Capítulo I – Percurso Profissional e Formativo
12. Conclusões
A realização deste relatório permitiu à autora uma reflexão sobre o seu percurso profissional durante 13 anos dedicados ao ensino da Física e da Química, assim como uma atualização de conhecimentos, resultante das leituras efetuadas.
Com a aquisição de um sentido de competência pedagógica crescente e de um sentimento de confiança, verificou-se uma maior facilidade na resolução de situações mais complexas e também a necessidade crescente de atualização ao nível do conhecimento científico e pedagógico para poder dar a resposta adequada às expectativas dos alunos.
Ao longo do seu percurso profissional a autora estabeleceu metas e objetivos, valorizando o que é necessário ensinar, mas valorizando ainda mais quem estava a ensinar, ou seja, os destinatários do processo. A adequação de práticas respeitou os diferentes contextos pedagógicos e a individualidade de cada um dos seus alunos. É verdade que nem todos os alunos foram casos de sucesso, mas também os fracassos foram orientadores da sua ação e evolução.
As várias alterações legislativas que vivenciou durante este percurso e o evoluir das tecnologias conduziram a autora a um processo de construção de saberes que permitiram a sua própria conceção da profissão e do que entende por boas práticas no ensino.
Ser professora é mais do que ensinar o currículo de uma disciplina. Por isso, a autora proporcionou aos alunos experiências diversificadas (visitas de estudo, participação em concursos/estudos/projetos, boas discussões) que lhes conferiram conhecimentos e competências para uma intervenção eficaz na sociedade. Só com esta diversificação foi possível identificar, com os alunos, as suas potencialidades, valorizando-as.
Um bom resultado num teste não reflete o que o aluno é, reflete apenas o que o aluno conhece. Daí a necessidade sentida em avaliar o desempenho dos alunos em situações concretas e levá-los a compreender que a vida vai ocorrer fora da sala de aula e que o mundo tem muito para lhes oferecer e também muito para exigir deles.
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A autora reconhece ainda as inegáveis vantagens do desempenho de diversas funções pedagógicas. O poder aprender mais sobre as várias estruturas da escola conduziu a um maior conhecimento e a uma maior confiança para apresentar sugestões e participar ativamente em decisões.
A possibilidade de desempenhar cargos com contacto direto com encarregados de educação e outros elementos da comunidade educativa, inclusive exteriores à escola, facultou um conhecimento efetivo da realidade do meio em que as várias escolas estavam inseridas que suscitou por vezes uma adequação das suas práticas.
O envolvimento em projetos criou condições para enlaçar outros projetos. Criou ainda condições para uma incontestável articulação interdisciplinar, que se revelou profícua nas aprendizagens dos alunos e no reconhecimento de que, em educação, todos podem e devem, trabalhar com um fim comum: formar cidadãos informados, críticos, conscientes, exigentes, comprometidos e pragmáticos.
Também, e especialmente, na educação ambiental, a teoria apenas não basta. É essencial que os alunos vejam, na prática, como usar o que aprenderam em sala de aula.
A metodologia associada ao programa Eco-Escolas permitiu a identificação de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças para o seu desenvolvimento. Revelou-se por isso um meio de envolver os alunos, trazer a comunidade para o ambiente escolar e levar os alunos para o meio envolvente. As dinâmicas criadas permitiram a reflexão sobre as questões ambientais, incentivaram o desenvolvimento de projetos pedagógicos direcionados para a consciencialização dos problemas da natureza e a procura de formas para minimizá- los/resolvê-los. Permitiu ainda que os alunos formulassem opiniões fundamentadas e numa perspetiva de desenvolvimento sustentável.
O papel da Física e da Química na Educação Ambiental foi sempre reforçado. De acordo com a sua experiência, os alunos reconhecem apenas a Biologia como ciência associadas às questões ambientais. Porém, a exploração de vários problemas ambientais recorrendo a conceitos de Física e de Química permitiram que os alunos assumissem a importância e o envolvimento destas ciências em várias vertentes da problemática ambiental e compreendessem de que forma são aí aplicadas .
A intervenção dos alunos na escola e o reconhecimento das suas ações pelos órgãos de gestão e pelos parceiros do projeto, permitiram uma maior motivação para o estudo da disciplina e para o trabalho em equipa.
Não obstante o percurso já efetuado em prole de uma efetiva educação ambiental, a autora crítica o facto de este ser um tema pouco valorizado em termos práticos. As diretrizes
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ao nível do ensino da Física e da Química regem-se muito pela sugestão da valorização das questões ambientais. Porém, não propiciam meios para a sua implementação, centrando-se essencialmente no conhecimento e não nas competências. O mesmo sucede a nível local, com a implementação da Agenda 21 Local, em que na maioria dos casos não se passou de um plano de intenções que caíram no esquecimento sem qualquer avaliação.
A inclusão de práticas de educação ambiental, como o desenvolvimento do programa Eco-Escolas, só é possível através da dedicação de docentes que, com a necessária capacidade de flexibilização, incluam novas abordagens no ensino. É preciso que existam orientações claras para a educação ambiental, que este seja um tema valorizado por todos os elementos da comunidade educativa, que se verifique uma real inclusão em todas as disciplinas e que a sua implementação seja avaliada e os resultados dados a conhecer.
Para finalizar, a autora acrescenta que continuará a investir na sua formação científica e pedagógica, a investir em abordagens de ensino que envolvam os alunos, a lançar-se com entusiasmo em novos desafios pedagógicos, a procurar uma contínua melhoria do seu desempenho profissional e a incluir a educação ambiental na sua prática docente.
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