dada pela Lei no 11.719, de 2008).

I - for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei no11.719, de 2008).

II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou (Incluído pela Lei no11.719, de 2008).

III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. (Incluído pela Lei no 11.719, de 2008).

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Esta verificação está representado no modelo como as três saídas superiores do Ga-teway Exclusivo após a Atividade de Verificar casos de rejeição. Todas as três culminarão em outro Gateway Exclusivo, que unirá o fluxo em um único Evento Final Vazio, encer-rando o processo.

Outra maneira de se encerrar a ação penal é caso se reconheça a extinção da punibi-lidade. Esta atividade poderá ser ativada a qualquer momento da fase em questão, basta ser sinalizado, assim encerrando o processo. Conforme artigo 61:

Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-lo de ofício.

Esta Atividade possui um Evento de Sinal de Fronteira acoplado à ela (como visto na Figura A.4) para que a qualquer momento durante esta fase – se este Sinal for capturado – a atividade em questão será executada. O que se segue é o encerramento da ação penal e consecutivamente o fim do processo.

Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. (Redação dada pela Lei no11.719, de 2008).

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Este caso foi modelado utilizando um Gateway Exclusivo para verificar se realizará a atividade Citar acusado ou Encerrar a Ação Penal.

Os artigos 395, 61 e 396 estão modelados de forma análoga ao da Figura 4.9 da fase de Denúncia.

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